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COMER, NUTRI, ALIMENTAR...

quarta-feira, 31 de agosto de 2016 0 comentários
Existe uma grande diferença entre comer e se alimentar. Enquanto o hábito de comer é apenas uma espécie de "abastecimento" do corpo, a ação de se alimentar é vista como uma forma saudável para manter o corpo regulado, aproveitando os benefícios dos componentes de cada alimento, trazendo, assim, a denominada nutrição.

"Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", certo? O chavão popular é lógico, contudo, na prática muitas vezes, há confusões e discórdias. Por exemplo: você sabe a diferença entre comer, alimentar e nutrir? Para quem acha que o nosso corpo aproveita tudo o que ingerimos diariamente, ledo engano. Entenda como funciona a alimentação em nosso organismo e o que distingue essas três ações.

Existe uma grande diferença entre comer e se alimentar. Enquanto o hábito de comer pode ser caracterizado apenas como um "abastecimento" do corpo ou apenas suprir uma vontade, a ação de se alimentar é vista como uma forma de tratamento de saúde para manter o corpo regulado, aproveitando os componentes de cada alimento ingerido, trazendo, assim, a terceira fase, denominada nutrição. De acordo com a nutricionista Luana Vasconcelos, especializada em Nutrição Clínica Funcional, Esportiva e Fitoterapia, grande parte das pessoas apenas "matam a fome do estômago" e não das células, por isso apenas se alimentam e não se nutrem corretamente:

"Nosso corpo não é formado de calorias, mas sim de células que são formadas exclusivamente de nutrientes. Se não fornecermos os nutrientes que elas precisam para funcionar, nosso corpo travará a função que deixar de receber tal nutrientes (seja o metabolismo, a imunidade, a pele, cabelo, unhas, hormônios...). Então precisamos garantir que todos os alimentos que contém esses nutrientes sejam consumidos, digeridos, absorvidos e aproveitados de maneira correta", destaca a profissional, apresentando quatro fatores importantes para se considerar em relação à funcionalidade da alimentação, para garantir a melhor nutrição:

4 passos da alimentação funcional para a nutrição completa
1 - Individualidade bioquímica: Cada pessoa é única, tem um próprio DNA, e uma necessidade de nutrientes individualizada. Essa necessidade vai muito além da quantidade calórica, por isso a alimentação que serve para um pode não ser a melhor para outro. Outro fator que diferencia as pessoas é a tolerância a alimentos.

2 - Carências nutricionais: Costumamos ficar focados apenas nos excessos e esquemos que sem os nutrientes, o corpo não funciona. Sem os nutrientes o organismo estoca gordura para a sua proteção, os músculos, pele, ossos, unhas, cabelo, serão utilizados para fornecer energia para o nosso cérebro, mas acabará deixando essas outras partes empobrecidas. Assim o sistema imune também cai, fica mais frágil, e ficamos doentes com mais facilidade. Portanto, não conte caloria, conte nutrientes!

3 - Intolerâncias alimentares: Um alimentos que para uma pessoa pode ser considerado um remédio natural, para outra pode ser um veneno. Isso geralmente acontece com alimentos proteicos, com alto peso molecular (difíceis de digerir corretamente e liberar todos os aminoácidos da proteína), como caso dos lácteos, glúten, soja, amendoim e ovo. Com tal efeito acontecendo, nosso intestino receberá alimentos mal digeridos, será inflamado e deixará de nos defender corretamente de substâncias que deveriam ser descartadas, além de reduzir absorção de nutrientes, de aumentar sintomas de inflamação crônica.

4 - Saúde digestiva e intestinal: O processo digestivo é fundamental para nossa saúde, mesmo para aqueles sem sintomas relacionados diretamente à má digestão. A má mastigação, a falta de acidificação gástrica, ou baixa produção de enzimas digestivas, assim como o desequilíbrio do intestino (mais bactérias patogênicas e menos bactérias protetoras), causam diversos distúrbios no organismos que resultam em problemas que vão desde gases até alergias respiratórias, dermatológicas e alteração da pressão arterial.

Fonte: Conquiste sua vida.

NUTRIÇÃO E SAÚDE DOS CABELOS.

domingo, 8 de novembro de 2015 0 comentários
O cabelo contém, basicamente, os elementos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre, que chamamos de C.H.O.N.S (típico da queratina capilar), outro elementos formam menos que 0,1% da massa do cabelo. Esses elementos unem-se dando lugar a moléculas de aminoácidos que, por sua vez, agrupados em forma especial e em numero determinados, formam a proteína. Assim pode-se dizer que o cabelo compõe-se fundamentalmente de moléculas de proteínas, dentre as quais mais importantes são denominadas queratina.

À partir deste conhecimento fica evidente que o estado nutricional do indivíduo interfere diretamente na saúde dos cabelos. Sem dúvida, a genética, idade, disfunções hormonais, estresse, gestação, exposição solar, ação térmica, uso de produtos químicos, medicamentos e certas doenças, também são causas que podem afetar a saúde capilar, ou seja, desenvolvimento, crescimento, queda, textura e brilho dos cabelos.

A deficiência crônica de alguns micronutrientes pode favorecer a queda de cabelo e enfraquecimento dos fios. Esse tipo de desnutrição pode não ser percebida através do peso da pessoa, ou seja, muitas vezes a ingestão de calorias pode estar adequada, mas a de vitaminas e minerais não, esse estado também pode ser chamado de “fome oculta”. Quando isso acontece há manifestações em alguns tecidos, normalmente, naqueles de maior taxa metabólica e mitótica, como, por exemplo, o aparelho tegumentar (cabelos, unhas e pele). Sendo assim há alterações na síntese protéica, modificando ou reduzindo sua estrutura. Isso pode dar origem a aspectos negativos esteticamente como, por exemplo, diminuição do crescimento e fragilidade dos cabelos. Muito embora dietas muito restritivas e de baixas calorias, também podem levar a carências nutricionais, estados catabólicos, com grande prejuízo capilar. Para entender o quanto a nutrição interfere na saúde e beleza dos cabelos, precisamos saber que os seguintes nutrientes são fundamentais para manter o desenvolvimento, crescimento e resistência dos fios.

Esses nutrientes são necessários porque para a constituição dos fios precisamos de:

Proteínas: de boa qualidade devem estar em quantidade suficiente na alimentação. Elas são desdobradas em aminoácido, e este apresenta a função estrutural, de manutenção e reparo dos tecidos. Nem todos os aminoácidos estão presentes na fibra capilar, porém para que os cabelos fiquem mais bonitos, fortes e saudáveis os aminoácidos são fundamentais. Desta maneira é necessário que se tenha boa digestão das proteínas da dieta para que haja incorporação dos aminoácidos nos fios de cabelo. A proteína também é rica em taurina um tipo de aminoácido que pode melhorar a hidratação do cabelo, estimula o crescimento, protege o folículo capilar e combate o estresse oxidativo prevenindo o envelhecimento. Fontes alimentares: carnes, aves, peixes e ovos. A quantidade diária recomendada é em média de 100 a 150 g duas vezes ao dia.

Zinco: é constituinte do DNA celular, sendo responsável pela multiplicação de células, logo, para formação de novos fios. Além disso, o zinco ajuda na formação do colágeno, é um fator importante para não haver engrisalhamento e queda de cabelo acelerado. Além disso, o zinco é um mineral essencial para que haja controle sobre mudanças hormonais que podem ocorrer e favorecer a queda de cabelo. Um problema onde o zinco pode ajudar é na alopecia androgenética - queda de cabelo. Fontes alimentares: frutos do mar, carnes vermelhas, castanhas, amêndoas e nozes.

Cobre: faz a síntese do colágeno que dá estrutura ao fio. Fontes alimentares: caju, castanhas, frutos do mar, sementes de abóbora e girassol, manga, abacate, sardinha, lentilha, ervilha. 

Ferro: está envolvido com a divisão celular que favorece o desenvolvimento dos fios. Evidências clínicas vêm demonstrando fortemente a importância do ferro no tratamento capilar. Pacientes com ferritina abaixo de 70 (mesmo sem quadro anemia) que cursam eflúvio telógeno, ao repor ferro apresenta melhora no tratamento. Fontes alimentares: carnes, feijões, vegetais folhosos escuros - lembrando que para sua boa absorção precisam ser consumidos com frutas cítricas.

Silício: importante na regeneração e síntese de fibras colágenas, pois mantém a hidratação dos fios. Fontes alimentares: vegetais, cereais integrais, com destaque para a aveia, maior fonte de silício. 

Cálcio e Magnésio: nutrientes fundamentais para que os demais nutrientes penetrem nas células, fazendo o papel de carreadores de todos os nutrientes, além de fornecerem energia às células para sua renovação.
Fontes alimentares: Cálcio: vegetais verde escuros, leite e derivados.

 Magnésio: sementes oleaginosas, caju, feijão, arroz integral.

Iodo: mantém o funcionamento tireoidiano que pode interferir na velocidade do metabolismo e renovação de células. Fontes alimentares: cavala, mexilhão, bacalhau, salmão, pescada, sardinha.

Ômega 3 e 6: ácidos graxos essenciais são necessários para manter a membrana celular fluida, pois com isso se mantém a elasticidade e brilho do cabelo. Fontes alimentares: peixes de água fria (sardinha, arenque, cavala, salmão), semente de linhaça, chia.

Betacaroteno: ajudam muito na vitalidade e crescimento do cabelo, pois colabora na manutenção dos tecidos e cabelos. Por conterem antioxidantes, contribuem para que não haja estresse oxidativo e morte do bulbo capilar, o que além de provocar queda de cabelo, pode deixar os cabelos mais grisalhos. Para maior aproveitamento do betacaroteno, procure consumi-los cozido com uma fonte de gordura como azeite. Fontes alimentares: cenoura, abóbora, tomate, espinafre. 

Vitaminas do Complexo B: exerce papel essencial no metabolismo energético dos queratinócitos (células produtoras de queratina – principal estrutura capilar), A piridoxina (vitamina B6) e a cianocobalamina (vitamina B12), especialmente, são cofatores de enzimas no processo de proliferação celular. Tem sido demonstrado em alguns estudos que a administração de vitamina B6 pode reduzir a queda de cabelo. Estudos têm demonstrado que um suplemento a base de L-cistina, levedura medicinal (fonte de vitaminas do complexo B) e ácido pantotênico interfere positivamente no crescimento do cabelo. Fontes alimentares: cereais integrais, carnes, leite, peixes, frutos do mar e vegetais folhosos.

Vitamina H (Biotina): pertencente também a vitaminas do Complexo B. Evita a queda de cabelos. Fontes alimentares: Levedura de cerveja, fígado, geléia real, sardinha e gema de ovo. 

Alimentos com ação antiinflamatória: está provado que o controle sobre o processo inflamatório é importante para se evitar a queda de cabelo. Fontes alimentares: Gengibre, cúrcuma, pimenta, alho.

Vitamina C: esta vitamina é essencial para síntese de colágeno, absorção do ferro, tema ação antioxidante que combatem o estresse, sendo assim indiretamente também pode amenizar estes efeitos e evitando danos na saúde capilar. Fontes alimentares: frutas cítricas, tomate, pimentão.

Vitamina E: participam no processo de formação dos fios e sua ausência nas células da raiz pode acarretar em problemas de formação da estrutura capilar. Fontes alimentares: Oleaginosas (castanhas, amêndoas, nozes, etc.). 

Água: mantém a hidratação dos fios e a cutícula do cabelo.

Portanto, quando a dieta alimentar contempla as necessidades individuais (calóricas e nutricionais) é variada, colorida e rica em alimentos vivos, nosso cabelo responde de forma saudável, apresentando-se resistente e brilhante. Caso tenha algum problema capilar ou mesmo queira melhorar a saúde dos cabelos, dando mais vida, brilho e fortalecimento aos fios, consulte um nutricionista para orientar sua alimentação de maneira personalizada, isto irá garantir melhora na sua saúde geral e capilar.

GORDURAS SAUDÁVEIS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS DO CORAÇÃO.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014 0 comentários
RESULTADOS DE UM ESTUDO DE 40 ANOS SOBRE A RELAÇÃO DA DIETA E DO FUMO DEMONSTRARAM O AUMENTO DA TAXA DE MORTALIDADE POR DOENÇA CORONARIANA.

Estudo conduzido em sete países europeus aponta que uma das principais causas de mortalidade por doença do coração pode ser a ingestão de gordura saturada e o fumo

Durante 40 anos foram estudadas as principais causas da mortalidade por doença coronariana, sendo que sete países fizeram parte deste estudo: Holanda, Finlândia, Itália, Grécia, Iugoslávia, Japão e Estados Unidos. Foram investigados mais de 12.000 homens e os fatores de risco em cada um destes países para verificar a real causa das mortes em conseqüência de doenças coronarianas.

Nos sete países, o estudo demonstrou que os não fumantes, que usam álcool moderadamente, praticam exercícios regularmente e se alimentam de uma dieta pobre em gordura saturada podem melhorar a saúde do coração.

O estudo concluiu que o fumo e a ingestão de gordura saturada são provavelmente a principal causa do aparecimento das doenças coronarianas. A amostra da Finlândia, apontou que diminuições de 5% no consumo de gordura saturada e de 16% no número de fumantes de idade média tinham relação direta com a redução de 55% nas taxas mortalidade em conseqüência destas doenças.

A pesquisa deixou claro que não é a quantidade de gordura ingerida que é o problema, mas sim o tipo de gordura. Isto confirma que uma dieta rica em frutas, legumes, verduras, grãos e alimentos ricos em gorduras poliinsaturadas pode contribuir na melhoria da saúde do coração. Outra grande descoberta é que a dieta rica em alimentos com baixos níveis de gordura saturada sozinha não é o suficiente para reduzir o risco de doenças do coração.

Os resultados detalhados destes 40 anos de estudos estão no Livro “Prevetion of CHD: Lifestyle and Risk Factors in Seven Countries Study” do Prof. Daan Krombout (Holanda), Prof. Alessandro Menott (Itália) e Prof. Henry Blackburn (Estados Unidos) lançado em maio, no Simpósio Científico da Holanda, organizado pelo National Institute of Public Health and Environment.
 
Fonte: Nutricao Clínica, Gorduras Saturadas e Polinsaturadas - Onde reside a diferença na prevenção da aterosclerose ? Acesso em 29/01/2014.

NUTRIÇÃO CLÍNICA FUNCIONAL.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013 0 comentários
Hipócrates, o pai da medicina, que viveu na Grécia há 2400 anos atrás, afirmava que as doenças originavam-se da natureza e por ela poderiam ser curadas, através de um equilíbrio com o meio ambiente, os alimentos ingeridos e com a paz de espírito.
A alimentação é um dos fatores comportamentais que mais influencia a nossa qualidade de vida. Um dos hábitos mais arraigados do ser humano é sem dúvida, o hábito alimentar, que pode ser influenciado por crenças e modismos, muitas vezes sem respaldos científicos atualizados.

Nos últimos 30 ou 40 anos, nossos hábitos sofreram grandes transformações. Nos alimentamos de forma diferente, respiramos um ar diferente, estamos em contato com substâncias sintéticas que nem existiam até então. Nos movimentamos cada vez menos e ainda somos obrigados a absorver cada vez mais informações e a lidar com emoções e desafios constantes no nosso dia a dia. Nosso sistema digestivo e neurológico, em conjunto com o sistema imunológico, estão em sobrecarga.

Todas essas mudanças foram rápidas demais para o tempo que o nosso organismo precisaria para se adequar a estes novos costumes. Podemos amenizar alguns fatores ambientais e/ou emocionais porém sempre com várias limitações. Devemos, então, interferir nos hábitos e processos alimentares para efetivamente nutrir a célula, inclusive, dando suporte para os fatores que pouco podemos interferir.

A qualidade da nossa alimentação tem nos causado problemas funcionais pois, diversas vezes, temos que lidar com excessos de substâncias estranhas, ao mesmo tempo que sofremos com a insuficiência de nutrientes essenciais para executar nossas funções orgânicas, inclusive de defesa, gerando desequilíbrios físicos, mentais e emocionais.

A evolução da ciência da Nutrição nos mostra, cada vez mais, como os nutrientes, presentes naturalmente nos alimentos, formam nossas células e nos fazem funcionar em todos os níveis. Com base em mais estes conhecimentos, somando a alimentação adequada, a inclusão freqüente de alimentos funcionais e quando necessária a suplementação nutricional, conseguiremos efetivamente nutrir a célula e deixar que ela, naturalmente, execute suas funções, prevenido doenças e promovendo saúde, que é o nosso maior objetivo.

Existem certos conceitos que já se perderam em função do tempo e de informações conflitantes, que nos atropelam no dia a dia e muito mais nos confundem do que nos esclarecem quanto às boas regras da alimentação.

Hoje em dia os tratamentos de saúde são mais voltados para os sintomas ( doenças ) do que para as suas causas, sejam elas alimentares, hereditárias, ambientais, iatrogênicas etc. Vários fatores, em conjunto ou isoladamente, podem estar causando os sintomas da doença, e se as causas básicas não forem detectadas, o paciente vai apenas amenizar temporariamente os sintomas e, às vezes, até trocar de sintoma, porém, não resolverá o problema. São os tratamentos voltados para a doença e não para o indivíduo que a desenvolveu.

NUTRIÇÃO CLÍNICA FUNCIONAL
Os nutrientes presentes nos alimentos são a fonte natural de matéria prima para a formação, manutenção e reestruturação celular.

Sob o aspecto celular, o que somos hoje não é o que fomos há 1 ano atrás e nem o que seremos daqui há um ano. Nosso organismo é formado por 100.000.000.000.000 (cem trilhões) de células e destas, 50 milhões são substituídas diariamente4, conseqüentemente a matéria prima que fornecemos para esta formação celular é determinante do resultado que teremos. Cada célula do organismo precisa de, pelo menos, 45 nutrientes conhecidos para desempenhar sua função.

A maneira como os nutrientes tornam-se parte integrante do nosso organismo e contribuem para o seu funcionamento depende dos processos bioquímicos e fisiológicos que determinam suas ações.

A simples ingestão do alimento não garante que seus nutrientes estarão biodisponíveis, isto é, que estes nutrientes possam estar disponíveis para serem utilizados pelas células. Para que isso realmente ocorra, é fundamental que além de uma quantidade e qualidade ideal de "matéria prima", também existam condições químicas e fisiológicas ideais para o alimento ser quebrado, os nutrientes resultantes dessa quebra serem absorvidos, transportados, e utilizados pelas células do organismo. Também é necessário, que os produtos resultantes deste processo, que não serão utilizados pelo organismo, consigam ser excretados, assim como as substâncias tóxicas que possam ter sido ingeridas junto aos alimentos.

Se uma dessas etapas do metabolismo não funcionar direito, mesmo com uma alimentação adequada, o organismo apresentará carências nutricionais e, conseqüentemente, funcionais. Pois, na medida em que faltar matéria prima para o organismo, algumas das suas funções serão prejudicadas. A utilização do alimento pelo organismo depende de um processo que envolve:

Ingestão, Digestão, Absorção, Transporte, Utilização e Excreção.

PRINCÍPIOS DA NUTRIÇÃO FUNCIONAL:

- Individualidade bioquímica
Tratamento centrado no paciente e não na doença
Equilíbrio nutricional E Biodisponibilidade dos nutrientes
Interferência de fatores externos na saúde orgânica
Saúde como vitalidade positiva e não simplesmente como ausência de doenças: Equilíbrio Físico, Mental e Emocional


ANAMNESE FUNCIONAL:
Didaticamente, a anamnese será apresentada em tópicos e as questões levantadas, embora sejam comuns a vários tópicos, serão feitas uma só vez e analisadas em conjunto para os fins necessários.

Individualidade Bioquímica Segundo o Dr Roger j. Williams, Ph.D., individualidade bioquímica é:
“Um conjunto único de fatores genéticos de um indivíduo que controla seu metabolismo, suas necessidades nutricionais e suas sensibilidades ambientais” 6.

Essa individualidade bioquímica irá nortear uma terapia para cada paciente, e a relação nutricionista/paciente é essencial e determinante para detectar e atuar efetivamente nos processos que estão desequilibrando o paciente em questão.

A anamnese funcional é uma ferramenta utilizada para avaliar todos os processos que determinam e que influenciam o quadro atual do paciente.

Tratamento centrado no paciente e não na doença
A hereditariedade é importante na história do indivíduo, porém, a expressão de um gene depende 70% a 75% da influência do meio ambiente, sendo determinada, portanto, pelo fenótipo. Segundo o Dr Jeffrey S. Bland, Ph.D., autor do livro Genetic Nutritioneering: as interferências ambientais, nutricionais e comportamentais modificam a expressão de um gene2.

O levantamento da história familiar de morbidades e longevidade, da história pessoal de patologias e medicamentos utilizados freqüentemente, da exposição ao ambiente e tipo de trabalho do indivíduo, dos seus hábitos alimentares, sinais e sintomas clínicos (desenvolvidos no passado e atualmente), hábitos de vida (fumo, sono, drogas...), atividade física e estresse mental e ou emocional dão uma característica individual aos sintomas desenvolvidos por este paciente e nos orientam a tratar as causas destes sintomas.

Equilíbrio nutricional e Biodisponibilidade dos nutrientes
Ingestão, Digestão, Absorção, Transporte, Utilização e Excreção.

Alimento não é caloria, é matéria prima que também fornece energia. A quantidade e a qualidade da composição da nossa alimentação, assim como a biodisponibilidade dos nutrientes, determinam o funcionamento adequado do organismo em todos os níveis.

Os nutrientes agem em conjunto, sendo que, um depende da presença do outro para que a sua ação seja efetiva. Portanto, o que pode desequilibrar a alimentação são os excessos e/ou as carências nutricionais.

Como os nutrientes, em geral, agem em conjunto, a carência de qualquer nutriente essencial, mesmo aquele necessário em quantidades irrisórias, pode determinar a alteração do equilíbrio geral do organismo. É o que diz a “lei do mínimo”: o nutriente que está em menor quantidade, proporcionalmente, determina o desempenho total do organismo6. 

 

Ingestão: O que, quando, como, quanto e com o que comer.
Avaliar a qualidade e a quantidade dos alimentos ingeridos, intervalo entre as refeições, a frequência de consumo, monotonias alimentares, combinações, preferências, aversões e ingestão hídrica, nos darão indicadores do equilíbrio nutricional (excessos e/ou carências de nutrientes). Permitirão, também, a avaliação da ingestão freqüente de substâncias químicas, agrotóxicos, nicotina, poluentes ambientais, metais pesados; excesso de cafeína, açúcar refinado, álcool, estresse oxidativo ( falta de matéria prima antioxidante e excesso de oxidantes); consumo freqüente de alergenos alimentares e facilitadores de endotoxinas (por ex. intestinais, como nitrosaminas). Todas estas substâncias poderão desencadear o aparecimento de mediadores como: eicosanóides, citocinas, histaminas (e outros autacóides), espécies reativas de oxigênio e nitrogênio (EROs e ERNs), assim como desequilíbrios na formação e na ação de hormônios, neuropeptídeos e neurotransmissores, promovendo desequilíbrios orgânicos que podem se traduzir em condições clínicas patológicas.

Nas ultimas décadas, houve um aumento da oferta da variedade de alimentos, porém, com uma redução na qualidade nutricional destes, causadas por vários fatores cujos principais são:

-Empobrecimento da quantidade de nutrientes do solo;

-Forte presença de produtos químicos nas lavouras;

-Contaminação das águas, tanto para irrigação quanto para o consumo;

-Perda nutricional causada por armazenamento, transporte e manuseio impróprios;

-Perda de nutrientes e contaminação química causadas pela industrialização dos alimentos;


Em paralelo, nosso organismo sofreu modificações neste período, passando a exigir uma maior quantidade de nutrientes para lidar com os desequilíbrios gerados por situações como:

-Poluição ambiental;

-Estresse físico e emocional;

-Maior consumo de alimentos com fatores antinutricionais;

-Maior consumo de alimentos industrializados.


Atualmente, existem mais de 2000 substâncias químicas sendo utilizadas nos alimentos industrializados. Estas substâncias podem causar reações adversas no nosso organismo, principalmente se consumidas com freqüência.

Estes aditivos são classificados pelas seguintes funções: acidulantes, antioxidantes, antiumectantes, aromatizantes, conservantes, corantes, estabilizantes, espessantes, umectantes e uma grande utilização de Glutamato Monossódico para realçar o sabor dos alimentos.

Digestão:
Avaliar os fatores que podem interferir na quebra dos alimentos, como por exemplo: a mastigação; o meio ácido gástrico (diminuição da produção e/ou diluição do ácido clorídrico, ou utilização de medicamentos como omeprazol que inibe a produção de ácido clorídrico); produção e ação adequada das enzimas digestivas (salivares, gástricas, intestinais e pancreáticas) e do ácido bilear, bicarbonato; e estresse (aumento de liberação de adrenalina).

Sintomas como: flatulência, erutação, azia, queimação, sensação de “empachamento”, estufamento, “digestão parada”, dores e inchaços abdominais indicam uma má digestão dos alimentos. O entendimento dos fatores que estão causando este processo determinará o tratamento.

Absorção:
É necessário avaliar os fatores que poderão interferir na absorção dos nutrientes ingeridos, como por exemplo:

- Mastigação. A quebra e digestão dos alimentos começa na boca, e só haverá absorção adequada com mastigação adequada. A boa mastigação estimula a continuidade da digestão no estômago (que não tem “dentes”), pois os alimentos chegam mais fracionados e facilitam a ação das enzimas gástricas.

- A ingestão de líquidos com a refeição e na primeira hora após a mesma, além de “empurrar” o alimento, causa uma diluição do meio ácido gástrico necessário para a ação das enzimas digestivas, absorção dos nutrientes e destruição de bactérias nocivas ao nosso organismo.

- Comer rápido, estressado ou nervoso, por exemplo, aumenta a liberação de adrenalina que prepara o organismo para “lutar ou fugir”, desviando o sangue para as extremidades do corpo e inibindo a digestão e conseqüentemente a absorção dos nutrientes.

- A ingestão de drogas que interferem na absorção dos nutrientes e/ou aumentam sua excreção.

- A presença de fungos e parasitas pode causar inflamações e infecções intestinais que geram transtornos de absorção1.

- O equilíbrio entre as boas e más bactérias do sistema digestório, que evita a disbiose intestinal, é necessário para a saúde orgânica funcional. A boa flora intestinal é importante para: aumentar a absorção dos nutrientes; ativar o sistema imunológico; combater as más bactérias (por competição e por produção de antibióticos naturais); manter integridade da parede intestinal; produzir vitaminas como vit K, vit B12, vit B5, Vit B6, ácido fólico e biotina; produzir ácidos graxos de cadeia curta; melhorar o processo digestivo; combater a Helicobacter pylori; promover uma ação anti-cancerígena; regular o colesterol e auxíliar o tratamento de alergias alimentares.

- A manutenção da integridade da parede intestinal é fundamental para a seleção natural dos nutrientes que serão absorvidos, e para a inibição da absorção de macromoléculas estranhas ao organismo. Esta integridade da mucosa intestinal é necessária também para a produção de várias substâncias, feita pelos enterócitos, como: enzimas digestivas, hormônios e vários neurotransmissores, inclusive serotonina, que conferem ao intestino a condição de “segundo cérebro”. O intestino é o único órgão que contém um sistema nervoso capaz de medir reflexos na total ausência de informações do cérebro ou da medula espinhal. O número de neurônios neste sistema entérico é de cerca de 100 milhões, quase o mesmo que em toda medula espinhal4.

A integridade funcional do intestino também é fundamental para o sistema imunólogico, pois componentes da mucosa intestinal como IgA secretora, tecido linfóide intestinal (GALT) e células efetoras como macrófagos, mastócitos e linfócitos (¼ das células do intestino)5 atuarão intensamente no combate às substâncias estranhas ao organismo, inclusive alimentos mal digeridos. O intestino é um dos principais órgãos que atuam na detoxificação do organismo3. É também o sistema que mais está exposto ao meio ambiente (250m2)4 e, portanto, é mais sensível às substâncias agressivas, além de ser dotado de uma enorme capacidade de selecionar os nutrientes necessários ao funcionamento do organismo e impedir a absorção dos seus agressores. Daí a importância da integridade fisiológica e funcional deste sistema.

Portanto, sem saúde intestinal não existe equilíbrio funcional.

Transporte
A carência proteica (comum em vegetarianos restritos ou em algumas cirurgias da obesidade) pode facilitar a diminuição de proteínas transportadoras e, mesmo se houver uma ingestão adequada de vitaminas e minerais, estas não serão transportadas até a célula. 

Utilização
É muito comum pensarmos em carência de cálcio quando se trata de osteoporose. Porém, muitas vezes, o que realmente ocorre é uma falta de utilização do mesmo, gerada pela carência dos nutrientes que agem em conjunto com o cálcio e são necessários para a fixação do mesmo no osso. Apesar de haver uma quantidade suficiente de cálcio, e as vezes até em excesso, ele não consegue ser utilizado pelo osso e ainda pode ser acumulado em tecidos moles ou até mesmo formar cálculos. Portanto, através da avaliação de hábitos alimentares e de todos os fatores já comentados teremos maior probabilidade de tratarmos as causas do problema e, no caso do exemplo acima, evitar que o paciente seja tratado apenas com uma suplementação de cálcio e vitamina D, que mais prejudicam do que resolvem o processo.

Excreção
Os produtos resultantes do metabolismo, que não serão utilizados pelo organismo e/ou qualquer substância que possa causar danos orgânicos (xenobióticos), sejam elas originadas externamente ou internamente, precisam ser excretados. Além da avaliação de uma excreção adequada via urinária, fecal, trato respiratório e pele, também é determinante a integridade dos órgãos de detoxificação, principalmente, do fígado e do intestino.

A detoxificação é o processo biológico pelo qual o organismo transforma xenobióticos, originários de fontes externas ou internas, em substâncias que possam ser excretadas. Embora a detoxificação possa ser feita em todos os tecidos e órgãos, o principal deles é o fígado2, seguido pelo intestino.

Existem vários nutrientes que dão suporte à detoxificação. Quanto mais substâncias estranhas ao organismo forem absorvidas, e quanto menos houver suporte nutricional adequado, maiores as possibilidades de intoxicação orgânica e conseqüentes desequilíbrios funcionais.

Interferência de fatores externos na saúde orgânica
O meio no qual o indivíduo vive, a poluição ambiental, o estresse (físico, mental e emocional), o tipo de trabalho exercido por ele, a exposição regular à metais tóxicos (chumbo, mercúrio e cádmio por exemplo), entre outros fatores, precisam ser analisados, pois irão interagir com o organismo e influenciar o seu funcionamento. A individualidade bioquímica faz com que as reações orgânicas, diante dos mesmos fatores, sejam diferentes de uma pessoa para a outra e até para a mesma pessoa em momentos diferentes.

Saúde como vitalidade positiva e não simplesmente como ausência de doenças: Equilíbrio Físico, Mental e Emocional
A análise de sinais e sintomas físicos (intestino preso/diarréia, azia, dor de cabeça, cansaço, dores musculares, queda de cabelo, língua branca, aftas, infecções recorrentes etc), mentais (falta de concentração, de memória, hiperatividade mental etc) e emocionais (ansiedade, depressão, irritabilidade etc), aliada a todos os outros fatores analisados nos permitirão entender melhor as causas e as interrelações entre as mesmas. A partir desta avaliação, conscientizar o paciente e orientá-lo de maneira efetiva para uma mudança no processo que determinará os resultados, tratando os problemas já existentes, promovendo a saúde integral e previnindo doenças, otimizando o seu potencial genético.

Referência Bibliográfica
1- BAKER, S.M. Detoxification and Healing: The Key to Optimal Health. New Canaan: Keats Publishing, 1997.
2- BLAND, Jeffrey. S. Genetic Nutritioneering. Illinois: Keats Publishing, 1999.
3- HAAS, E. M. The Detox Diet: A How-to & When-to Guide for Cleansing the Body. Berkeley: Celestial Arts, 1996.
4- GUYTON, A.C., HALL, J.E. Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças.Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A, 1997.
5- Matricardi PM. Infections preventing atopy: facts and new questions. Allergy 1997;52:879-882.
6- WILLIAMS, Roger John. Biochemical Individuality: The Basis for the Genetotrophic Concept.
New Canaan: Keats Publishing, 1998. Previously published: 1956.
 
Fonte: Dr. Denise Carreiro, acesso em 23/10/2013.