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AMAMENTAÇÃO DIMINUI O RISCO DE CÂNCER DE MAMA DA MÃE.

terça-feira, 2 de outubro de 2018 0 comentários
A amamentação ajuda a proteger as mães contra o câncer de mama, revela um novo relatório.

Dos 18 estudos analisados pelo Instituto Americano de Pesquisa do Câncer (sigla em inglês, AICR), 13 descobriram que o risco de câncer de mama caiu 2 por cento a cada cinco meses de amamentação.

O relatório, que atualiza a ciência sobre o câncer de mama, também descobriu que os bebês amamentados são menos propensos ao excesso de peso à medida que crescem, o que poderia reduzir seu risco de câncer mais tarde na vida. Em adultos, o excesso de peso ou obesidade aumenta o risco de 11 cânceres comuns.

"Nem sempre é possível que as mães amamentem, mas para as que podem, é importante saber que a amamentação pode oferecer proteção contra o câncer tanto para ela quanto para a criança", disse Alice Bender, diretora de programas de nutrição do instituto.

A amamentação protege de várias maneiras. Pode atrasar o retorno dos períodos menstruais, reduzindo a exposição a hormônios como o estrogênio, que de certa maneira podem estar ligados ao risco de câncer de mama. Além disso, a descamação de tecido mamário após a lactação pode ajudar a se livrar de células com danos no DNA.

O relatório acrescentou que manter um peso saudável, evitar o álcool e ser fisicamente ativa também reduz o risco de câncer de mama.

"Com os muitos benefícios da amamentação, é importante que as novas mães recebam suporte para amamentar com sucesso por mais tempo", disse Bender em um comunicado de imprensa do instituto. "Também é fundamental saber que existem medidas que todas as mulheres podem tomar para reduzir o risco do câncer de mama."

Além de fornecer aos bebês nutrientes importantes, a amamentação também fortalece seu sistema imunológico e ajuda a protegê-los de doenças. O AICR recomenda a amamentação com exclusividade por até seis meses e só depois a adição de outros líquidos e alimentos à dieta do bebê.

Outras organizações de saúde, incluindo a Organização Mundial de Saúde, fazem recomendações semelhantes.

Traduzido por Essential Nutrition

Fonte: Healthday.

ÔMEGA 3 E SEUS BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE INTESTINAL.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018 0 comentários
Em um estudo publicado em Scientific Reports, cientistas e especialistas da Faculdade de Medicina de Nottingham examinaram o microbioma intestinal de um grande grupo de mulheres de meia idade e idosas para testar a diversidade e a abundância de bactérias "boas" com a ingestão de ácidos graxos ômega-3 encontrados no óleo de peixe. A pesquisa descobriu que as mulheres que apresentaram maior ingestão de ômega-3 e níveis séricos mais elevados do nutriente tinham um microbioma intestinal mais diversificado.

Um microbioma diversificado está associado a vários benefícios para a saúde, incluindo menor risco de diabetes, obesidade e doenças intestinais inflamatórias, como colite ou Crohn's. Segundo a Dra. Ana Valdes, diretora do estudo, o intestino humano está recebendo muita atenção na pesquisa médica, pois está cada vez mais ligado a uma ampla variedade de problemas de saúde.

"Nossos sistemas digestivos são o lar de trilhões de micróbios (bactérias), em sua maioria benéficos na medida em que desempenham um papel vital na nossa digestão, sistema imunológico e até mesmo na regulação do peso. Nosso estudo é o maior até a data que examinou a relação entre os ácidos graxos ômega-3 e a composição do microbioma intestinal”, detalhou a pesquisadora.

De acordo com a especialista, os resultados das 876 mulheres voluntárias já haviam sido usados para investigar a contribuição genética para o microbioma intestinal em relação ao ganho de peso e à doença. "Examinamos a ingestão alimentar de ácidos graxos ômega-3 usando questionários de frequência alimentar e descobrimos que esses dados, juntamente com os níveis séricos de ômega-3, foram fortemente associados à diversidade e ao número de espécies de bactérias saudáveis no intestino”, explicou.

Outros benefícios do ômega-3
A Dra. Cristina Menni, do King's College de Londres, acrescentou: "também descobrimos que bactérias específicas associadas à inflamação mais baixa e menor risco de obesidade se apresentam em maior número em pessoas com maior ingestão de ácidos graxos ômega-3".

"Exploramos ainda mais como isso se relacionou com compostos em fezes e descobrimos que, além da proteína de peixe e ômega-3, níveis elevados de ômega-3 no sangue estão correlacionados com altos níveis de um composto chamado N-carbamilglutamato (NCG) no intestino. Esse composto foi mostrado em animais para reduzir o estresse oxidativo no intestino. Acreditamos que alguns dos bons efeitos do ômega-3 no intestino podem ser devido ao fato de que ele induz bactérias a produzir esta substância”, apontou.

Anteriormente, pesquisas mais amplas observaram efeitos positivos do ômega-3 sobre a resistência à insulina em diabetes, hipertensão arterial (pressão sanguínea elevada), artrite, trombose (coágulos sanguíneos), alguns cânceres e declínio cognitivo. O novo estudo aumenta o peso do crescente corpo global de evidências que sugerem que o ômega-3 parece melhorar o microbioma intestinal em sua diversidade e composição.

Traduzido e adaptado por Essential Nutrition:


OLEAGINOSAS PODEM REDUZIR OS RISCOS DE CÂNCER DE CÓLON.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018 0 comentários
Pesquisas mostram que o consumo de oleaginosas reduz o risco de recorrência do câncer de cólon e aumentam a expectativa de vida, mas os cientistas ainda estão examinando por qual razão – afinal, até agora ainda não há uma explicação definitiva para essa associação.

Um estudo mais recente encontrou uma redução significativa na recorrência e morte entre os pacientes com câncer de cólon no estágio III que regularmente ingerem pelo menos duas porções de 28 gramas de oleaginosas por semana, em comparação com os pacientes que não o fazem. Os consumidores de oleaginosas apresentaram uma melhora de 42% na sobrevida livre de doenças e uma melhora de 57% na sobrevida global.

Curiosamente, a associação foi estatisticamente significativa com o consumo de oleaginosas – nozes, castanha-de-caju, amêndoas, pistaches, avelãs, noz-pecã, macadâmia e castanha-do-pará – mas não de amendoim ou manteiga de amendoim*. Os resultados foram limitados a pacientes que já estavam com câncer de cólon e foram tratados por isso com ressecção cirúrgica e quimioterapia.

"Precisamos saber se as oleaginosas impedem o desenvolvimento do câncer em primeiro lugar", afirma Temidayo Fadelu, MD, especialista em oncologia do Instituto Dana-Farber e principal autor do estudo. Fadelu e outros especialistas enfatizam que a ingestão de oleaginosas não deve ser considerada um substituto para a quimioterapia ou outros tratamentos para o câncer de cólon, nem deve ser algo feito isoladamente: e sim, deve fazer parte de uma dieta saudável.

"A mensagem do estudo é que há maneiras complementares que as pessoas podem fazer para melhorar suas chances no caso de diagnóstico de câncer de cólon, como aumento da atividade física, menor ingestão de açúcar e bebidas açucaradas e a manutenção de um peso saudável", reforça o pesquisador.

Oleaginosas e seus benefícios na luta contra o câncer
Uma hipótese para a associação entre o consumo de oleaginosas e os melhores resultados no tratamento do câncer está centrada na via de resistência à insulina. Em indivíduos com obesidade ou diabetes tipo 2, as células não respondem normalmente ao hormônio insulina, que ajuda as células a usar a glicose como energia. Como resultado, o corpo produz mais insulina, atingindo níveis mais altos na corrente sanguínea.

Estudos epidemiológicos descobriram uma ligação entre diabetes, resistência à insulina e câncer. “A ingestão de oleaginosas está associada à menor resistência à insulina”, aponta Fadelu.

Além disso, o consumo de oleaginosas está associado a quantidades menores de biomarcadores relacionados à inflamação no corpo, e a inflamação tem sido implicada na causa do câncer. E as oleaginosas também podem alterar positivamente as comunidades bacterianas no sistema digestivo, observa o especialista – enquanto enfatizamos que, neste momento, os pesquisadores ainda estão formulando hipóteses.

*N. da T.: O amendoim não é classificado como uma oleaginosa, Mas, muitas vezes, é incluído em achados benéficos para a saúde

Fonte: Traduzido e adaptado por Essentia Pharma:

DISBIOSE INTESTINAL E DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS.

terça-feira, 3 de abril de 2018 0 comentários
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como obesidade, diabetes melito (DM) e dislipidemia, representam um crescente problema de saúde pública em âmbito global, em decorrência da alta prevalência, morbidades associadas e mortalidade precoce. A Organização Mundial da Saúde estima que ocorram 36 milhões de mortes anuais por esse grupo de doenças.

Estudos apontam que uma alimentação desequilibrada é fator de risco para DCNT porque a alimentação influencia diretamente a composição da microbiota intestinal, em que a menor ingestão de prebióticos e probióticos leva ao desenvolvimento da disbiose intestinal, predispondo a DCNT. A disbiose intestinal é caracterizada por alteração na microbiota intestinal, em que há predomínio das bactérias patogênicas sobre as benéficas. Entre as causas da disbiose, destacam-se o estresse psicológico e fisiológico, idade e alimentação.

Esse desequilíbrio decorrente da disbiose leva à alteração na mucosa intestinal, que, por sua vez, reflete em aumento da permeabilidade intestinal e diminuição da seletividade na absorção de toxinas, bactérias, proteínas ou peptídeos, contribuindo para inflamação local e sistêmica. E, frente a isso, os probióticos, prebióticos e a combinação de ambos, os simbióticos, vêm ganhando notoriedade no campo científico, por prevenirem as disbioses intestinais e apresentarem ações eficazes na prevenção e tratamento das DCNT.

Prebióticos são oligossacarídeos não digeríveis, tais como fruto-oligossacarídeos, lactulose e inulina, que têm o potencial para estimular o crescimento de bactérias intestinais benéficas e seletivas, principalmente lactobacilos e bifidobactérias. Já os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde. E os simbióticos são alimentos contendo simultaneamente probióticos e prebióticos, resultando em produtos com as características funcionais dos dois grupos.

Em 2012, Nagpal et al. realizou pesquisa de revisão e encontrou dados que demonstraram efeitos sinérgicos positivos de prebióticos e probióticos sobre a obesidade e DM tipo 2, isso porque, essas DCNT são caracterizadas por microbiota intestinal alterada, inflamação e perturbação da barreira intestinal.

Em estudo duplo-cego, randomizado realizado por Andreasen et al (2010) com quarenta e cinco homens com DM tipo 2, após receberem suplementação de L. acidophilus durante 4 semanas, observou-se diminuição na resistência à insulina e a marcadores inflamatórios, importantes ações para o tratamento da doença. Mais recentemente outras pesquisas mostraram que o consumo de cerpas específicas de lactobacilos e bifidobactérias melhoraram a progressão da obesidade e da diabetes, sugerindo que a modulação probiótica, mediada pela flora intestinal, pode ser fator preventivo e coadjuvante no tratamento.

Já o consumo de prebióticos, além dos seus efeitos sobre a diminuição da absorção de colesterol, contribui para o equilíbrio da flora intestinal e controle da glicemia.

Exemplos de produtos fontes de prebióticos e probióticos são o SlimFibras e o Disbiotrat, respectivamente. O SlimFibras possui formulação exclusiva com uma combinação de fibra solúvel (goma guar) com fibras prebióticas (inulina e polidextrose) – o que confere maior eficácia de seus benefícios. Já o Disbiotrat contém um mix de 5 probióticos, que inclui o L. acidophilus, L. casei, Lc. Lactis, B. bifidum e o B. lactis.

Portanto, levando em consideração os aspectos mencionados, faz-se necessário o consumo de prebióticos e probióticos de forma preventiva às DCNT. Todavia, para potencial efeitos benéficos desses, o consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e a hábitos de vida saudáveis.

REFERÊNCIAS
ANDREASEN, A. S. et al. Effects of Lactobacillus acidophilus NCFM on insulin sensitivity and the systemic inflammatory response in human subjects. Br J Nutr., Cambridge, v. 104, n. 12, p. 1831-1838, 2010.

ARAÚJO, E. M. Q. Disbiose intestinal. In: PUJOL, A. P. P. Nutrição aplicada à estética. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. Cap. 11. p. 139-153.

MORAES, A. C. F. et al. Microbiota intestinal e risco cardiometabólico: mecanismos e modulação dietética. Arq Bras Endocrinol Metab., São Paulo, v. 58, n. 4, p. 317-327, 2014.

NAGPAL, R. et al. Probiotics, their health benefits and applications for developing healthier foods: a review. FEMS Microbiol Lett., Amsterdam, v. 334, n. 1, p. 1-15, 2012.

NAGPAL, R. et al. Probiotics, their health benefits and applications for developing healthier foods: a review. FEMS Microbiol Lett., Amsterdam, v. 334, n. 1, p. 1-15, 2012.

PATEL, R.; DUPONT, H. L. New approaches for bacteriotherapy: prebiotics, new-generation probiotics, and synbiotics. Clin Infect Dis., Chicago, v. 60, suppl. 2, p. 108-121, 2015.

RAIZEL, R. et al. Efeitos do consumo de probióticos, prebióticos e simbióticos para o organismo humano. Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 66-74, 2011.

DIETA QUE UNE AÇÚCAR E GORDURA CAUSA MAIS DANOS AO ORGANISMO.

sexta-feira, 2 de março de 2018 0 comentários
Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP mostrou que camundongos submetidos a uma dieta muito rica, ao mesmo tempo, em gordura e em açúcar tiveram um aumento da inflamação celular e da resistência à insulina induzidas por essas dietas separadamente. Os dados estão no artigo Combination of a high-fat diet with sweetened condensed milk exacerbates inflammation and insulin resistance induced by each separately in mice publicado em junho na Revista Scientific Report, do grupo Nature.

A pesquisa foi realizada pela professora de educação física Laureane Nunes Masi, durante seu doutorado, sob a orientação do professor Rui Curi, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB.

Os estudos foram realizados com cerca de 50 camundongos, com 12 semanas de idade, separados em quatro grupos e recebendo quatro dietas distintas, durante oito semanas. O grupo controle recebeu alimentação balanceada. Já os outros três receberam dietas que causam obesidade (obesogênicas): o segundo grupo foi alimentado com a dieta controle mais leite condensado (oferecido à vontade, mas em um recipiente à parte); o terceiro grupo recebeu dieta rica em gordura (chamada de hiperlipídica: 59% de calorias em gordura); e o quarto grupo foi uma combinação das duas dietas anteriores (hiperlipídica mais leite condensado).

A dieta que associou açúcar e gordura foi a mais prejudicial entre elas, pois intensificou todos esses malefícios causados ao organismo pelas outras dietas.

Ao final das oito semanas, a pesquisadora constatou que as três dietas que causam obesidade levaram ao aumento de peso dos animais, mas cada uma causou algum tipo diferente de prejuízo ao organismo. Os resultados indicaram que essas dietas levaram à intolerância à glicose, e ao aumento do depósito de gordura visceral, do tamanho das células de gordura, do peso do fígado e do nível de colesterol total, quando comparadas à dieta controle.

A dieta que associou açúcar e gordura foi a mais prejudicial entre elas, pois intensificou todos esses malefícios causados ao organismo pelas outras dietas. Em média, o peso inicial dos camundongo com 12 semanas é de 26 gramas.


Ao final do experimento, o peso médio dos animais do grupo ‘açúcar mais gordura’ era de 42,5 gramas, mais que o dobro.

De acordo com a pesquisadora, o trabalho pode ajudar a comunidade científica que estuda a obesidade induzida por dietas ricas em açúcar e/ou em gordura.

“Observa-se que pessoas obesas apresentam sintomas e desordens diferentes umas das outras. Com esta pesquisa, mostramos que os hábitos alimentares e a ingestão crônica de um ou outro macronutriente é determinante nos malefícios decorrentes da obesidade”, aponta Laureane.
Açúcar

A pesquisadora avaliou alguns tecidos dos animais, como fígado, o músculo esquelético sóleo (na perna), além do tecido adiposo (gordura) e dos macrófagos (células de defesa) da cavidade gastrointestinal. Nos macrófagos, ela observou o aumento de uma substância chamada interleucina 6, que indica inflamação.Animais alimentados com a dieta rica em açúcar, quando comparados aos animais que receberam dieta rica em gordura, apresentaram mais marcadores pró-inflamatórios – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Os animais alimentados com a dieta rica em açúcar, quando comparados aos animais que receberam dieta rica em gordura, apresentaram mais marcadores pró-inflamatórios nos tecidos analisados. “A inflamação, ou processo inflamatório, é uma reação do organismo a uma infecção ou lesão e faz parte do sistema imunológico do corpo. Isso ocorre internamente, nas células e tecidos, sem a gente ver, também em decorrência da ingestão crônica de uma dieta obesogênica”, explica a pesquisadora. “Enquanto na inflamação aguda, frente a uma lesão, por exemplo, observamos os sinais de calor, vermelhidão, inchaço e dor, na inflamação crônica decorrente da obesidade podemos observar aumento de algumas proteínas no sangue e nos tecidos do nosso corpo.”

No fígado, Laureane observou a ocorrência de fibrogênese (excesso de fibras), que corresponde a uma cicatrização do fígado frente a uma lesão. A fibrogênese é uma reação final da esteato-hepatite não alcoólica, doença caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. No final da doença, o excesso de gordura se transforma em excesso de fibras, que posteriormente evolui para uma cirrose. “Foi interessante observar que os animais alimentados com dieta rica em açúcar não apresentaram acúmulo de gordura no fígado, mas parecem ter passado direto dessa fase da doença para a fibrose hepática”, diz a pesquisadora. Também foi verificado o aumento do TNF-α (fator de necrose tumoral), uma substância indicadora de inflamação.
Gordura

Já a dieta rica em gordura levou ao aumento da taxa de açúcar no sangue (aumento da glicemia) e foi mais prejudicial para a sensibilidade periférica à insulina. “Os animais foram testados com uma sobrecarga de glicose. Ao longo do tempo, foi constatado que a glicemia não diminuiu como no grupo que recebeu dieta balanceada. Isso indica que a glicose não está sendo bem absorvida, existe uma intolerância à glicose”, esclarece Laureane.Dieta rica em gordura levou ao aumento da taxa de açúcar no sangue (aumento da glicemia) e foi mais prejudicial para a sensibilidade periférica à insulina – Foto: Agência Sinc /URV / CC3.0

Também foi constatado que essa dieta causou o acúmulo de gordura no fígado. A longo prazo, essa condição leva à inflamação e à formação de fibrose, como observado nesse mesmo estudo com a ingestão de dieta rica em açúcar.
Fonte: Usp.

A CAUSA DA "ALERGIA AO LEITE MATERNO" É A INGESTÃO DO LEITE DE VACA PELA MÃE.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018 0 comentários
Um estudo feito por pesquisadores brasileiros e publicado há alguns anos na revista BMC Pediatrics mostra que a alergia ao leite de vaca não é uma condição rara na população infantil. De 9.458 crianças avaliadas em todo o país, 5,4% apresentaram alergia à proteína do leite de vaca. O que pouca gente sabe é que as crianças alérgicas podem começar a ter problemas já no período de amamentação, quando ainda não ingerem diretamente o leite de vaca.

“O bebê não é alérgico ao leite da mãe e sim às proteínas alergênicas do leite de vaca que a mãe ingere, e que passam para o leite materno. Mas este alimento só será alergênico para crianças atópicas, ou seja, aquelas que têm predisposição genética a alergias, já que filhos de pais e mães alérgicos têm mais chances de desenvolver a condição”, explica a doutora em nutrição Maria Carolina von Atzingen, da Faculdade de Saúde Pública da USP. 

Por isso, segundo ela, não há restrição em relação à ingestão de leite de vaca por mulheres que amamentam.

“Agora, caso essa condição seja diagnosticada no bebê, inicialmente, a mãe é orientada a excluir leite e derivados da própria dieta e continuar a amamentar. Muitas vezes, essa conduta não traz resultados favoráveis. Para esses casos, existem fórmulas industrializadas específicas com baixo potencial alergênico ou totalmente hipoalergênicas que podem ser empregadas na alimentação do bebê”, esclarece Maria Carolina. 

Como opções, ela cita fórmulas à base de soja, fórmulas à base de leite de vaca extensamente hidrolisadas, ou ainda aquelas à base de aminoácidos (totalmente hipoalergênicas). “O direcionamento em relação à fórmula mais indicada está relacionado ao tipo de processo alérgico e à idade do bebê. Crianças menores de 6 meses, por exemplo, não devem receber fórmulas à base de soja.” Ela ressalta que é importante garantir um aporte energético e nutricional adequado ao bebê para que a criança se desenvolva apropriadamente. “É necessário um acompanhamento com um especialista para o direcionamento em relação à melhor fórmula a ser utilizada.”

Diagnóstico – Maria Carolina afirma que o diagnóstico desse tipo de alergia pode ser feito por vários exames e procedimentos (basicamente os mesmos usados para diagnosticar alergias alimentares em geral): testes cutâneos, teste de provocação oral, além do histórico clínico do bebê. De acordo com a nutricionista, os sintomas relacionados aos processos alérgicos envolvem manchas avermelhadas pelo corpo, urticária, angioedema , tosse, vômitos e diarreia. Eles podem aparecer de forma imediata, logo após a ingestão do alimento, bem como horas ou até dias após a ingestão.

Existe ainda, de acordo com a nutricionista, uma condição rara conhecida por intolerância à lactose do tipo congênita, que foi descrita apenas na Finlândia. “Trata-se de um déficit enzimático presente no indivíduo desde o nascimento. Neste caso, a partir do momento que o bebê começa a tomar o leite materno já desenvolve os sintomas associados à intolerância. Entretanto, na maior parte dos casos, o que ocorre é a hipolactasia primária do tipo adulto, na qual a enzima necessária para a digestão da lactose deixa de ser produzida com o passar do tempo.”

O CONSUMO DE CHÁ LEVA A MUDANÇAS EPIGENÉTICAS NAS MULHERES.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017 0 comentários
Mudanças epigenéticas são modificações químicas que ligam ou desligam nossos genes. Em um novo estudo da Universidade de Uppsala (Suécia), os pesquisadores mostram que, nas mulheres, o consumo de chá leva a mudanças epigenéticas em genes que são conhecidos por interagir com o câncer e o metabolismo de estrogênio. Os resultados foram publicados na revista Human Molecular Genetics.

É bem sabido que nossos fatores ambientais e de estilo de vida, como escolhas alimentares, tabagismo e exposição a produtos químicos, podem levar a mudanças epigenéticas. No estudo atual, pesquisadores da Universidade de Uppsala, em colaboração com grupos de pesquisa de toda a Europa, investigaram se o consumo de café e chá pode levar a mudanças epigenéticas. Estudos anteriores sugeriram que tanto o café quanto o chá desempenham um papel importante na modulação do risco de doença em humanos, reprimindo a progressão tumoral, diminuindo a inflamação e influenciando o metabolismo do estrogênio – mecanismos que podem ser mediados por alterações epigenéticas.

Os resultados mostram que há alterações epigenéticas nas mulheres que consomem chá, mas não nos homens. Curiosamente, muitas dessas alterações foram encontradas em genes envolvidos no câncer e no metabolismo do estrogênio. “Estudos anteriores mostraram que o consumo de chá reduz os níveis de estrogênio, o que evidencia uma diferença potencial entre a resposta biológica ao chá em homens e mulheres. As mulheres também bebem quantidades maiores de chá em comparação com os homens, o que aumentou a possibilidade de encontrar a associação nas mulheres”, relata Weronica Ek, pesquisadora do Departamento de Imunologia, Genética e Patologia, que liderou o estudo. Os pesquisadores não encontraram alterações epigenéticas em indivíduos que consumiram café.

Os resultados deste estudo destacam o papel dos componentes farmacologicamente ativos no chá envolvidos no câncer e no metabolismo do estrogênio, o que pode refletir que os efeitos sobre a saúde relacionados ao chá podem ser devidos a mudanças epigenéticas. No entanto, pesquisas adicionais são necessárias para entender como essas mudanças epigenéticas encontradas afetam a nossa saúde. Já foi demonstrado que as catequinas do chá levam a mudanças epigenéticas in vitro e em células de câncer cultivadas, apontando que alguns dos efeitos do chá sobre a saúde podem ser mediados pela epigenética.

Traduzido por Essentia Pharma
Fonte: Uu.se.

ESTUDOS ASSOCIAM O ENVELHECIMENTO CEREBRAL SAUDÁVEL AOS NÍVEIS SANGUÍNEOS DE ÔMEGA 3 E ÔMEGA 6.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017 0 comentários
Dois novos estudos associam os padrões de ácidos graxos poli-insaturados no sangue à integridade das estruturas cerebrais e das habilidades cognitivas, as quais são conhecidas por declinar no início do envelhecimento.

Os pesquisadores relataram que os estudos acrescentam à evidência que a ingestão dietética de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 pode promover o envelhecimento saudável, mas pesquisas adicionais são necessárias para testar essa hipótese.

O cérebro é uma coleção de partes interligadas, cada uma das quais envelhecendo ao seu próprio ritmo. Algumas estruturas cerebrais e suas habilidades começam a se deteriorar antes que outras, relatou a estudante Marta Zamroziewicz, da Universidade de Illinois, que liderou a nova pesquisa com o professor de psicologia Aron Barbey.

"Estudamos uma rede primária do cérebro – a rede frontoparietal – que desempenha um papel importante na inteligência fluida e a qual sofre redução prematura, mesmo no envelhecimento saudável." (A inteligência fluida descreve a capacidade de resolver problemas que lidamos pela primeira vez.)

"Em um estudo separado, examinamos a estrutura branca da matéria do fórnix, um grupo de fibras nervosas no centro do cérebro importante para a memória.”

Pesquisa anterior mostrou que o fórnix é uma das primeiras regiões do cérebro a ser comprometida na doença de Alzheimer.

Em ambos os estudos, os pesquisadores buscaram padrões de ácidos graxos poli-insaturados no sangue de adultos entre 65 e 75 anos. Eles analisaram a relação entre esses padrões de nutrientes e a estrutura cerebral e o desempenho desses indivíduos em testes cognitivos. Zamroziewicz observou que a pesquisa diferiu de outros estudos passados que tendem a se concentrar em apenas um ou dois ácidos graxos poli-insaturados.

"A maioria da pesquisa que estuda essas gorduras na saúde e no envelhecimento saudável centra-se sobre os ácidos graxos ômega-3 DHA e EPA, mas estes se encontram nos peixes e no óleo de peixes, e grande parte das populações no hemisfério ocidental não consome suficientes quantidades destes para realmente sentir os benefícios", disse ela. Outros ácidos graxos como o ácido alfa-linolênico e ácido estearidônico são precursores de EPA e DHA no corpo. Essas gorduras podem ser derivadas de alimentos terrestres, como nozes, sementes e óleos.

"Um objetivo central da pesquisa em neurociência cognitiva nutricional é entender como esses nutrientes afetam a saúde cerebral", afirmou Zamroziewicz. "Alguns destes nutrientes são pensados como mais benéficos do que outros."

Em estudo publicado na revista Nutritional Neuroscience, os pesquisadores buscaram compreender as relações entre vários ácidos graxos ômega-3 no sangue, tamanho relativo das estruturas nos córtices frontal e parietal do cérebro e o desempenho em testes de inteligência fluida de adultos saudáveis mais velhos.

A equipe encontrou correlações entre os níveis sanguíneos de três ácidos graxos ômega-3 – ALA, ácido estearidônico e ácido eicosatrienoico – e inteligência fluida. Outras análises revelaram que o tamanho do córtex frontoparietal esquerdo desempenhou um papel mediador nessas relações. Os indivíduos com níveis sanguíneos mais elevados desses três nutrientes tendiam a ter córtices frontoparietais esquerdos maiores, e o tamanho do córtex frontoparietal predizia o desempenho dos sujeitos em testes de inteligência fluida.

"Muitos estudos nos dizem que as pessoas precisam estar consumindo peixe e óleo de peixe para obter efeitos neuroprotetores destas gorduras em particular, mas esta nova descoberta sugere que mesmo as gorduras que obtemos de oleaginosas, sementes e óleos relacionados também podem fazer a diferença para o cérebro", explicou Zamroziewicz.

No segundo estudo da equipe, descobriu-se que o tamanho do fórnix estava associado ao equilíbrio de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 no sangue, e que um fórnix mais robusto coincidiu com a preservação da memória nos adultos mais velhos. Novamente, os pesquisadores perceberam que a estrutura cerebral desempenhava um papel mediador entre a abundância e o equilíbrio de nutrientes no sangue e na cognição (neste caso, a memória). Os achados foram relatados na revista Aging & Disease.

"Essas descobertas têm implicações importantes para a dieta ocidental, que tende a ser desequilibrada com altas quantidades de ácidos graxos ômega-6 e baixas quantidades de ácidos graxos ômega-3", afirmou Zamroziewicz.

Barbey disse que, "Estes dois estudos destacam a importância de investigar os efeitos de grupos de nutrientes em conjunto, em vez de separadamente. Diferentes padrões de gorduras poli-insaturadas parecem promover aspectos específicos da cognição, fortalecendo os circuitos neurais subjacentes que são vulneráveis à doença e ao declínio relacionado à idade."

Traduzido por Essential Nutrition.

RESULTADOS DO SEDENTARISMO.

domingo, 27 de agosto de 2017 0 comentários
Às vezes, um dia de descanso se transforma em uma semana de descanso e depois em um mês de descanso – mas sempre há tempo para voltar a ficar em forma, certo? Não tão rápido. De acordo com novas pesquisas da Universidade de Liverpool, ignorar seus exercícios por apenas duas semanas pode aumentar significativamente seu risco de diabetes, doenças cardíacas e até morte prematura.

Os pesquisadores estudaram 28 pessoas saudáveis com idade média de 25 anos. Os participantes do estudo caminharam cerca de 10.000 passos por dia antes do experimento e tiveram um índice médio de massa corporal de 25 (que está no limite do que é considerado normal e com sobrepeso).

Quando os pesquisadores reduziram o nível de atividade em 80 por cento, de 10.000 para cerca de 1.500 passos por dia, eles descobriram que houve mudanças significativas em suas composições corporais. Após duas semanas, os indivíduos ganharam peso e perderam massa muscular. Curiosamente, a nova gordura tende a se acumular no centro do corpo, o que é um melhor preditor de doenças crônicas do que o IMC. Além disso, os participantes não podiam correr tanto ou com a mesma intensidade que antes.

Outras mudanças que os cientistas notaram foram menos esperadas. Ocorreu uma diminuição na sensibilidade à insulina e um aumento da gordura acumulada no fígado, indicando maior risco de obesidade e doenças como diabetes, doenças cardíacas e câncer. Os participantes também apresentaram um aumento nos triglicerídeos, um componente do colesterol que pode aumentar seu risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral quando se acumula em suas artérias.

Embora as mudanças fossem pequenas, elas eram suficientemente significativas para causar alarme. "Nós pensamos que veríamos mudanças sutis", o coautor do estudo, Dan Cuthbertson, Ph.D., disse, "mas quando tudo o que você mede piora em um período tão curto, incluindo esses importantes fatores de risco para doenças cardíacas e diabetes tipo 2, na verdade é bastante surpreendente".

A boa notícia é que os efeitos negativos são reversíveis, explica Cuthbertson, desde que você volte à sua rotina habitual. "Então, tudo bem se estiver em forma e sair de férias por duas semanas e depois voltar ao treino", diz ele. "Mas o problema é que muitas pessoas não retornam aos mesmos níveis de atividade e, então, talvez os efeitos se acumulem."

Esta notícia não é um bom presságio para uma geração de trabalhadores que passam cerca de 10 horas por dia sentados. Enquanto cerca de 50 por cento da força de trabalho tinha um emprego fisicamente ativo em 1960, apenas 20 por cento dos trabalhadores têm um agora.

Cuthbertson enfatiza que você não precisa se tornar um viciado em fitness para evitar os efeitos desagradáveis da inatividade. Mas, pouco é muito melhor do que nada. Durante o dia, opte por ficar mais de pé e, ao invés de uma terceira xícara de café, faça uma caminhada para se energizar.

Traduzido por Essential Nutrition
Fonte: Livestrong.

AS AMEIXAS SECAS PODEM AJUDAR A REDUZIR O COLESTEROL E MELHORAR A FLORA INTESTINAL.

terça-feira, 22 de agosto de 2017 0 comentários

Um estudo publicado em Pharmaceutical Biology mostra que as ameixas secas podem ajudar a regular a microflora intestinal e, efetivamente, reduzir os níveis de colesterol total. A Prunus domestica Linn (Rosaceae) foi considerada um alimento funcional devido às suas diversas atividades farmacológicas, incluindo antioxidantes, anti-inflamatórias, antidiabéticas e anticancerígenas. Neste estudo randomizado e controlado por placebo, os pesquisadores desejaram verificar a atividade benéfica dos concentrados da essência da ameixa (PEC) em corroboração com a função intestinal e o perfil lipídico em indivíduos com colesterol ligeiramente alto.

Sessenta indivíduos saudáveis ​​com colesterol levemente elevado foram escolhidos aleatoriamente e separados em três grupos: placebo (50mL de bebida de ameixa simulada), PEC I (50mL de PEC/dia) e PEC II (100mL de PEC/dia). A investigação ocorreu durante quatro semanas com duas semanas de seguimento sem o consumo de PEC.

Os pesquisadores descobriram que os indivíduos que consumiram PEC (I e II) experimentaram uma melhoria notável na população das comunidades de bactérias benéficas, especialmente Bifidobacterium spp, Lactobacillus spp., e da contagem bacteriana anaeróbica total em comparação com a linha de base. Durante o seguimento (6ª semana), os níveis de C. perfringens e E. coli aumentaram ligeiramente, enquanto que os níveis de Bifidobacterium spp, Lactobacillus spp. e a contagem bacteriana anaeróbica total foram marcadamente reduzidos devido à paralisação do consumo de PEC.

Além disso, a ingestão de PEC (I e II) diminuiu notavelmente os níveis de colesterol total e colesterol LDL, e aumentou ligeiramente os níveis de colesterol HDL em comparação com a linha de base.

Os pesquisadores concluíram que a ingestão de PEC pode alterar positivamente a flora intestinal humana e, assim, melhorar várias funções fisiológicas, beneficiando a saúde. Em estudos futuros, os pesquisadores planejam isolar os componentes ativos da PEC e testá-los mais a fundo quanto à sua capacidade de baixar o colesterol.

Referência:Estudo: Chiu HF, et al. Regulatory/modulatory effect of prune essence concentrate on intestinal function and blood lipids. Pharmaceutical Biology. 2017. Doi:10.1080/13880209.2017.1285323

Fonte: Essentia.

ADOÇANTES ARTIFICIAIS ESTÃO LIGADOS AO AUMENTO DO PESO.

domingo, 20 de agosto de 2017 0 comentários
O uso de adoçantes (ou edulcorantes) artificiais podem parecer uma maneira “zero caloria” ou “baixa caloria” de desfrutar de alimentos doces e não engordar. Mas um novo estudo de revisão os coloca no oposto deste raciocínio.

No relatório, publicado no Canadian Medical Association Journal, os pesquisadores analisaram 37 estudos sobre adoçantes artificiais para ver se eram de fato bem sucedidos para o controle de peso. Em conjunto, os estudos acompanharam mais de 400 mil pessoas por cerca de 10 anos. Sete deles foram executados como ensaios controlados randomizados, um tipo considerado padrão-ouro na pesquisa científica.

Os adoçantes artificiais não pareceram ajudar as pessoas a perder peso. Em vez disso, estudos observacionais que analisaram o consumo ao longo do tempo sugeriram que as pessoas que os consumiam regularmente – ao beber uma ou mais bebidas adoçadas artificialmente por dia – apresentavam maior risco para problemas de saúde como ganho de peso, obesidade, diabetes e doenças cardíacas.

“Eu acho que há uma suposição de que, quando há zero calorias, há zero danos”, diz a autora do estudo, Meghan Azad, professora assistente no departamento de pediatria e saúde infantil da Universidade de Manitoba, no Canadá. “Esta pesquisa me fez observar que há mais a ser pensado do que calorias.”

O novo estudo acrescenta-se a um grande número de pesquisas que sugerem que os substitutos do açúcar não são uma mágica. “Infelizmente, a qualidade da evidência que apoiaria o uso de edulcorantes não é realmente forte”, diz Susan Swithers, professora do departamento de estudos psicológicos da Universidade de Purdue, e que também estudou adoçantes artificiais (mas não esteve envolvida no novo estudo). “Eu acho que chegamos a um ponto onde podemos dizer que eles não ajudam.”

Ainda não está claro se os adoçantes artificiais realmente causam danos. Estudos observacionais que ligam os edulcorantes aos problemas de saúde não comprovam sua responsabilidade. Outros fatores podem confundir a associação: As pessoas que consomem mais edulcorantes artificiais podem comer mais alimentos processados, por exemplo, que estão ligados a um maior risco de obesidade ou problemas relacionados ao coração.
“Mais pesquisas são definitivamente necessárias”, diz Azad. “Precisamos de um estudo de longo prazo.”

Os especialistas possuem várias teorias para explicar como os edulcorantes artificiais têm sido associados a problemas de saúde. Alguns pesquisadores especulam que os edulcorantes interferem com o microbioma de uma pessoa, uma coleção de bactérias intestinais cruciais para a absorção de nutrientes. O consumo regular de alimentos com substitutos de açúcar também pode fazer com que as pessoas desejem alimentos mais doces com mais frequência. As pessoas também podem acreditar que, porque não consumiram calorias, têm licença para comer mais. Alguns pesquisadores também acreditam que os edulcorantes podem interferir nos mecanismos do organismo para metabolizar o açúcar. Até agora, as pesquisas não produziram respostas definitivas.

O Conselho de Controle de Calorias (Calorie Control Council), uma associação que representa a indústria de alimentos e bebidas com baixa ou reduzida caloria, impugnou o design do estudo e disse que “estudos experimentais não confirmaram essas descobertas”, em uma declaração fornecida ao TIME. “Os edulcorantes com baixas calorias são uma ferramenta para ajudar a fornecer sabor doce sem calorias para abordar um aspecto da ingestão de calorias”, disse Robert Rankin, presidente do Conselho. “As estratégias individualizadas são críticas para o sucesso do controle do peso corporal e devem abordar não só preferências alimentares, mas também atividades físicas e considerações médicas para ajudar cada pessoa a alcançar seus objetivos de saúde, incluindo aquelas relacionadas a doenças crônicas como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e hipertensão.”

“A conclusão até agora é que a redução de qualquer edulcorante é provavelmente uma boa ideia”, afirmou Swithers. “As pessoas precisam reduzir sua ingestão global de edulcorantes, com ou sem calorias. Se estamos consumindo adequadamente, isso pode não importar.” Azad, por sua vez, não usa mais edulcorantes artificiais. “Eu costumava ser uma pessoa que colocava Splenda no meu café todos os dias”, diz ela. “Agora eu apenas adiciono leite.”

Traduzido por Essentia Pharma.

ALTERAÇÃO NO PALADAR PODE AUMENTAR A PROCURA POR ALIMENTOS MAIS CALÓRICOS.

sábado, 12 de agosto de 2017 0 comentários

Cientistas do Departamento de Ciências dos Alimentos da Cornell University, nos Estados Unidos, descobriram um fato que pode ampliar as estratégias para o controle da obesidade.

De acordo com o estudo Participants with pharmacologically impaired taste function seek out more intense, higher calorie stimuli, pessoas com paladar menos apurado acabam optando por alimentos mais doces edietas mais calóricas.

O trabalho, que teve o apoio da American Heart Association, revelou que ao bloquear os receptores gustativos, as pessoas passam a desejar alimentos com maior teor de calorias, aumentando as chances de ganho de peso e, consequentemente, tornando-as mais predispostas à obesidade.

O estudo será publicado, na íntegra, na edição de outubro da revista Appetite fazendo uma importante conexão que pode elucidar uma antiga suspeita de nutricionistas, pesquisadores e médicos, que ainda não havia sido testada.

De acordo com os pesquisadores, quanto mais as pessoas perdem a sensibilidade ao doce, mais açúcar elas procuram adicionar a seus alimentos.

O estudo
Os participantes do estudo tiveram suas papilas gustativas alteradas em diferentes níveis, por meio da oferta de um chá de ervas com concentrações baixas, médias ou altas de uma erva natural, Gymnema Sylvestre. Esta erva é conhecida por bloquear temporariamente receptores doces.

Após esta etapa, os participantes foram convidados a adoçar bebidas a seu gosto. Foi verificado que os participantes com maior bloqueio de receptores de gosto optaram por maiores concentrações deaçúcar.

A diferença da necessidade de açúcar entre os participantes foi considerada bastante grande. Para uma dose de cerca de meio litro de refresco, os indivíduos com redução de 20% na capacidade de saborear o doce desejaram até uma colher de chá a mais de açúcar quando comparados àqueles que não tiveram alteração em sua capacidade de resposta ao doce.

Conclusão
Para os responsáveis pelo estudo, a conclusão foi que indivíduos com alteração na capacidade de degustação procuram estímulos mais intensos e de maior teor calórico. Assim, por meio de investigação, pode ser possível encontrar entre pessoas com problemas de sobrepeso ou obesidade paladares menos apurados.

A partir desta constatação, pode ser possível incluir nas estratégias de combate à obesidade a avaliação da percepção de intensidade de gosto, com o objetivo de melhorá-la, reduzindo a necessidade de estímulos mais intensos para atingir um nível de recompensa satisfatório.

Fonte: Abeso.

BAIXOS NÍVEIS DE POTÁSSIO ESTÃO ASSOCIADOS A UM MAIOR RISCO DE DRC.

segunda-feira, 24 de julho de 2017 0 comentários
O potássio é um mineral que auxilia no bom funcionamento do corpo. Os níveis de potássio são fortemente regulados pelos rins para ajudar a controlar a pressão arterial. Na doença renal crônica, uma condição que resulta do mau funcionamento dos rins, os pacientes podem sofrer de níveis não regulados de potássio no sangue.

A hipocalemia é uma condição quando os níveis de potássio são baixos (< 3,5 mmol/L) e a hipercalemia (> 5,0 mmol/L) resulta de níveis aumentados de potássio. Os pacientes com doença renal crônica (DRC), com hipo ou hipercalemia, têm um maior risco de mortalidade, ataque cardíaco e hospitalização. Estudos renais anteriores descobriram que a hipocalemia pode levar a danos nos rins, no entanto, sua associação com o risco de desenvolver DRC ainda não está estabelecido.

Em um estudo recente publicado em Plos One, os pesquisadores conduziram um estudo prospectivo para examinar a associação entre o nível de potássio no sangue e o risco de desenvolver DRC em população predominantemente branca. O estudo registrou 6.000 participantes com uma concentração urinária de albumina de 10 mg/L, uma métrica para hipertensão e risco para DRC. Além disso, o estudo também registrou 2.592 participantes com concentração de albumina urinária < 10mg/L. Foram excluídos os participantes diabéticos, os que já sofriam de DRC e gestantes, totalizando o numero para 5.130 participantes. Foram medidos os níveis circulantes de potássio, taxa de filtração glomerular (TFG), creatinina sérica e cistatina C. A hipocalemia foi definida como < 3,5 mmol/L, normocalemia de 4 a 4,4 mmol/L e hipercalemia a uma concentração igual ou superior a 5,0 mmol/L. A DRC foi determinada por baixa TFG (< 60ml/min por 1,73m2) e/ou excreção urinária de albumina (> 30mg/24h).

Os pesquisadores encontraram níveis plasmáticos médios de potássio de 4,4 mmol/L nos 5.130 participantes. A hipocalemia apresentou baixa prevalência (0,5%), enquanto a hipercalemia foi ligeiramente mais comum com uma prevalência de 3,8%. Curiosamente, os participantes com hipocalemia não consumiam álcool nem fumavam. Eles também eram susceptíveis de ser mais velhos, menos educados e com pressão arterial elevada, bem como prováveis ​​usuários de betabloqueadores e diuréticos. Em contraste, os participantes com hipercalemia em geral eram brancos do sexo masculino, fumavam, apresentavam maior excreção urinária de albumina e não usavam diuréticos.

Com relação à hipocalemia e ao risco de DRC, com um seguimento médio de 10,3 anos, os pesquisadores descobriram que 753 participantes desenvolveram a doença. Os participantes com hipocalemia foram cerca de 5 vezes mais propensos a desenvolver DRC do que aqueles com níveis normais de potássio, e o risco aumentou ainda mais em participantes que usavam diuréticos. Os participantes com hipercalemia, no entanto, não eram susceptíveis de desenvolver a doença. Além disso, a associação entre os níveis de potássio e o risco de desenvolver DRC mudou quando os indivíduos usavam diuréticos. Em participantes sem hipocalemia que usavam diuréticos, os pesquisadores descobriram um maior risco de DRC.

No geral, os pesquisadores concluíram que a hipocalemia estava associada a um maior risco de DRC independentemente do uso de diuréticos. O mecanismo preciso de como a hipocalemia induz danos aos rins permanece obscuro. O estudo atual ainda não pode ser generalizado para uma população mais ampla devido à falta de diversidade étnico-racial nos participantes.

Traduzido por Essentia Pharma

NÍVEIS DE VITAMINA D PODEM AFETAR MICROBIOTA INTESTINAL.

quinta-feira, 6 de julho de 2017 0 comentários
Em artigo divulgado na revista Metabolism, pesquisadores da USP sugerem que concentração de vitamina D no sangue pode influenciar perfil da microbiota e risco cardiometabólico – Foto: Ragesoss/Wikimedia Commons

Um estudo brasileiro divulgado na revista Metabolism sugere que os níveis de vitamina D circulantes no organismo podem influenciar o perfil da microbiota intestinal e, consequentemente, o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e metabólicas.

Como ressaltam os autores, o artigo apresenta apenas indícios sobre a existência dessa relação – o que ainda precisa ser confirmado por investigações mais aprofundadas.

“Já se sabia que a vitamina D é importante para a homeostase do sistema imune. O que nosso estudo acrescenta é que essa relação ocorre, pelo menos em parte, pelas interações com a microbiota intestinal”, afirmou Sandra Roberta Gouvea Ferreira Vivolo, professora da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e coordenadora da pesquisa apoiada pela Fapesp.

As conclusões estão baseadas na análise dos dados de 150 voluntários entre 20 e 30 anos (91% do sexo feminino) que estão cursando ou já concluíram a graduação em Nutrição. Como explicou Sandra, essa pesquisa transversal é um desdobramento de um estudo maior do tipo longitudinal conhecido como Nutritionists Health Study (NutriHS), que acompanha desde 2013 os hábitos de vida de uma amostra específica de estudantes de nutrição e nutricionistas.

“É oportuno avaliar nutricionistas, pois são indivíduos aptos a responder questionários técnicos, especialmente relacionados à alimentação. Além disso, são pessoas muito ligadas a questões de alimentação e saúde, o que pode influenciar o hábito alimentar”, disse Sandra.

De acordo com a pesquisadora, o primeiro passo foi descobrir se existia uma relação entre ingerir uma quantidade maior de alimentos ricos em vitamina D e apresentar um maior nível do nutriente na circulação sanguínea.

“Essa associação pode parecer óbvia a princípio, mas não é. A literatura científica é controversa sobre o assunto, pois apenas 20% da vitamina D existente no organismo humano é proveniente da dieta. A quantidade ideal recomendada só é alcançada por meio da exposição ao sol – algo cada vez mais raro no meio urbano – ou pela ingestão de suplementos”, comentou.

Após dosar a concentração do nutriente no sangue dos participantes e avaliar o padrão alimentar, o grupo concluiu que de fato havia uma associação entre maior ingestão de alimentos ricos em vitamina D e níveis circulantes mais elevados. As principais fontes alimentares na amostra foram: ovos, leite e seus derivados.

Com base nesses resultados, a população estudada foi estratificada em três grupos: o primeiro com níveis insuficientes de vitamina D; o segundo com concentrações intermediárias, dentro do mínimo recomendado; e o terceiro grupo com as concentrações mais altas, no qual estavam inseridos participantes que faziam uso de suplementos polivitamínicos.

O passo seguinte foi comparar o perfil de saúde dos três grupos, levando em conta fatores como índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, pressão arterial, glicemia e sensibilidade à insulina.

“Em nenhum desses aspectos notamos diferença significativa. Observamos apenas que os participantes com maior nível de vitamina D circulante apresentavam no sangue uma quantidade menor de lipopolissacarídeos (LPS)”, contou Sandra.

Como explicou a pesquisadora, as moléculas de LPS estão presentes na superfície de algumas bactérias do tipo Gram-negativas do trato intestinal. Vale ressaltar que grande parte das bactérias Gram-negativas é patogênica, enquanto a maioria das Gram-positivas não – algumas delas são até mesmo consideradas benéficas para a saúde humana.Fontes de vitamina D da dieta – Foto: Divulgação

“Esse dado nos possibilita levantar a hipótese de que os indivíduos mais suficientes de vitamina D tenham uma composição mais saudável da microbiota intestinal – o que teria, por sua vez, um impacto benéfico no risco cardiometabólico”, avaliou.

Segundo Sandra, a molécula de LPS é considerada imunogênica, ou seja, ela é capaz de induzir uma resposta inflamatória no organismo. Níveis sanguíneos mais altos dessa substância, portanto, favoreceriam o desenvolvimento de um estado de inflamação subclínica (crônica, de baixo grau e sistêmica), fator que tem sido associado em diversos estudos ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas, entre elas a diabete.

“A composição da microbiota intestinal tem sido associada ao desenvolvimento de doenças – não apenas as infecciosas como também aquelas que têm relação com uma inflamação de pequeno grau. É possível que a vitamina D tenha alguma participação nesse processo, mas ainda é muito cedo para apontar uma relação de causa e consequência. Para isso, seria necessário fazer um estudo de intervenção, ou seja, comparar grupos que ingerem diferentes quantidades do nutriente por um longo período e observar o impacto na microbiota”, disse a pesquisadora.

Censo microbiano
Em busca de mais pistas que permitam comprovar a hipótese levantada, o grupo coordenado por Sandra Vivolo realizou uma espécie de censo bacteriano em amostras de fezes dos participantes do estudo. Por meio de técnicas de sequenciamento do DNA e auxílio de métodos estatísticos, o grupo conseguiu identificar, entre os trilhões de microrganismos presentes, os filos e os gêneros mais frequentes em cada grupo de voluntários.

“Em apenas alguns dos gêneros identificados observamos relevância estatística. Por exemplo, nos participantes com mais vitamina D foram menos abundante os gêneros Haemophilus e Veillonella – ambos de bactérias Gram-negativas. Por outro lado, esses mesmos voluntários tinham mais bactérias do gênero Coprococcus e Bifidobacterium – ambos de bactérias Gram-positivas”, comentou Sandra.

Após ajustar a análise considerando fatores que podem enviesar os resultados, como sexo e idade dos participantes, além da estação do ano em que foi feita a análise (o que pode influenciar o nível de vitamina D em função da exposição solar), o que restou de mais significante, segundo Sandra, foi a associação entre maior nível de vitamina D e maior abundância de bactérias dos gêneros Coprococcuse Bifidobacterium, ambas consideradas benéficas para a saúde humana. As chamadas bifidobactérias são classificadas como probióticas, ou seja, favorecem uma flora intestinal mais saudável. Estudos indicam que elas ajudam a controlar o crescimento de bactérias nocivas e minimizam sintomas de alergias e inflamações.

“A análise dos resultados nos permite especular que a relação da vitamina D com a microbiota é um caminho de duas vias. Encontramos evidências tanto de que o nutriente pode interferir na composição da flora intestinal – uma vez que a vitamina D é uma espécie de guardiã do organismo favorecendo a homeostase do sistema imune – como também do oposto, ou seja, de que um determinado perfil de microbiota poderia influenciar o nível de vitamina D circulante. Análises longitudinais e de intervenção são necessárias para testar essas hipóteses”, afirmou Sandra.

Fonte: Usp.

ÁCIDO GRAXO PRESENTO NO AZEITE PODE MELHORAR REGENERAÇÃO MUSCULAR.

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Experimentos em animais analisaram efeitos da suplementação com ácidos linoleico (presente no óleo de girassol) e oleico (presente no azeite de oliva) no processo de regeneração muscular. Suplementação com ácido oleico apresentou bons resultados. Fotomontagem – Imagens: Wikimedia Commons

No Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, pesquisa investiga estratégicas terapêuticas para melhorar a capacidade de recuperação do tecido muscular esquelético após lesão. O trabalho do pesquisador Phablo Abreu verificou o efeito da suplementação com ácidos oleico (existente no azeite de oliva) e linoleico (existente no óleo de girassol) no processo de regeneração do músculo gastrocnêmio, a “batata da perna”, em ratos. O estudo mostra que o ácido oleico otimizou a capacidade regenerativa e a função contrátil (contração que gera movimento) do músculo lesionado. O estudo foi orientado pelo professor Rui Curi, do ICB, e co-orientado por Sandro Hirabara.

O tecido muscular esquelético é constituído por células alongadas altamente organizadas, responsáveis pela contração muscular, que permite, por exemplo a locomoção, além de apresentar a capacidade plástica de adaptar-se a condições internas e ambientais. “Uma importante característica deste tecido é a capacidade de se reparar após lesão”, afirma Abreu. “Quando não regeneradas, as lesões podem levar à perda de massa muscular e à formação de tecido cicatricial (fibroso), resultando em reparo incompleto.”

O ácido oleico é um ácido graxo monoinsaturado da família ômega 9, enquanto que o ácido linoleico é um ácido graxo polinsaturado ômega 6. Ambos são abundantes na dieta ocidental. “A dieta dos povos do Mediterrâneo é rica em óleo de oliva, que contém muito ácido oleico, e está associada à redução no risco de doenças cardiovasculares e diabete”, lembra o pesquisador. “O ácido linoleico, abundante no óleo de girassol, por sua vez, é essencial para o desenvolvimento saudável dos seres humanos”, aponta.

Formação de tecido e regeneração
Sabe-se que alguns ácidos graxos, como os ácidos oleico e linoleico, exercem efeito pró-proliferativo no músculo liso (com características diferentes do esquelético) de vasos sanguíneos, podendo regular o crescimento muscular. “No entanto, há poucos trabalhos sobre o envolvimento dos ácidos graxos na formação de tecido muscular (miogênese) in vitro e não há estudo envolvendo ácidos graxos e a regeneração do músculo esquelético in vivo”, como observa Abreu. “Por este motivo, neste trabalho optou-se por analisar os efeitos da suplementação com os ácidos graxos sobre proteínas estruturais da fibra muscular, e também na função contrátil no processo de regeneração do músculo esquelético.”

Verificou-se que a suplementação com o ácido linoleico comprometeu a regeneração do músculo esquelético lesionado, causando redução da massa muscular, elevação de tecido fibroso e recuperação parcial da função contrátil. “Essa função é realizada por células especializadas chamadas fibras musculares, as quais se contraem sob estimulação, gerando movimento”, aponta o pesquisador. “O ácido oleico, por sua vez, atenuou o quadro de reparo incompleto, otimizando a capacidade regenerativa e a função contrátil do músculo lesionado.”
Como acontece

O mecanismo de ação do ácido oleico envolve aumento da expressão de MyoD (marcador de diferenciação ou passo inicial do comprometimento dessas células com a miogênese e geração de mioblastos para formação do músculo esquelético) em células-tronco musculares e de desmina (proteína que integra a arquitetura ou citoesqueleto da fibra muscular madura ou adulta) em miotubos diferenciados. “Miotubos são fibras musculares esqueléticas praticamente maduras, formadas pela fusão de mioblastos durante, por exemplo, estágio de desenvolvimento ou reparo”, destaca Abreu.


A ação do ácido oleico também levou à diminuição de PCNA (marcador de proliferação celular), colágeno e fibronectina em fibroblastos, células que têm como função a síntese de componentes, como o colágeno, da matriz extracelular presente no músculo. “Quando a expressão de fibroblastos durante a regeneração é exacerbada, seus componentes são comumente utilizados como marcadores de fibrose e perda de função muscular”, observa o pesquisador. “A diminuição de PCNA, fibronectina e colágeno indica que a deposição de tecido fibroso durante a regeneração foi diminuída, restaurando a função muscular.”

Abreu ressalta que os resultados obtidos nesta pesquisa precisam ser reforçados com mais estudos, permitindo observar novos marcadores que reforcem as descobertas a respeito do efeito do ácido oleico. “Serão necessários dados adicionais para poder dizer com segurança se a utilização de ácidos graxos específicos na dieta, durante período de regeneração muscular, pode ou não prejudicar o processo de reparo deste tecido”, afirma.

Fonte: Usp.