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AS DOENÇAS QUE PODEM CAUSAR MÁS-FORMAÇÕES EM FETOS.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 0 comentários
Microcefalia pode ser provocada por outras doenças infecciosa
Não é só o vírus zika que pode trazer complicações para o bebê se a mãe for infectada durante a gravidez. Outras doenças podem provocar problemas na formação do feto, sobretudo se adquiridas pela mulher nos três primeiros meses de gestação.

Rubéola, toxoplasmose, sífilis e infecções causadas pelo citomegalovírus são as principais causas conhecidas de más-formações fetais – entre elas a microcefalia, quando o bebê nasce com o diâmetro da cabeça igual ou inferior a 32 centímetros.

A rigor, no entanto, muitas infecções consideradas banais, como a gripe, podem, ainda que raramente, acarretar problemas para o embrião. Sem falar em outras condições, como o uso de drogas e o consumo excessivo de álcool, ou mesmo a exposição à radiação. E há também as causas genéticas: alterações no cromossomo que podem provocar danos cerebrais.

"A microcefalia pode ocorrer sempre que houver uma lesão cerebral significativa na fase de crescimento acelerado do cérebro, não é um problema específico de uma doença ou condição", explica o chefe da neuropediatria da Unifesp, Luiz Celso Vilanova. "Essa fase de crescimento é crucial nos primeiros três meses de gestação, mas se estende ainda por meses após o parto."

Até a constatação da relação entre o zika e o nascimento de bebês com microcefalia, o grande temor das grávidas sempre foi a rubéola. A infecção durante a gravidez pode causar diferentes tipos de má-formação fetal. Problemas de audição, de visão, doenças ósseas, alterações cardíacas e microcefalia são algumas das complicações decorrentes da infecção na gestante.

Mas a vacina existe e já está, inclusive, disponível no calendário regular de vacinação, o que vem fazendo diminuir muito a ocorrência da doença. O problema tende a se tornar cada vez mais raro, como aconteceu com o sarampo.

"Houve uma época em que havia enfermarias só para casos de sarampo", lembra o pediatra e infectologista Paulo Cesar Guimarães, diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis. "Hoje, isso não existe mais."

O sarampo também era uma das doenças que causava problemas aos fetos, mas, agora, com a vacinação em massa da população, deixou de ser uma ameaça. Eventualmente, com a interrupção da vacinação por algum motivo, o risco pode retornar – daí a importância de se seguir à risca o calendário de vacinas, alertam os especialistas.

Uma infecção para a qual não há vacina e com a qual as grávidas devem tomar cuidados é a toxoplasmose. A doença é causada por um protozoário que pode estar presente nas fezes de felinos e também em carnes malpassadas. Em geral se trata de uma febre branda.

"Normalmente é uma doença simples, que passa despercebida", explica o obstetra e ginecologista Alex Sandro Rolland de Souza, especialista em medicina fetal do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), um dos centros de referência para microcefalia de Recife. "Na gravidez, no entanto, pode causar más-formações cerebrais no feto, entre elas a microcefalia."

Existe tratamento para a toxoplasmose e, se a doença for diagnosticada rapidamente, o risco de acarretar problemas para o feto diminui muito.

Outras infecções que podem causar problemas são aquelas causadas por citomegalovírus. Embora a infecção em si não seja grave, em geral apenas uma febre branda, as consequências para o feto podem ser sérias, sobretudo porque não há tratamento para a doença. No feto em formação essas infecções podem causar alterações no sangue, problemas de audição, microcefalia.

A sífilis é um outro problema para o qual as grávidas devem estar alertas. A doença, causada por uma bactéria, é sexualmente transmissível. Antigamente, quando não havia penicilina, representava um grande problema de saúde. Hoje, continua sendo considerada uma doença grave, porém tratável. No entanto, se acometer grávidas, pode trazer complicações de formação fetal, sobretudo anomalias ósseas.

De acordo com os médicos, cada uma dessas doenças ou condições que podem acometer as grávidas promovem alterações de formação relativamente similares.

Mas há particularidades dependendo de cada caso. Por exemplo, a rubéola é a única a provocar complicações cardíacas, enquanto que no caso da toxoplasmose, as complicações costumam ser mais oculares. A má-formação do crânio pode ocorrer em decorrência de todas elas, também com algumas peculiaridades.

"As infecções pelo citomegalovírus costumam provocar os danos mais extensos, mas isso pode variar muito", afirma Vilanova. "E sempre há casos de apresentações não usuais."

Para o chefe da neuropediatria da Unifesp, ainda é cedo para falar de características específicas dos casos de microcefalia relacionados ao vírus zika.

"Temos ainda poucos casos comprovados cientificamente da relação entre o zika e a microcefalia para tirarmos um padrão conclusivo", diz ele. "Por enquanto, há muitos casos inferidos (em que a mãe relata ter tido um problema cujos sintomas são similares aos do zika, mas sem comprovação por teste). Estamos na fase inicial do problema e querer tirar conclusões definitivas é muito precoce."

Um fator que conta muito para a extensão da lesão, no entanto, é o momento em que a gestante contrai a doença. Os especialistas concordam que o período mais crítico da gestação é o primeiro trimestre. Os primeiros três meses da gravidez equivalem ao período em que os principais órgãos e sistemas do embrião estão se formando e qualquer agente externo pode ter um impacto grave neste processo.

"De maneira geral, podemos dizer que quanto mais precoce (na gravidez) for a ocorrência da doença, mais graves são as repercussões que podem ser causadas no feto", explicou Rolland de Souza.

Em estágios mais avançados da gravidez – e, sobretudo, no final –, a repercussão tende a ser muito branda ou mesmo nula.

A prevenção desses problemas, obviamente, varia. A mulher deve sempre estar vacinada para as doenças cujos imunizantes estão disponíveis. Deve se prevenir de picadas de mosquitos, usando repelente ou andando mais coberta. Deve evitar a ingestão de carne malpassada e o contato com fezes de gato, no caso da toxoplasmose. E deve evitar locais fechados com muita aglomeração de pessoas – ambiente propício para o citomegalovírus e outros vírus mais comuns.

"Mas, claro, sempre existe um risco", diz Luiz Celso Vilanova.

Rolland de Souza lembra ainda que embora a dengue e a chikungunya sejam também febres causadas por um arbovírus, como a zika, nunca se estabeleceu nenhuma relação entre a infecção por essas doenças e o nascimento de bebês com problemas de formação.

"E a dengue, como é uma doença mais grave, que pode levar à morte, é muito mais estudada, há muito mais tempo, e em várias partes do mundo", acrescenta Paulo Cesar Guimarães. "E nunca nada neste sentido foi constatado."

Rolland de Souza lembra, no entanto, que entre as gestantes que contraíram dengue ou chikungunya se nota uma taxa maior de partos prematuros. E, portanto, as gestantes devem estar atentas ao problema.

Fonte: BBC.

5 AGENTES INFECCIOSOS PERIGOSOS NA GESTAÇÃO.

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Além do vírus zika, outros patógenos podem causar danos ao feto se contraídos durante a gestação. Reunimos a seguir cinco doenças, ligadas a fatores como consumo de carne crua e leite não pasteurizado.

Rubéola
Esta infecção viral tem como sintomas erupções cutâneas, aumento dos gânglios linfáticos, febre baixa e cansaço. Após em média 14 dias, a doença chega ao fim, e a pessoa recuperada desenvolve imunidade vitalícia a ela.

O vírus costuma ser transmitido pelo ar, através da aspiração de gotículas de saliva ou secreção nasal. Uma mulher grávida com rubéola pode transmitir o vírus para o feto, possivelmente causando problemas cardíacos, cegueira e/ou surdez.

O período da gestação faz diferença: durante o primeiro mês de gravidez, há de 50% a 60% de chance de malformações congênitas. A partir do segundo mês, o risco diminui progressivamente.

Se uma gestante é infectada após o quarto mês de gravidez, há 20% de chance de o feto contrair a doença. Aproximadamente 3,5% dos bebês apresentam, então, malformações genéticas.

Os médicos recomendam que todo mundo se vacine contra a rubéola. E mulheres com planos de engravidar devem ser vacinadas, no mais tardar, três meses antes da gravidez.

Sarampo
O sarampo também é causado por um vírus. A doença começa com sintomas semelhantes aos da gripe, e, alguns dias depois, surgem erupções cutâneas.

Mulheres que pretendem ter filhos e não tiveram a doença deveriam ser vacinadas até, no mais tardar, três meses antes da gravidez. A infecção poder trazer complicações para a gestante. Por volta de 25% dos bebês de mães que tiveram sarampo durante a gestação nascem prematuros, e o risco de a criança nascer morta aumenta.

Se a doença for detectada num estágio inicial, imunoglobina – a parte do plasma sanguíneo que contém anticorpos – pode ser administrada. Isso pode barrar o avanço da doença ou pelo menos reduzir seus efeitos.

Toxoplasmose
A toxoplasmose é causada pelo parasita Toxoplasma gondii e é uma zoonose, ou seja, é transmitida de animais vertebrados para seres humanos. Uma infecção por Toxoplasma pode ser causada pelo consumo de carne crua, defumada ou mal passada ou pelo contato com fezes de gatos contendo o parasita.

Muitos pacientes não sabem que contraíram a doença. Ocasionalmente, podem aparecer sintomas como febre, dores de cabeça ou inchaço dos gânglios linfáticos. Normalmente, quem é infectado desenvolve imunidade contra a doença.

No entanto, se uma mulher contrai a toxoplasmose pela primeira vez durante a gravidez, o estágio da gestação costuma determinar quão grandes são os riscos para o feto. Dos bebês infectados, 10% apresentam efeitos da doença ao nascer, como inflamação do cérebro ou do fígado e hidrocefalia. O risco de infectar o feto pode ser reduzido pela metade com a ajuda de medicamentos.

Herpes
Há dois tipos do Herpes simplex vírus: o do tipo 1 (HSV-1) e o do tipo 2 (HSV-2). O primeiro causa feridas no rosto. Muitas pessoas conhecem as desagradáveis úlceras na boca ou ao redor dela, especialmente por elas serem difíceis de esconder. Já o do tipo 2 está associado ao herpes genital. Quem é infectado pelo vírus passa a portá-lo pelo resto da vida. Quando o sistema imunológico da pessoa fica enfraquecido, as feridas aparecem.

Uma mulher que foi infectada pelo vírus do tipo 2 antes da gravidez não tem o que temer, pois o feto desenvolve anticorpos suficientes contra o agente infeccioso. No entanto, quando uma gestante é infectada pouco antes do nascimento do filho, há o risco de que a pele e os olhos do bebê sejam infectados durante o parto. No pior dos casos, pode ocorrer um sepse – infecção generalizada – neonatal, que pode levar à morte da criança. Para evitar isso, a gestante pode optar por fazer uma cesariana.

Listeriose
A bactéria Listeria monocytogenes causa a listeriose – doença que existe no mundo todo, mas é rara. A bactéria é transmitida através do consumo de laticínios não pasteurizados e de carne ou peixe crus. Muitas pessoas não sabem quando estão infectadas, pois os sintomas são os mesmo de uma gripe moderada. No pior dos casos, a listeriose pode levar à sepse ou meningite.

Grávidas deveriam ter especial cuidado com a doença, pois a listeriose pode provocar aborto ou nascimento prematuro. Recém-nascidos podem sofrer de listeriose precoce, que se instala imediatamente após o nascimento e pode causar doenças de órgãos internos e de pele, além de problemas respiratórios e espasmos. A listeriose tardia, por sua vez, pode causar meningite ou sepse de uma a duas semanas após o nascimento.

Fonte: DW.