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COMO TRATAR A COMPULSÃO ALIMENTAR?

quinta-feira, 12 de maio de 2016 0 comentários
EuAtleta - mulher comendo (Foto: Getty Images)Compulsão alimentar é problema de saúde pública (Foto: Getty Images)
Diversos estudos tentam decifrar como ocorre o fenômeno da compulsão alimentar.

Ela é muito comum, principalmente, entre as mulheres que afirmam ter uma “dependência alimentar” ou serem “viciadas” em certos alimentos. Atualmente, há muita controvérsia na comunidade científica sobre quais são os mecanismos relacionados com a dependência alimentar e como ela poderia contribuir para o sobrepeso e para a obesidade. Em contraste, o vício em comida é amplamente discutido na mídia e o apoio público para sua existência parece ser muito forte. De fato, o estudo de Lee e colaboradores de 2013 mostra que mais de 85% das australianas e americanas acreditam que certos alimentos têm potencial viciante, e 72% acreditam que o vício em comida é responsável por alguns casos de obesidade. Mais impressionante é o estudo de Meadwos & Higgs, de 2013, que mostra que 52% das mulheres inglesas classificam-se como viciadas em alimentos. E como será que é no Brasil?

A compulsão alimentar é um problema de saúde pública e, pior, é subdiagnosticada pelos 
médicos. O estudo Kessler e colaboradores publicado em 2013 pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) mostra que a compulsão alimentar representa um problema de saúde pública, pelo menos, igual a bulimia nervosa. Eles ainda ressaltam a importância clínica de questionar os pacientes sobre problemas alimentares, mesmo quando esses não estão incluídos entre as queixas apresentadas ao médico em consultas. 

Segundo o médico Higor Caldato, psiquiatra com formação em transtornos alimentares pela UFRJ, um episódio de compulsão alimentar acontece quando uma pessoa ingere uma quantidade de comida muito maior do que a maioria das pessoas comeriam em um mesmo intervalo de tempo, e acontece com uma sensação de descontrole, sem conseguir evitar comer ou para de comer. Além disso, segundo o psiquiatra a pessoa pode comer muito mais rapidamente que o habitual, sentir-se desconfortavelmente cheia, ingerir alimentos sem sentir de fato fome. 

O psiquiatra ainda esclarece que: “frequentemente estes episódios são seguidos por sofrimento, depressão ou culpa. As pessoas que apresentam transtorno de compulsão alimentar geralmente sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam ocultar os sintomas”. Assim, a doença acaba ocorrendo em segredo ou o mais discretamente possível, atrasando muitas vezes, a busca pelo adequado tratamento. Sem o devido tratamento, os pacientes continuam a sofrer calados.

COMO A CIÊNCIA EXPLICA A COMPULSÃO ALIMENTAR?
A compulsão alimentar é uma condição multifatorial estando envolvida com fatores socioculturais, psicológicos e, até, familiares. No entanto, atualmente existem explicações biológicas e estudos recentes mostram que, para algumas pessoas, os mesmos centros de recompensa e prazer do cérebro que são acionados por drogas que causam dependência, como cocaína e heroína por exemplo, são também ativadas por alimentos, especialmente aqueles altamente palatáveis como o açúcar e o sal. 

Como as drogas que causam dependência, os alimentos altamente palatáveis parecem 
desencadear a liberação de substâncias químicas, em especial a dopamina, no cérebro. Uma vez que as pessoas experimentam o prazer de comer certos alimentos ocorre o aumento da transmissão de dopamina e serotonina na via de recompensa no cérebro, assim elas rapidamente sentem a necessidade de comer novamente para sentir o mesmo prazer.

É o que evidencia o estudo de Wang e colaboradores onde a disponibilidade do receptor de dopamina (D2) está diminuída em indivíduos obesos. A dopamina modula circuitos de motivação e recompensa e, portanto, a deficiência de dopamina em indivíduos obesos pode perpetuar a compulsão alimentar como um meio para compensar a diminuição da ativação desses circuitos. 

QUAIS O SINAIS DA COMPULSÃO ALIMENTAR?
Veja se algumas dessas perguntas se aplicam a você? 

- Você come mais do que o previsto quando começa a comer certos alimentos? 
- Você come certos alimentos mesmo quando não está mais com fome?
- Você come algum alimento em excesso a ponto de sentir-se mal? 
- Você se preocupa em não comer certos tipos de alimentos? 
- Quando certos alimentos não estão disponíveis você sai de casa para obtê-los?
- Você evita situações profissionais ou sociais onde certos alimentos estão disponíveis por 
causa do medo de comer demais?
- Você tem problemas no seu trabalho ou escola por causa de comida?
- Comer alguns alimentos provocam problemas como depressão, ansiedade ou culpa?
- Você precisa comer mais e mais alimentos para reduzir as emoções negativas ou aumentar o prazer?
- Comer a mesma quantidade de alimentos não reduz as emoções negativas ou aumenta o 
prazer da maneira que costumava?

COMO TRATAR A COMPULSÃO ALIMENTAR?
O acompanhamento médico é indispensável para o diagnóstico e o tratamento da compulsão alimentar. Como normalmente esses indivíduos estão com sobrepeso ou são obesos o tratamento multidisciplinar é fundamental. Uma equipe formada por um psiquiatra, psicólogo, endocrinologista e o nutricionista pode trazer um resultado muito mais favorável para o paciente a longo prazo. 

O tratamento passa por medidas farmacológicas específicas com o objetivo de reduzir os 
episódios de compulsão alimentar e o peso corporal (quando associado a sobrepeso ou  obesidade). E medidas não farmacológicas como o acompanhamento nutricional para a melhora do comportamento alimentar inadequado e de psicoterapias, principalmente o cognitivo comportamental, que tem mostrado resultados significativos no tratamento da compulsão alimentar. Por isso, tenha equilíbrio nas suas escolhas e cuide-se sempre, nunca negligencie os sinais do seu organismo.

Referências:
1 – Wang G. et al. Brain dopamine and obesity. The Lancet Vol. 357, No. 9253, p354–357, 3 February 2001.
2 - Hardman CA. "Food addiction is real". The effects of exposure to this message on self-diagnosed food addiction and eating behaviour. Appetite. 2015 Aug;91:179-84.
3 - Lee, N. M., Lucke, J., Hall, W. D., Meurk, C., Boyle, F. M., & Carter, A. Public views on food addiction and obesity. Implications for policy and treatment. PLoS ONE, 8(9), e74836. 2013
4 - Meadows, A., & Higgs, S. I think, therefore I am? Characteristics of a non-clinical population of self-perceived food addicts. Appetite, 71, 482. 2013
5 - Hoyt, C. L., Burnette, J. L., & Auster-Gussman, L. (2014). “Obesity is a disease”. Examining the self-regulatory impact of this public-health message. Psychological Science, 25(4), 997–1002.
6 – Kessler C. et al. The prevalence and correlates of binge eating disorder in the WHO World Mental Health Surveys. Biol Psychiatry. 2013 May 1; 73(9): 904–914.

Fonte: Eu Atleta.

COMO REDUZIR ANTI-NUTRIENTES NOS ALIMENTOS.

quarta-feira, 11 de maio de 2016 0 comentários
Nutrientes em plantas nem sempre são de fácil digestão, porque as plantas podem conter anti-nutrientes: compostos de plantas que reduzem a absorção de nutrientes do sistema digestivo. Em alguns casos, esses compostos podem ser quase completamente eliminados.
Eles não são uma grande preocupação para a maioria das pessoas, mas podem se tornar um problema durante os períodos de desnutrição, ou entre as pessoas que baseiam suas dietas quase exclusivamente em cereais e leguminosas.

Nem sempre os anti-nutrientes são prejudiciais – em algumas circunstâncias, esses compostos, como fitato e taninos, podem ter alguns efeitos benéficos à saúde.

Quais são os anti-nutrientes? Os mais amplamente estudados incluem:
Fitato = reservatório de fosfato para a planta (ácido fítico): encontrado principalmente em sementes, grãos e legumes (cereais integrais, soja, amendoim), o fitato reduz a absorção de minerais, como ferro, zinco, magnésio e cálcio, numa refeição. Os níveis de fitato são reduzidos durante o processamento de alimentos, como o cozimento e fermentação.

Taninos: uma classe de polifenóis antioxidantes (chá verde, preto, mate) que podem prejudicar a digestão de vários nutrientes. Ocorrem nos grãos de alguns cereais e leguminosas (alguns feijões).

Lectinas: Encontradas em todas as plantas alimentares, especialmente em sementes, legumes e grãos. Algumas lectinas podem ser prejudiciais em quantidades elevadas, e interferem na absorção de nutrientes.

Inibidores de protease: amplamente distribuídos entre as plantas, especialmente em sementes, grãos e legumes. Eles interferem na digestão de proteínas por inibição de enzimas digestivas.

Oxalato = ácido oxálico (oxalato de cálcio): diminui a biodisponibilidade de cálcio, por exemplo. A forma primária de cálcio em muitos vegetais, como espinafre, ruibarbo, acelga, beterraba, tomate, nozes, cacau. O cálcio ligado ao oxalato é muito pouco absorvido. (dica: não tomar leite junto com cacau porque diminui a absorção do cálcio).

Nitratos – vegetais são fonte naturais de nitrato, composto utilizado como fonte de nitrogênio para o crescimento das plantas. Estima-se que os vegetais, em particular os verdes folhosos como espinafre, contribuam com mais de 70% do nitrato total ingerido. As concentrações normais de nitrato e nitrito nos alimentos naturais dependem do uso de fertilizantes e das condições nas quais os alimentos são cultivados, colhidos e armazenados – comprando orgânicos, evita-se esse tipo de super-concentração!

Imersão (deixar de molho)
Feijões e outras leguminosas são muitas vezes embebidos em água durante a noite para melhorar o seu valor nutricional.
A maioria dos anti-nutrientes nestes alimentos são encontrados na casca. Uma vez que muitos anti-nutrientes são solúveis em água, eles simplesmente se dissolvem quando os alimentos ficam de molho.
Em leguminosas, a imersão diminui fitato, inibidores de proteases, lectinas, taninos e oxalato de cálcio.
Por exemplo, uma imersão de 12 horas reduz o teor de fitato de ervilhas em até 9%.
No entanto, a redução de anti-nutrientes pode depender do tipo de leguminosa. Em feijão, soja e feijão fava, a imersão reduz muito pouco os inibidores da protease.
A imersão não é útil apenas para legumes: vegetais de folhas também podem ficar de molho para reduzir oxalato de cálcio. Normalmente utiliza-se a imersão em combinação com outros métodos, como germinação, fermentação e cozimento.

Germinação
A germinação é o período no ciclo de vida das plantas em que elas começam a brotar a partir das sementes. Aumenta a disponibilidade de nutrientes em sementes, cereais e leguminosas.
A germinação leva alguns dias, e pode ser iniciada com algumas etapas simples:

. Comece por enxaguar as sementes para remover toda sujeira.
. Mergulhe as sementes em água fria por 2-12 horas. O tempo de imersão dependerá do tipo de semente.
. Lave-as bem em água.
. Escorra bem a água e coloque as sementes em um vaso de brotação. Certifique-se de colocá-lo fora da luz solar direta.
. Repetir a lavagem e secagem por 2-4 vezes. Isto deve ser feito regularmente, ou uma vez a cada 8-12 horas.
Durante a brotação, as mudanças ocorrem no interior da semente, e levam à degradação dos anti-nutrientes, como os inibidores de protease e o fitato.

Ebulição
Feijões verdes cozidos, por exemplo. O calor elevado, ao ferver, pode degradar anti-nutrientes como lectinas, taninos e os inibidores da protease. Além disso, oxalato de cálcio é reduzido em 19-87% em cozidos vegetais de folhas verdes.

Visão geral:
Fitato (ácido fítico): imersão, brotação, fermentação.
Lectinas: imersão, ponto de ebulição, aquecimento, fermentação.
Taninos: imersão, fervura.
Inibidores da protease: imersão, brotação, ebulição.
Oxalato de cálcio: imersão, ebulição.
Os brotos mais fáceis de sementes são:
azuki (feijão)
alfafa
trevo
ervilhas verdes/vermelhas
lentilhas
brotos de feijão
quinoa
rabanete
trigo
grão de bico
sementes de girassol
sementes de brócolis
painço

CHÁ DE HORTELÃ-PIMENTA MELHORA MEMÓRIA E ATENÇÃO.

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Camomila versus hortelã
O chá de hortelã-pimenta melhora a memória de longo prazo e a memória de trabalho em pessoas saudáveis.

A hortelã-pimenta (Mentha  piperita) é uma hortelã híbrida, obtida do cruzamento entre a Mentha aquatica e a Mentha spicata. É popularmente indicada como descongestionante nasal, antigripal, vermífugo, digestivo e analgésico.

Um total de 180 participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber um copo de chá de hortelã-pimenta, chá de camomila ou de água quente.

Inicialmente os voluntários completavam questionários relacionados com o seu humor, ou estado de espírito, e então tomavam a bebida.

Depois de 20 minutos de descanso, eles faziam testes que avaliavam sua memória e uma variedade de outras funções cognitivas. Finalmente, preenchiam outro questionário sobre seu humor.

Memória e estado de alerta
Os resultados mostraram que o chá de hortelã-pimenta melhora significativamente a memória de longo prazo, a memória de trabalho e o estado de alerta em comparação tanto com a camomila quanto com a água quente.

Na verdade, o chá de camomila desacelerou significativamente a memória e a atenção em comparação tanto com a hortelã-pimenta quanto com a água quente.

"É interessante ver os efeitos contrastantes sobre o humor e a cognição dos dois diferentes chás de ervas. Os efeitos de aceleração e despertar da hortelã-pimenta e os efeitos calmantes e sedativos da camomila observados neste estudo estão em consonância com as alegadas propriedades destas ervas e sugerem que efeitos benéficos pode ser obtidos com seu uso," disse Mark Moss, que realizou o estudo em conjunto com seus colegas Robert Jones e Lucy Moss, da Universidade de Northumbria (Reino Unido).

SABER COMER É PURA INFORMAÇÃO.

terça-feira, 10 de maio de 2016 0 comentários
E se o seu organismo não reconhecer aquilo que você come como um alimento? Defende-se, inflama-se, fica doente. É o que fazem muitos dos produtos que levamos à boca. Cristina Sales, médica e especialista em alimentação, garante que na origem da maioria das doenças que afetam o homem do século XXI está o que comemos e o modo como o fazemos. É que os alimentos são veículos de comunicação: dizem às células como devem comportar-se.

Precisamos de mudar a forma como nos alimentamos?
É obrigatório que o façamos porque a alimentação que a população dos países ocidentais, incluindo Portugal, passou a fazer nos últimos cinquenta anos é o que está na origem da maior parte das doenças endócrinas, metabólicas, autoimunes, degenerativas e alérgicas. As novas epidemias devem-se sobretudo aos estilos de vida e à alimentação que fazemos desde o pós-guerra.

A alimentação é decisiva para a saúde e o bem-estar mas está a provocar doenças e a aumentar a mortalidade precoce?
A geração dos nossos filhos terá uma esperança de vida mais reduzida do que a nossa por causa dos estilos de vida e da alimentação. Primeiro, os produtos altamente processados pela indústria alimentar conduzem a uma desnutrição em nutrientes fundamentais e ingerimos uma grande quantidade de calorias vazias. Segundo, são muito diferentes dos alimentos originais e o organismo não sabe lidar com eles, não os reconhece como alimentos. Depois, há uma sobrecarga tóxica inerente à alimentação que provém dos agroquímicos (da produção), dos conservantes, corantes e adoçantes que são adicionados para preservar os produtos durante mais tempo e para os manter bonitinhos.

São alimentos para ver…
Os produtos que nos chegam ao prato foram feitos para vender e não para comer. Não têm nada que ver com os alimentos que ingerimos e que nos fizeram viver e sobreviver ao longo de milhões de anos. Esta mudança ocorreu tão depressa que o organismo não está adaptado para gerir, digerir e assimilar estes produtos, pelo contrário, vê-os como substâncias estranhas e reage, inflamando-se.

Como é que podemos livrar-nos dessa teia?
As escolhas alimentares são condicionadas pela publicidade, as pessoas não são ensinadas a escolher. Quem é que é ensinado a consumir maçãs ou laranjas? Ninguém. A informação que passa de forma subliminar através dos anúncios da TV e dos jornais é que se deve beber sumo de maçã e de laranja. Mas se alguém ler os rótulos das embalagens verifica que contém imenso açúcar, frutose, acidificantes, etc., e o que falta é a maçã e a laranja. É preciso informar, ensinar e consciencializar a população.

A atitude da indústria alimentar tem de mudar?
No global sim, mas também depende do que a indústria faz. A conservação de alimentos através da congelação, por exemplo, é perfeita. Os legumes congelados são uma ótima opção, por vezes mais económica, e chegam ao consumidor mais frescos e com mais nutrientes do que os que são mantidos durante cinco ou seis dias nas cadeias de distribuição. Já quando falamos de alimentos que têm de levar uma quantidade enorme de aditivos para serem consumidos – é o caso das carnes de muito má qualidade e dos aproveitamentos que se fazem dos restos dos mariscos – é diferente. Sempre que tivermos de dobrar a língua muitas vezes para conseguir ler o que está escrito nos rótulos é porque não é comida. Não compre. Será qualquer coisa que do ponto de vista nutricional, químico e metabólico está muito longe do alimento original.

Está a falar de alimentos que duram ad eternum?
Por exemplo. Como é que duram? Fizeram-se estudos com hambúrgueres e batatas fritas – uns feitos em casa, com carne picada, e batatas que foram descascadas, outros com produtos processados e embalados – e verificou-se que ao fim de trinta ou quarenta dias alguns hambúrgueres se mantinham iguaizinhos. Não se degradaram, ao contrário dos que foram feitos em casa, que estavam estragados três dias depois. Ora alguém acha que uma coisa daquelas pode ser comida?

Quando ingerimos produtos desse tipo como é que o organismo reage?
Defende-se e inflama-se ou agarra naquelas coisas que não considera importantes e arruma-as nos depósitos de lixo, que são as células gordas. Estas, além de serem o nosso reservatório de energia, são também o depósito de substâncias tóxicas que o organismo não metaboliza ou não utiliza para impedir que entrem nos circuitos mais nobres. Esta acumulação de lixo cria bloqueios bioquímicos e alterações metabólicas que impedem as células de trabalhar em condições. Hoje ninguém sabe que consequências é que isto tem para o cérebro e o sistema imunitário e para o bom trabalho hepático e digestivo. Os circuitos da toxicidade são cruzados – se uma pessoa come de vez em quando um gelado, um iogurte, umas bolachas ou um sumo que tem um determinado corante é uma coisa, mas se o faz com regularidade, ao fim de seis meses já ultrapassou as doses suportáveis e entra em sobrecarga tóxica.

E o que é que acontece?
Veja-se o ácido fosfórico, um aditivo que está presente em alimentos de consumo diário, como os cereais de pequeno-almoço e os refrigerantes. Quem ingere estes produtos todos os dias, além de ficar com o sistema acidificado e perder cálcio (uma compensação do organismo que depois predispõe à osteoporose), também fica numa excitação – o ácido fosfórico é um estimulante cerebral e é óbvio que uma criança que de manhã come um prato de cereais chega à escola e não para quieta. O ácido fosfórico altera o comportamento e em determinadas concentrações é neurotóxico.

Como é que os alimentos atuam no organismo? 
Os alimentos servem para construir tecido, osso, órgãos, etc., e para nos darem energia, mas o que as ciências da nutrição têm vindo a mostrar é que os alimentos são essencialmente moduladores do comportamento celular – são informadores das células, dizem-lhes como devem funcionar. Imagine que tem um prato com uma determinada quantidade de proteínas (peixe ou carne) e outra de hidratos de carbono. Só a proporção entre a quantidade de carne e batatas ingeridas vai informar o organismo da necessidade de produzir uma hormona ou outra, neste caso insulina (que é a hormona do armazenamento) ou glucagon (a hormona do desarmazenamento).

Explique lá melhor…
Se comer mais proteínas do que hidratos de carbono vai produzir mais glucagon e induzir o metabolismo a ir buscar gordura acumulada para disponibilizar às células, ou seja, vai desarmazenar. Mas se comer mais arroz, massa ou batatas vai dar uma ordem em sentido contrário, vai dizer que é precisa mais insulina e vai acumular gordura.

Mas se as pessoas forem ativas podem queimar essa energia…
Isso é outra coisa, o que importa reter é que na proporção hidratos de carbono/proteínas a quantidade de açúcar que chega aos sensores do tubo digestivo aciona imediatamente uma ordem de libertação de glucagon ou de insulina. Se a indicação é libertar glucagon, o organismo vai usar a gordura acumulada, se a ordem for para libertar insulina, o organismo vai armazenar gordura. Isto é pura informação.

Quem quer perder peso tem de saber isso, certo?
Se a pessoa tiver consciência da informação que dá ao corpo tem muito mais capacidade para o modular. Outro exemplo. A leptina, a hormona que sinaliza o apetite, que depende sobretudo do ritmo solar. Ora, uma pessoa equilibrada, que durma de noite e trabalhe de dia, produz mais leptina de manhã (e tem apetite) e ao fim do dia produz menor quantidade (o apetite diminui). Se uma pessoa comer muito à noite estraga este equilíbrio e a certa altura está sempre com fome porque inutilizou os sensores da leptina. Nós somos mamíferos e de noite, quando dormimos, não precisamos de comer. O nosso corpo tem a sabedoria para sinalizar o apetite em função da hora do dia – comer muito à noite estraga essa sinalização, faz ter apetite a toda a hora.

A alimentação é bioquímica?
Os alimentos são veículos de comunicação. Se fizer uma refeição de gordura saturada – uma sopa com um chouriço e depois um cozido à portuguesa – dá um sinal à cárdia (esfíncter entre o estômago e o esófago) para alargar e é assim que ocorrer o refluxo gastroesofágico e aparece a azia. A gordura saturada é um sinal que se dá à cárdia para se manter aberta. Se no dia seguinte a mesma pessoa só comer azeite ou gorduras de peixe não terá azia. Sabe porquê? É que o azeite ajuda a fechar a cárdia. Este é outro exemplo que ilustra a importância do conhecimento. Pessoas mais esclarecidas fazem escolhas mais acertadas.

A forma como nos alimentamos dita o comportamento das células?
Quando ingeridas, as gorduras saturadas e as gorduras ómega 6 (provenientes essencialmente dos animais e dos cereais, sobretudo da soja) são a estrutura a partir da qual as células fazem substâncias pró-inflamatórias. As gorduras ómega 3 – provenientes das algas e dos peixes – são as que permitem que as células produzam substâncias anti-inflamatórias. Se uma pessoa tem uma doença inflamatória (por exemplo, uma alergia, artrite ou doença autoimune) e come muita gordura saturada, esta vai funcionar como substrato para a fogueira e agravar o processo inflamatório da doença que já tem. Ao contrário, se a pessoa ingerir gorduras ômega 3, vai ser capaz de construir extintores de incêndio para que as suas células produzam anti-inflamatórios.

Há outros exemplos?
Se uma pessoa tem tendência depressiva porque não consegue produzir serotonina em quantidade suficiente, deve comer os alimentos que têm os aminoácidos precursores da serotonina – a carne de peru, por exemplo, é extremamente rica em triptofano, que é um precursor da serotonina. Se a pessoa souber isto, no outono, quando o tempo fica mais escuro, porque é que não há de comer mais carne de peru em vez de carne de vaca?

A alimentação e o processo digestivo podem agravar ou controlar certas doenças?
Sim, se uma pessoa tem uma predisposição genética para a diabetes, Alzheimer, etc., a doença só vai manifestar-se se o gene for ativado. Mas o que as pessoas precisam de saber é que os genes também podem ser desativados – é a modulação genética através da nutrigenética. Como? O que ativa ou suprime a expressão dos genes é a presença de determinados fitoquímicos, substâncias que também se encontram nos alimentos.

Podemos dizer que há alimentos anti-inflamatórios?
Claramente. Os que têm ômega 3 – sardinha, cavala e os peixes das águas frias do Norte. Algumas substâncias vegetais dos legumes (tomate), frutos (quivi) e especiarias (a curcuma, que confere a cor amarela ao caril) também têm efeito modulador de alguns genes pró-inflamatórios. Mas alimentos anti-inflamatórios devem ser consumidos, independentemente de se ter doença ou não. Hoje sabe-se que um cérebro com Alzheimer já está inflamado vinte anos antes da manifestação da doença. Todas as doenças degenerativas começam com processos inflamatórias, as autoimunes também. Não conhecemos é as causas.

Há substâncias que devem mesmo ser eliminadas da alimentação?
Os aditivos químicos. Falo das substâncias químicas que não são alimentos, que são usadas pela indústria alimentar e podem ser geradoras de inflamação em contacto com o organismo. A vida corrente não nos permite evitar todos os aditivos, mas se estivermos despertos para esta realidade teremos mais atenção, faremos escolhas mais saudáveis e ingerimos menores quantidades.

E as gorduras?
As gorduras ômegas 6, que se encontram nas margarinas e nos óleos e que são provenientes da soja, do milho e do amendoim, são claramente pró-inflamatórias. Precisamos de ômega 6 no organismo, mas em quantidades muito reduzidas. O problema é que a cadeia alimentar atual é geradora de uma alimentação extraordinariamente rica em ômega 6 e pobre em ômega 3. Basta pensar que, dantes, as galinhas e as vacas comiam erva, agora comem rações provenientes da soja; os peixes comiam algas, agora comem rações também com soja. Os produtos alimentares que usamos são essencialmente da linha produtora de ômega 6.

Nos supermercados temos centenas de alimentos à escolha. Precisamos de tanta coisa?
Não precisamos de tantos produtos alimentares, necessitamos é de maior diversidade alimentar. Essas centenas ou milhares de produtos que vemos nas prateleiras são provenientes de quatro ou cinco alimentos – cereais, lácteos, açúcares e gorduras – e da indústria de processamento. Se olharmos para a quantidade de legumes, frutos, oleaginosas e peixe que as pessoas comem no dia a dia verificamos que não há variedade alimentar, as pessoas comem quase sempre o mesmo. Já pensou na variedade de saladas que é possível fazer? Mas se perguntar a alguém qual é a que come diz-lhe alface e tomate.

No supermercado fazemos escolhas condicionadas pela publicidade e o marketing. Como podemos fugir a isso?
Só vai mudar com a informação dos cidadãos. Nos países do Norte da Europa, onde a população é muito mais esclarecida, não encontramos nos supermercados esta quantidade enorme de alimentos-lixo – basta verificar que o espaço ocupado por refrigerantes, cereais de pequeno-almoço e óleos alimentares é muito reduzido. Exatamente o oposto do que se passa em Portugal.

A crise econômica e as dificuldades das famílias podem piorar ainda mais a alimentação dos portugueses?
Também pode acontecer o contrário. Numa altura em que todos sentimos uma necessidade absoluta de gerir muito bem os orçamentos familiares, devemos fazer listas de compras de forma racional. E antes de comprar certos produtos alimentares, é obrigatório perguntar: «Preciso mesmo disto? Vale a pena? Faz-me ficar mais forte, vital, inteligente? Tem mais nutrientes?» Ocasionalmente, podemos comprar os tais alimentos que não comportam nenhum valor acrescentado mas que agradam ao paladar, mas isso é num dia de festa.

De que produtos podemos e devemos mesmo prescindir quando vamos às compras?
Devemos tirar os refrigerantes, cereais com açúcar, pastelaria, óleos e margarinas – para cozinhar devemos usar o azeite, só azeite. Todos os refrigerantes são um estrago de dinheiro – as pessoas devem beber água. Os cereais com açúcar (os de pequeno-almoço e as bolachas) também são prescindíveis – devemos escolher cereais completos, integrais, que até são mais baratos. Compare-se o preço de uma caixa de cereais de pequeno-almoço com o de um pacote de flocos de aveia, que são altamente nutritivos. A aveia é muito mais barata e muito nutritiva.

Mas comprar carne magra e peixe gordo, frutos e hortaliças é muito mais dispendioso…
Mas há estratégias que podem ser implementadas. Uma é comprar carne de melhor qualidade e comer menos quantidade e menos vezes. É preferível comer carne três vezes por semana em vez de comer carne gorda todos os dias. Além disso, toda a gente ganha se fizer uma alimentação vegetariana dois dias da semana e em vez da carne comer, por exemplo, arroz de feijão ou grão-de-bico com massa. Se se acrescentar hortaliças, ervas aromáticas e azeite, podemos dizer que são refeições perfeitas. Menos carne, mas de melhor qualidade; mais peixe (incluindo cavala e sardinhas, frescas ou em conserva de azeite) e ovos (podem ser consumidos três ou quatro por semana) são opções a privilegiar.

Não retira massa, arroz ou batatas ao seu carrinho de compras?
Não, mas reduzo as quantidades ingeridas. No prato devemos ter pequenas porções de massa, arroz ou batatas e maior quantidade de hortaliças, legumes e leguminosas.

Fala-se muito na responsabilidade social da indústria farmacêutica, que ganha dinheiro à custa do tratamento dos doentes. E quanto à responsabilidade social da indústria alimentar, que ganha dinheiro atirando-nos para a doença?
A indústria alimentar está a fazer maus alimentos, mas a verdade é que as pessoas só compram o que querem. Sei que quanto menor é a informação maior é a permeabilidade ao marketing, mas o caminho também se faz através da informação dos cidadãos e da sua responsabilização. Custa-me imenso ver nas caixas de supermercado que as pessoas aparentemente mais pobres também são as que levam os carrinhos repletos de produtos inúteis e nefastos para a sua saúde. É preciso repensar a política alimentar e inovar.

12 ALIMENTOS SAUDÁVEIS.

sábado, 7 de maio de 2016 1 comentários
Seguir uma alimentação saudável é primordial para se viver bem, todos sabemos, bem como exercícios físicos, boa saúde mental e espiritual. Por essa razão, nos últimos anos vimos o mercado healthy food crescer exponencialmente com a descoberta de novos produtos (ou velhos com novos benefícios) que podem proporcionar bem estar a quem os consome. 

Frequentemente estudos são realizados para a descoberta de novas tendências alimentares, e essas sem dúvida chegaram para ficar, e conquistar um lugar especial no coração dos fãs de comidinhas saudáveis:

Kefir
Bebida fermentada à base de leite, de sabor levemente mais ácido que o iogurte. É feita a partir de colônias específicas de bactérias, chamados grãos de kefir, que após utilizados devem ser "realimentadas" com mais leite, semelhante ao preparo de pães de fermentação natural. Tais grãos precisam de uma cultura especial, de difícil industrialização, e por isso existem até bancos de doadores desses. O kefir turbina a imunidade, auxiliando diretamente na saúde respiratória, combate problemas intestinais, articulares, ansiedade, depressão, além de diminuir o LDL, ansiedade e depressão. 

Seitan
Mais conhecido como carne de glúten , é um alimento oriental feito a partir da proteína do trigo. Faz-se uma massa, que depois é lavada em água corrente para retirar a gordura e os carboidratos. Depois, é cozida em molho de soja, o que confere ao seitan uma consistência dura, a ponto de ser cortada, e por isso substitui a carne nas dietas vegetarianas. 

Alho negro
É o alho comum que conhecemos, que após um processo de maturação e fermentação, fica mais cremoso, adocicado e sem aquele cheiro forte, conquistando os mais diversos paladares, além de ganhar benefícios extras, como regulação da pressão e do colesterol, ação antioxidante, termogênica e redutora de gordura, além de antiviral e antigripal.

Matchá
Feito a partir da mesma planta do chá verde, porém sua produção artesanal faz com que o pó seja mais concentrado em clorofila, flavonóides e cafeína, o que aumenta seu poder antioxidante, acelerando o metabolismo e ajudando na recuperação muscular. Pode ser consumido como chá, mas tem sido bastante em receitas, como bebidas, doces, bolo, pães e outras. 

Gooseberry
É a famosa groselha, que geralmente consumimos na forma de xarope e suco. No seu formato original, ou seja, como fruta combina muito bem com doces e pode também ser encontrada desidratada, tal como damasco, uva passa e outras. Tem propriedades antioxidantes, poucas calorias, além de vitaminas do complexo B e uma série de minerais importantes para saúde, como cobre , cálcio, fósforo, manganês, magnésio e potássio.

Nuts
Castanhas, nozes e amêndoas têm caído cada vez mais no gosto popular. Seja na forma de lanchinhos para as refeições intermediárias, farinhas ou leite, são ótimas fontes de energia pro organismo, como alternativas para quem tem intolerâncias à lactose e ao glúten. Os leites vegetais ainda podem ser encontrados a partir de soja, arroz, aveia e quinoa, e ainda podem ser feitos em casa, uma forma de poupar o bolso.

Coco
Fontes alegam que o coco se tornou a nova quinoa, por conta sua versatilidade. Água, ralado, farinha, óleo, açúcar, manteiga e leite são as formas que encontramos no mercado (algumas até conseguimos fazer em casa), e essa fruta pode ainda complementar diversas receitas, conferindo um sabor fantástico. Sua gordura tem propriedades terapêuticas, antimicrobianas, e sua água, alto poder de hidratação.

Algas
Geralmente usadas nos sushis e temakis, as algas possuem diversos benefícios à saúde como redução de 50 a 60% na incidência de câncer, bom funcionamento da tireoide, além de vitaminas e minerais. Têm uma composição gelatinosa e alto teor de fibras, dando volume à refeição em sopas, saladas ou acompanhamentos, e sem calorias, ajudam no emagrecimento. São tipos de algas: ágar-ágar, arame, dulse, irish moss, kombu, nori e wakame.

Missô
Pasta feita a partir de soja, é bastante utilizada na culinária oriental, pode ser usada como substituto de laticínios (leite e manteiga) em diversas receitas, bem como molho para saladas, patês e pastinhas doces para passar na torrada. Mas seu consumo deve ser até de 2 colheres (chá) por dia, por sua composição levar sal. É desintoxicante, fonte de vitamina B12 e restaura a flora intestinal, fortalecendo a imunidade. 

Skyr
Assim como o kefir, é um produto fermentado à base de leite, porém utilizam-se outros tipos de bactérias e retira-se toda a gordura para seu preparo. O resultado é um creme semelhante ao iogurte grego, rico em proteína (17g/porção), cálcio (satisfaz 20% das necessidades diárias) e baixo teor de gordura. Faz parte da culinária típica da Islândia desde a Idade Média e ainda não chegou ao Brasil. 

Rooibos tea
Infusão feita a partir de uma planta de origem africana, de sabor suave e adocicado, tem se tornado cada vez mais popular devido às suas propriedades semelhantes ao chá vermelho. Possui propriedades que protegem o sistema cardiovascular, ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, e no tratamento de dores de cabeça, insônia, dor de estômago, cólicas e irritabilidade.

Leguminosas
Esses grãos em geral ganharam bastante destaque devido à sua capacidade de substituir a carne como fonte de proteína em dietas vegetarianas. Feijão, soja, amendoim, ervilha, lentilha e grão de bico são os mais comumente usados, e esse último ainda chama a atenção pela sua quantidade de triptofano, aminoácido ligado à sensação de bem estar.

5 DICAS QUE PODEM CONTRIBUIR AO EMAGRECIMENTO.

quarta-feira, 4 de maio de 2016 0 comentários
Getty

Se a maioria da humanidade associa a perda de peso ao doloroso, frustrante e draconiano processo de renunciar a alimentos durante certo período de tempo não é por falta de alternativas. A culpa pode ser da publicidade, como quase tudo no mundo da imagem, por não dar voz suficiente aos estudos que demonstram que quem submete seu corpo a dietas tem mais propensão a engordar no longo prazo. E nunca é demais lembrar o maior fracasso do Ocidente nos últimos anos: nossa cultura alimentar não é constituída de hábitos saudáveis.

O mundo em que vivemos torna fácil comer muito e mal. E falamos do mundo inteiro. Embora na Europa haja mais aversão ao fast food que nos Estados Unidos, lá há os menus do dia, com uma entrada, um prato principal mais a sobremesa. No Brasil, um comparativo poderia ser um prato feito bem caprichado. E os escritórios de todo o planeta têm máquinas que vendem os alimentos mais prejudiciais que se pode imaginar. A chave, portanto, para controlar o peso que ganhamos ou perdemos (uma das poucas que dependem de nós, já que o cérebro toma decisões por conta própria) é a psicologia, os hábitos com os quais incorporamos a alimentação em nossas vidas. Brian Wansink, psicólogo e professor da Universidade Cornell (EUA), acaba de escrever um livro sobre o assunto, intitulado Slim by Design: Mindless Eating Solutions for Everday Life (que poderia ser traduzido como Magros de Fábrica), no qual defende que, adotando hábitos singelos e aparentemente supérfluos, como mascar chicletes ao fazer as compras, podemos chegar a perder cerca de um quilo por semana sem fazer dieta.

Quanto mais hábitos mudarmos, prossegue, mais peso perderemos. O método tem a vantagem de não precisar submeter nosso corpo a nenhum trauma alimentício, mas não promete milagres. Fundamenta-se em pequenas mudanças para combater o sobrepeso e a obesidade. "O que acontece com as pessoas que têm sobrepeso é que, frequentemente, sentem que sua situação não tem solução e estão a ponto de desistir. O que descobrimos é que fazer uma pequena mudança, como comer em um prato menor, leva a uma pequena perda de peso. Algo que logo leva a mais mudanças. E assim, em um ano, essa pessoa terá perdido cerca de 15 quilos sem dieta. Essa é a nossa meta", explicou. "A força de vontade é um trabalho sem fim 24 horas, sete dias por semana".

O professor e sua equipe catalogaram 62 tipos de comilões facilmente identificáveis que vão desde o emotivo que vive sozinho e compra comida para viagem pelo menos três vezes por semana, até aqueles viciados nos lanches à base de sanduíches ou produtos assados. Também estão na lista os homens de 45 a 60 anos e as mulheres de 25 a 35 anos que, a cada semana, fazem pelo menos oito refeições fora de casa, ou o pai que odeia cozinhar e recorre ao menos saudável para alimentar a família. Todos se beneficiariam desta série de truques:

1. Na cozinha só a fruteira (cheia de frutas) precisa ficar à vista. Uma fruteira cheia de maçãs, laranjas ou uvas não é só altamente decorativa. É também uma resposta muito fácil e muito saudável à tentação de beliscar entre as refeições. Melhor que o pão e as batatas fritas e imensamente melhor que cair em tentação. Wansink explica em seu livro que manter o pacote de batatas fritas ou similar à vista faz uma mulher engordar uns 3,5 quilos a mais por ano.

2. No restaurante, peça três coisas. O prato feito não é amigo nem dos paladares, nem dos estômagos. E no jantar, se a preocupação é o peso, o vinho também não ajuda. Wansink propõe uma fórmula que soluciona estes excessos: pedir três coisas do cardápio. "Um prato principal que você goste e dois acompanhamentos. Pode ser um aperitivo e uma taça de vinho, um pãozinho e uma sobremesa. Ou um prato e comer dois pãezinhos. Ou um prato e dois copos de vinho... O negócio é poder escolher entre os dois elementos e, assim, evitar a sensação de estar se privando de algo. Faça isso e comerá entre 21 e 23% de calorias a menos".

3. Como não comprar a comida que não quer acabar queimando na academia.Fazer as compras com fome é uma fórmula muito eficaz para passar a semana beliscando a junk food pela qual se pagou. Por isso o doutor recomenda encher a parte dianteira do carrinho de supermercado com frutas e verduras e faça as compras mascando um chiclete sem açúcar. Segundo ele, esta combinação de elementos faz com que compremos 7% menos de porcarias. E junk food é, na realidade, tudo aquilo que não apodrece nunca.

4. É proibido comer na mesa de trabalho. Come no escritório? Primeiro, insista com sua empresa para oferecer frutas grátis ou algo similar nas áreas de descanso. Alguém precisa começar a importar esse costume americano e deveria ser você. Segundo, pague suas refeições sempre em dinheiro. Comprará menos refrigerantes, doces e sobremesas. E se for a um bufê, experimente sentar de costas para a fila. E decida o que gostaria de comer antes de colocar no prato tudo o que vê.

5. Julgue a comida por seus pratos. Se o prato for da mesma cor que o alimento (por exemplo, um prato branco para comer arroz ), é provável que lhe sirvam 18% mais de comida. Além disso, é melhor utilizar pratos menores que o normal. Assim se come em menos quantidade.

Fonte: El País.

COM OU SEM GLÚTEN?

segunda-feira, 2 de maio de 2016 0 comentários
Quando o assunto é o glúten podemos esperar discussões acaloradas e diversas opiniões, muitas delas divergentes, sobre os seus possíveis malefícios para a saúde. Esse fato gera muitas dúvidas na população e até entre profissionais da saúde que não conseguem chegar a uma opinião concreta baseada em evidências científicas. 

Glúten está presente em diversos alimentos, como bolos, pizzas, cerveja, pães, etc. (Foto: Getty Images)

Mas afinal o que é o glúten? O glúten é uma proteína amorfa encontrada no trigo, no centeio e na cevada. O mais consumido deles é o trigo, e nele o glúten é formado, ao contrário do que se pensa, pelo processo de mistura e aquecimento das prolaminas (gliadina e a glutenina) com a água.

O glúten é considerado um dos maiores componentes alimentares que podem deflagrar um sintoma gastrointestinal. De fato, o estudo publicado em 2011 no "American Journal of Gastroenterology" diz que "mesmo em pacientes sem doença celíaca, a ingestão do glúten pode causar sintomas gastrointestinais como dor, distensão abdominal, alteração de consistência fecal e cansaço". 

Além dos sintomas gastrointestinais, parece haver uma relação do glúten com o sistema imune a nível global, o que pode explicar a ocorrência de sintomas extraintestinais relacionados com o glúten como: cefaléia, eczema ou rash cutâneo, fadiga crônica, depressão, anemia e dores articulares como mostra o estudo de Sapone e colaboradores publicado em 2012.

O glúten pode ser encontrado em alimentos como: farinha de trigo; cerveja; pães, torradas e pizzas; bolos e tortas; biscoitos, bolachas e cookies; doces e barra de cereais; cereais matinais; massas e macarrão instantâneo; molhos e temperos industrializados (tomate, molho de soja); salgadinhos e batata frita; maioria dos produtos com soja; alguns queijos, maionese e ketchup; carnes processadas e salsichas.

ALERGIA AO TRIGO, DOENÇA CELÍACA E SENSIBILIDADE AO GLÚTEN?
As alterações relacionadas com o glúten são classificadas de acordo com seu mecanismo imunológico: autoimune, alérgico e aquelas que não são autoimunes ou alérgicas. A doença celíaca (prevalência de 0,5% na população) e a alergia ao trigo (prevalência de 1% na população) são os melhores exemplos de desordens autoimunes e alérgicas relacionadas ao glúten, respectivamente. Assim, quando o glúten causa sintomas gastrointestinais na ausência de doença celíaca ou alergia ao trigo isso é considerado como sensibilidade ao glúten (GS).

Polêmico, glúten não deve ser excluído da
dieta sem orientação médica (Foto: Editoria Eu Atleta)
A GS é uma condição que não é de natureza alérgica ou autoimune e que pode ser diagnosticada quando um indivíduo possui um sintoma gastrointestinal ou extraintestinal relacionado com a ingesta do glúten que melhora com a sua exclusão e, também, quando a doença celíaca e a alergia ao trigo foram excluídas como mostra o estudo de Catassi e colaboradores de 2013. Mais especificamente, no caso da doença celíaca: testes sorológicos (anticorpo antitransglutaminase e antiendomísio) negativos e biopsia intestinal negativa. 

De fato, não é possível fazer um diagnóstico de sensibilidade ao glúten através de marcadores laboratoriais, por isso o diagnóstico é feito apenas por critérios clínicos. A GS é uma hipersensibilidade alimentar mediada pela relação entre antígenos derivados do glúten com uma reação imunológica global, ao contrário da doença celíaca onde o mecanismo é autoimune. 

Não se pode confundir, também, a GS com uma intolerância alimentar porque os mecanismos são diferentes. A intolerância alimentar, com ou sem sintomas gastrointestinais, é uma reação adversa não imunológica que ocorre quando um nutriente não é completamente digerido devido a falta de enzimas digestivas ou ao excesso desse nutriente no trato gastrointestinal como mostram os estudos de Boyce e Fasano. As intolerâncias alimentares mais comuns são a lactose do leite e a fermentados de mono, di e oligossacarídeos que apresentam sintomas diferentes da GS. 

O estudo duplo-cego e randomizado de Biesiekierski sugere que mesmo em indivíduos sem a doença celíaca a ingesta do glúten é capaz de deflagrar uma resposta do sistema imune inato ou de “resposta imediata“. Isso é visto através da elevação de marcadores imunológicos e reconhecedores de patógenos como os receptores do tipo Toll (toll-like receptors). Essa resposta imunológica é completamente diferente da observada na doença celíaca que é deflagrada pela resposta imune adaptativa ou de “resposta específica“. É importante notar que a resposta imune inata é a primeira linha de defesa do nosso corpo que depende de sinalizadores químicos ou citocinas e que não confere imunidade a longo prazo. Ao contrário disso, a resposta imune adaptativa observada na doença celíaca estimula a produção de anticorpos que conferem uma resposta imunológica para reações futuras o que explica a característica dessa doença.

O estudo de Catassi mostra que estamos vivendo uma epidemia de doença celíaca e de sensibilidade ao glúten. Entre 2004 e 2010 mais de cinco mil pacientes foram avaliados pelo Centro de Pesquisa para Celíacos na Universidade de Maryland nos EUA. Desses indivíduos, 6% foram classificados como portadores de GS. Em alguns desses indivíduos os sintomas foram semelhantes ao da doença celíaca, no entanto, com maior prevalência dos sintomas extraintestinais como: alterações do humor e do comportamento, dores ósseas e articulares, fadiga crônica e câimbra musculares.

PORQUE A EXPLICAÇÃO PODE ESTAR NA “INVOLUÇÃO" DO TRIGO?
É aparente que as reações ao glúten não são limitadas à doença celíaca e reconhecemos a existência de um largo espectro de desordens relacionados ao glúten. A alta frequência de diversos sintomas e reações adversas relacionadas com a sua ingesta levantam a questão sobre o glúten: por que essa proteína é tóxica para tantos indivíduos no mundo? Uma resposta pode estar na seleção genética pela qual o trigo passou nos últimos 10 mil anos, o que aumentou significativamente a quantidade de glúten no trigo ditado por razões financeiras e não por razões nutricionais. 
Trigo nos pães: estudo analisa a modificação
dele durante os anos (Foto: Getty Images)
O trigo é usado pela humanidade há milhares de anos desde a idade média onde se consumia o Triticum mococcum e o T. Dicoccum que continham menores quantidades do peptídeo 33-mer que é “extremamente tóxico para o ser humano“, como citado pelo estudo de Molberg. Esse mesmo estudo analisa a modificação do trigo durante os anos e mostra uma grande diferença desde o trigo Einkorn que era diplóide e possuía 14 cromossomas até o que consumimos hoje, que é o hexaplóide Triticum Aestivum com 42 cromossomas. De forma interessante o estudo ainda mostra diferentes respostas dos linfócitos T intestinais (células de defesa) aos diferentes espécimes do trigo. Assim, podemos analisar que o organismo humano ainda possui diferentes respostas imunológicas e parece ser altamente vulnerável aos efeitos do glúten.

Vale ressaltar que uma alimentação com a exclusão do glúten sem a indicação médica e sem a orientação do nutricionista pode trazer danos à saúde e gerar deficiências nutricionais graves. Além disso, cabe ao profissional da saúde orientar e educar o seu paciente para evitar dietas restritivas e “da moda", dando ênfase a programas de reeducação alimentar que possam trazer benefícios para a saúde a longo prazo. Essa revisão tem como objetivo possibilitar uma explicação dos fenômenos relacionados com o glúten e expandir nosso conhecimento sobre a sensibilidade ao Glúten. Ainda são necessários maiores estudos e ensaios clínicos randomizados para definir, a longo prazo, os malefícios do glúten em indivíduos não portadores de doença celíaca e alergia ao trigo.

Referencias Bibliográficas:
1 – Biesiekierski J et al. Gluten Causes Gastrointestinal Symptoms in Subjects Without Celiac Disease: A Double-Blind Randomized Placebo-Controlled Trial. The American Journal of Gastroenterology 106, 508-514 (2011)  doi:10.1038/ajg.2010.487
2 - Sapone A, Bai JC, Ciacci C, et al. Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclature and classification. BMC Med. 2012;10:13
3 - Catassi C, Bai JC, Bonaz B, et al. Non-Celiac Gluten sensitivity: the new frontier of gluten related disorders. Nutrients. 2013; 5(10):3839-3853.
4 - Boyce JA, Assa’ad A, Burks AW, et al. Guidelines for the Diagnosis and Management of Food Allergy in the United States: Summary of the NIAID-Sponsored Expert Panel Report. J Allergy Clin Immunol. 2010;126(6):1105-1118.
5 - Fasano A, Sapone A, Zevallos V, Schuppan D. Nonceliac glúten sensitivity. Gastroenterology. 2015;148(6):1195-1204.
6 - Sapone A, Lammers KM, Casolaro V, et al. Divergence of gut permeability and mucosal immune gene expression in two gluten-associated conditions: celiac disease and gluten sensitivity. BMC Med. 2011;9:23.
7 - Biesiekierski JR, Newnham ED, Irving PM, Barrett JS, Haines M, Doecke JD, Shepherd SJ, Muir JG, Gibson PR: Gluten causes gastrointestinal symptoms in subjects without celiac disease: a double-blind randomized placebo-controlled trial. Am J Gastroenterol. 2011, 106: 508-514. 10.1038.
8 - Molberg O, Uhlen AK, Jemsen T, Flaete NS, Fleckenstein B, Arentz-Hansen H, Raki M, Lundin KE, Sollid LM: Mapping of gluten T-cell epitopes in the bread wheat ancestors: implications for celiac disease. Gastroenterology. 2005, 128: 393-401. 10.1053/j.gastro.2004.11.003.
9 - Catassi C, Kryszak D, Bhatti B, Sturgeon C, Helzlsouer K, Clipp SL, Gelfond D, Puppa E, Sferruzza A, Fasano A: Natural history of celiac disease autoimmunity in a USA cohort followed since 1974. Ann Med. 2010, 42: 530-538. 10.3109/07853890.2010.514285.
10 - Di Sabatino A, Volta U, Salvatore C, et al. Small amounts of gluten in subjects with suspected nonceliac gluten sensitivity: a randomized, double-blind, placebo-controlled, cross-over Trial. Clin Gastroenterol Hepatol. doi:10.1016 /j.cgh.2015.01.029.
Fonte: Eu Atleta.

ALIMENTAÇÃO PARA ATLETAS X PESSOAS FISICAMENTE ATIVAS.

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Dieta para atletas x dieta para pessoas fisicamente ativas

1) Como deve ser a interação entre a Dieta e Exercício?
É bem estabelecida nos dias atuais a importância da prática regular de exercícios físicos, tanto no contexto de saúde, como no contexto estético. Neste universo, o padrão nutricional também tem papel considerável nestas variáveis: saúde e estética.

O que pouco se discute, diz respeito à interação entre esses dois fatores: dieta e exercício. Sabe-se que o exercício tem papel fundamental no controle do balanço calórico das 24 horas e que dietas restritivas geralmente apresentam repercussões favoráveis no controle ponderal quando associadas a programas de exercícios físicos. Porém, não é prudente iniciar a prática de exercícios físicos em jejum ou seguindo dietas restritivas que não levam em consideração o fator exercício físico.

Se por um lado temos uma população cada vez mais acometida por doenças decorrentes de um padrão de vida inadequado associado a um padrão nutricional de baixa qualidade e hábitos sedentários, o que acarreta em condutas, muitas vezes, restritivas, no que diz respeito à ingestão de calorias, sejam estas provenientes de carboidratos ou gorduras, por outro lado, temos indivíduos fisicamente ativos, que acabam baseando-se nessas orientações restritivas para fazer suas escolhas dietéticas, o que pode acarretar em efeitos deletérios à saude.

Ou seja: o padrão nutricional adequado para portadores de algumas patologias não é o padrão nutricional adequado para indivíduos fisicamente ativos. Existe hoje, não só no Brasil, como na maioria dos países do mundo, uma confusão entre suplemento nutricional para atletas ou pessoas fisicamente ativas e suplementação do atleta ou do indivíduo ativo.

2) Como deve ser a alimentação do Atleta?
O atleta necessita de um estoque de glicogênio - forma que o organismo armazena glicose no músculo ou fígado - para gerar energia em competições que são caracterizadas por alta intensidade ou grandes durações. Na maioria dos casos, a depleção dos estoques de glicogênio do atleta culmina com a diminuição da performance. Sabemos que após a depleção dos estoques de glicogênio, a perpetuação do exercício físico se dá tendo como substrato energético os aminoácidos, muitas vezes, provenientes da musculatura esquelética.

3) Como deve ser a alimentação do Indivíduo fisicamente ativo?
Para o indivíduo que é fisicamente ativo, sugestões de ingestão de frutas ou barras de cereais são prudentes. Para o atleta, existem alguns atritos na literatura científica, apesar dos quais, a sugestão de ingestão de carboidratos complexos nas grandes refeições (arroz, batata, massas em geral), principalmente no almoço, para otimizar a reposição dos estoques de glicogênio, constantemente depletados nos treinos, torna-se prudente.

Se os exercícios têm duração superior a 90 minutos, sugere-se a reposição hídrica (água, água de coco, isotônicos) a cada 15 minutos, a partir dos primeiros 45-60 minutos, com volume aproximado de 150mL. Nesses exercícios, a ingestão de carboidratos de média complexidade (maltodextrina) é uma boa estratégia para não depletar o estoque de glicogênio.

Já no período pós-treino, a ingestão de carboidratos de rápida absorção (simples: glicose, frutose e galactose) otimiza a reposição do estoque de glicogênio, muitas vezes, depletado. Ou seja, a alimentação pré-treino e pós-treino apresenta repercussões consideráveis na perpetuação da musculatura esquelética, que é o tecido metabolicamente ativo, trazendo realmente mais benefícios à saúde.