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POR QUE GOSTAMOS TANTO DE CHOCOLATE?

domingo, 26 de fevereiro de 2017 0 comentários
1905HKNImage captionPaixão por chocolate pode estar relacionada ao leite materno

Por que gostamos tanto de chocolate?
A resposta pode parecer simples - porque tem um "gosto bom". Mas vai além disso. Tem a ver com uma determinada relação entre gorduras e carboidratos, a que somos apresentados logo no início de nossas vidas.

Os amantes de chocolate dificilmente abrem um tablete e conseguem se contentar em comer apenas um quadradinho - acabam devorando a barra inteira. E isso também acontece com outros alimentos.

Mas o que faz com que a gente ache algumas comidas irresistíveis? E que características o chocolate compartilha com outros alimentos que simplesmente não conseguimos dizer "não"?

'Limonada e fruta do conde'
O chocolate é feito a partir de grãos de cacau, cultivados e consumidos nas Américas há milhares de anos.

Os Maias e Astecas criaram uma bebida de cacau chamada xocolatl, que significa "água amarga". Isso porque, in natura, os grãos de cacau são bastante amargos.

Para chegar ao grão, primeiro você precisa tirar a casca grossa do cacau, liberando uma polpa de sabor tropical intenso - com gosto entre a limonada e a fruta do conde. Conhecida como baba de cacau, é doce, ácida e muito pegajosa.

Os grãos e a polpa são colocados para fermentar durante vários dias, antes de serem secos e torrados.

Ao serem torrados, liberam uma variedade de compostos químicos, incluindo o ácido 3-metil-butanoico, que por si só tem um odor rançoso, e o dimetil trissulfeto, com cheiro de repolho cozido em excesso.

A combinação dessas e outras moléculas de aroma cria uma assinatura química única que os nossos cérebros adoram.ISTOCK Adição de açúcar e gordura levou o cacau a se tornar irresistível

Mas os cheiros e as memórias felizes da juventude que esses odores provocam são apenas parte da atração do chocolate.

O chocolate contém uma série de substâncias químicas psicoativas interessantes, que incluem a anandamida, um neurotransmissor cujo nome vem do sânscrito - "ananda", que significa "alegria, felicidade, prazer". As anandamidas estimulam o cérebro da mesma forma que a cannabis.

Ele também contém tiramina e feniletilamina, ambas com efeitos semelhantes às anfetaminas.

Além disso, você vai encontrar pequenos vestígios de teobromina e cafeína, conhecidos estimulantes.

Por algum tempo, alguns cientistas de alimentos ficaram entusiasmados com a descoberta. Mas, embora o chocolate contenha essas substâncias, sabemos agora que são apenas alguns traços.

Açúcares mais gorduras
Então, o que mais o chocolate tem?

Ele também tem uma viscosidade cremosa. Quando você tira da embalagem e coloca um pedaço na boca sem morder, você vai notar que ele rapidamente derrete na língua, deixando uma sensação prolongada de suavidade.

Receptores em nossas línguas detectam essa mudança de textura, que, então, estimula os sentimentos de prazer.

Mas o que realmente levou o cacau - uma bebida amarga e aquosa - a se transformar no doce que adoramos hoje, foi a adição de açúcar e gordura.

O acréscimo da quantidade certa de cada um desses elementos é crucial para a apreciação do chocolate. Observe uma embalagem de chocolate ao leite e você vai perceber que ele normalmente contém cerca de 20-25% de gordura e 40-50% de açúcar.THINKSTOCK Leite materno é composto por 4% de gorduras e 8% de açúcares

Na natureza, tais níveis elevados de açúcar e gordura são raramente encontrados - pelo menos juntos.

Você pode obter açúcares naturais de frutas e raízes, e há muita gordura em nozes ou no salmão, por exemplo. Mas um dos poucos lugares onde você vai encontrar ambos é no leite.

O leite materno humano é particularmente rico em açúcares naturais, principalmente lactose. É composto por cerca de 4% de gorduras e 8% de açúcares. O leite em pó, que também é usado na alimentação de bebês, contém uma proporção semelhante de gorduras em relação a açúcares.

Essa proporção, 1g de gordura para 2g de açúcar, é a mesma relação que você encontra no chocolate ao leite. E em biscoitos, donuts, no sorvete...Na verdade, essa proporção em particular está presente em muitos alimentos a que não resistimos.

Então, por que você ama chocolate?
Por uma série de razões. Mas também pode ser porque esteja tentando resgatar o gosto e a sensação de proximidade que temos em relação ao primeiro alimento que já experimentamos: o leite materno humano.

Fonte: BBC.

O CHOCOLATE PODE MESMO TE DEIXAR MAIS FELIZ, SAUDÁVEL E INTELIGENTE?

terça-feira, 29 de março de 2016 0 comentários
Não são poucas as citações na mídia sobre os benefícios do chocolate: desde uma vida mais calma até um coração mais saudável já foram atribuídos ao produto.

Alguns nutricionistas afirmam que comer chocolate amargo todo dia pode reduzir a pressão sanguínea e beneficiar o coração. Também dizem que pode evitar alguns tipos de câncer, derrames e até melhorar a memória.

A BBC fez uma avaliação das últimas provas a favor do chocolate e como seus efeitos podem ser comparados aos de algumas drogas.

O tipo importa?
"Atribuo todo meu sucesso essencialmente à grande quantidade de chocolate que consumo. Pessoalmente eu acho que chocolate ao leite te deixa estúpido... chocolate amargo é a chave.. É algo que, se você quer um prêmio Nobel de medicina ou de química, tudo bem, mas se você quer um prêmio Nobel de física, tem que ser chocolate amargo mesmo", já disse Eric Cornell, vencedor do Nobel de física em 2001.

Infelizmente a escolha de chocolate provavelmente não fará muita diferença quando se trata do prêmio Nobel, mas fica a questão: o chocolate amargo é mesmo o melhor?

Os supostos benefícios do chocolate para a saúde e o cérebro são atribuídos, principalmente, aos antioxidantes encontrados no cacau. No entanto, pelo fato de o cacau ser amargo, frequentemente se adiciona leite e açúcar para fazer o chocolate, diluindo o conteúdo de antioxidantes.

Também é preciso lembrar dos problemas causados pelo consumo de grandes quantidades de calorias e açúcar.Image copyrightThinkstockImage caption. Cientistas e médicos recomendam o chocolate amargo

Então a mensagem é: se você come chocolate, escolha o amargo, escuro. O ideal seria o que tem 85% de cacau ou mais, que possui menos gordura e açúcar do que o chocolate ao leite.

Quais drogas o chocolate imita?
O cacau tem pequenas quantidades de alguns estimulantes que são encontrados em várias drogas legais e ilegais.

O "chocolatier" belga Dominique Persoone criou um um dispositivo que disparava cacau diretamente no nariz do usuário. Ele afirma ter vendido 25 mil unidades do dispositivo, que não era barato (45 euros, cerca de R$ 185), e a embalagem vinha com alerta sobre riscos do uso excessivo.

Parece pouco provável que o chocolate realmente imite os efeitos das drogas, mas ele possui algumas substâncias químicas presentes em algumas drogas.

1.Ópio
O chocolate pode afetar o cérebro de uma forma parecida com o ópio, reduzindo a dor e produzindo prazer, apesar de ser bem mais fraco.

Isso ocorre graças ao neurotransmissor encefalina. Estudos em ratos indicam que a quantidade de encefalina produzida quando se come chocolate é o bastante para criar um efeito suave e levar ao vício.

Apesar de especialistas acreditarem que isso também se aplique a humanos, ainda não há provas.

2.AmorImage copyrightiStockImage caption. Chocolate tem grupo de alcaloides neuroativos também presentes na cerveja e no vinho

O cacau pode imitar o efeito do amor, segundo alguns especialistas, pois contém a substância química feniletilamina, liberada nos primeiros meses de um relacionamento.

Isso faz com que a pessoa se sinta excitada e nervosa e pode funcionar como um antidepressivo.

Existem apenas pequenas quantidades da substância no chocolate e há dúvidas se ela permanece ativa quando o chocolate é ingerido. Portanto ainda não se sabe com certeza se a pessoa sente mesmo esse efeito.

3.Maconha
O chocolate tem pequenas quantidades de anandamida, conhecida como a "molécula da felicidade".

Este neurotransmissor atinge as mesmas estruturas cerebrais acionadas pelo THC, o ingrediente ativo da maconha.

No entanto, para ter um impacto substancial no cérebro, a pessoa precisaria comer vários quilos de chocolate, então não é provavel que o chocolate afete o humor da pessoa.

4.Álcool
O chocolate tem um grupo de alcaloides neuroativos conhecidos como tetrahidro-beta-carbolinas, que também podem ser encontrados na cerveja, vinho e outras bebidas.

Essas substâncias elevam nossos níveis de dopamina e serotonina - têm, portanto, um efeito no humor. E podem explicar o poder viciante do chocolate.

O chocolate, contudo, possui quantidades reduzidas de tetrahidro-beta-carbolinas e são necessárias mais pesquisas antes de concluir que há impacto no humor.

5.Café
O cacau tem cafeína e é possível encontrar um pouco deste estimulante no chocolate. Quanto mais amargo o chocolate, maior a quantidade de cafeína.

Mas as quantidades de cafeína são mais baixas em todos os tipos de chocolate, incluindo o amargo, do que no café.Image copyrightThinkstockImage caption. É possível encontrar cafeína no cacau e até um pouco dela no chocolate

O cacau também tem teobromina, que produz um efeito estimulante quando combinada com cafeína.

Melhora o desempenho do cérebro?
Estudo publicado recentemente envolvendo cerca de mil pessoas descobriu a ligação entre comer chocolate - não importando o tipo - pelo menos uma vez por semana e uma melhora na memória e raciocínio abstrato.

Há razões para otimismo, mas a pesquisa não apontou categoricamente se comer chocolate foi a causa da melhora.

Em outra pesquisa recente, descobriu-se que uma substância química encontrada no cacau e no chocolate reduz a perda de memória relacionada à idade em adultos de 50 e 69 anos.

O estudo apontou que o antioxidante flavonol (uma classe de flavonoides) aumenta o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro que promove a memória. Cientistas estão animados com a descoberta, pois é o primeiro indicador de que a dieta pode reverter o declínio na memória e também reduzir a perda da memória.

Depois de consumir bebidas enriquecidas com estes flavonois por três meses, o desempenho das pessoas neste grupo de idade em um teste de memória foi equivalente ao desempenho de pessoas várias décadas mais jovens.

No entanto, apenas comer mais chocolate não vai proteger a memória, pois métodos usados para processar o chocolate costumam remover a maior parte dos flavonois.

Uma barra de chocolate típica tem 40 mg destes flavonois, e a bebida usada na pesquisa continha 900 mg. Seria necessário comer quantidades enormes de chocolate para obter algum benefício.Image copyrightThinkstockImage caption. Muitos médicos questionam se as propriedades do cacau são mantidas depois que ele é transformado em chocolate

E a saúde?
Acredita-se que os antioxidantes encontrados no cacau possam ter efeitos antiinflamatórios, melhorando o fluxo sanguíneo e diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.

Algumas pessoas também afirmam que o cacau protege contra o câncer e reduz o estresse.

Mas há a questão da validade de estudos que ligam o cacau à diminuição da pressão sanguínea, e se há algum efeito para a saúde depois que o cacau é transformado em chocolate.

Em 2012, uma análise das melhores provas dos efeitos do cacau na pressão sanguínea concluiu que alguns produtos do cacau, incluindo chocolate amargo, diminuem levemente a pressão. A análise apontou, porém, a necessidade de mais comprovações.

"Se você está com um peso saudável, comer chocolate com moderação não aumenta o risco de doença cardíaca de forma detectável, e pode até ter algum benefício. Eu não aconselharia meus pacientes a aumentar o consumo de chocolate com base nesta pesquisa, particularmente se estiverem acima do peso", disse à BBC o especialista independente Tim Chico.

Fonte: BBC.

CHOCOLATE E MELHOR DESEMPENHO DO CÉREBRO.

sábado, 12 de março de 2016 0 comentários
Image copyrightGettyImage caption. Pesquisa analisou consumo de chocolate ao leite

Análises de uma pesquisa americana realizada na Austrália sugerem que há uma ligação entre o consumo de qualquer tipo de chocolate e melhorias no funcionamento do cérebro.

A pesquisadora especializada em nutrição Georgina Crichton, da Universidade do Sul da Austrália, analisou uma pesquisa que teve início na década de 1970 nos Estados Unidos e observou mais de mil pessoas durante 30 anos.

O objetivo da pesquisa, chamada Maine-Syracuse Longitudinal Study (MSLS) - pois envolvia a Universidade do Maine e o Instituto Luxemburgo de Saúde -, era observar a relação entre a pressão sanguínea das pessoas e o desempenho do cérebro.

Isto foi feito durante décadas até que os pesquisadores resolveram ampliar o estudo e observar outros fatores de risco cardiovascular, incluindo diabetes, obesidade e fumo. A pesquisa teve ao todo sete coletas de dados entre os participantes, feitas com cinco anos de intervalo.

O pesquisador que liderou o estudo, Merrill Elias, decidiu perguntar aos participantes o que eles comiam e incorporou um novo questionário já na sexta onda de coleta de dados, entre os anos de 2001 e 2006.

As respostas a esse questionário deram pistas sobre a dieta dos participantes que interessaram os pesquisadores.

"Descobrimos que as pessoas que comiam chocolate pelo menos uma vez por semana tendiam a ter um melhor desempenho cognitivo. É significativo, toca vários domínios cognitivos", afirmou Elias.

A pesquisadora australiana entrou em contato com Merrill Elias, que liderou o MSLS, para fazer uma nova análise da pesquisa.

"Examinamos se o consumo habitual de chocolate estava associado à função cognitiva (funcionamento do cérebro - memória, concentração, raciocínio, processamento da informação) em cerca de mil indivíduos no MSLS. Descobrimos que aqueles que comeram o chocolate pelo menos uma vez por semana tiveram um melhor desempenho em múltiplas tarefas cognitivas, se comparados àqueles que comiam chocolate menos de uma vez por semana", disse Georgina Crichton.

O que foi analisado
Entre os aspectos analisados estavam memória verbal, memória visual e espacial, organização e raciocínio abstrato, além da habilidade de recordar uma lista de palavras ou onde um objeto foi colocado.

"Com exceção da memória funcional, essas relações não foram atenuadas com o controle estatístico para fatores cardiovasculares, de dieta e estilo de vida. Isto significa que independentemente de fatores como idade, sexo, nível de educação, colesterol, glicose, pressão sanguínea, energia total e consumo de álcool, a relação entre consumo de chocolate e cognição continuava sendo importante", afirmou Crichton.

A pesquisadora afirma que existe uma crença histórica nos benefícios do chocolate, mas baseada apenas na experiência e observação. Agora a ciência está começando a identificar bases para estas crenças.
Image copyrightThinkstockImage captio. nPesquisadora australiana lembrou que maioria das pesquisas observou efeitos do chocolate amargo

"O chocolate e os flavonoides do cacau eram associados à melhoria em uma série de problemas de saúde que vinham desde tempos antigos e os benefícios cardiovasculares já tinham sido estabelecidos, mas sabíamos muito menos a respeito dos efeitos do chocolate na neurocognição e comportamento", disse Crichton.
Ao leite

Outra boa notícia é que se antes os pesquisadores davam mais ênfase ao chocolate amargo, desta vez não importa se o chocolate consumido é o mais escuro ou ao leite.

"A maioria das pesquisas se concentrou nos efeitos intensos do chocolate amargo ou das bebidas ricas em cacau. Isso acontecia porque o chocolate amargo tem mais flavonoides do que o chocolate ao leite. Os participantes recebiam chocolate ou cacau para consumir e seu desempenho cognitivo era testado horas depois", disse Crichton.

"Nossa pesquisa é inovadora porque pediu para as próprias pessoas registrarem seu consumo normal/habitual. Em segundo lugar, essas pessoas teriam consumido todos os tipos de chocolate, e os dados nacionais sobre a dieta americana mostram que chocolate ao leite era o tipo mais frequente consumido no momento da pesquisa. Em resumo: descobrimos essa associação positiva sem isolar apenas o chocolate amargo."

Apesar do entusiasmo da pesquisadora, Crichton e Merrill Elias ainda não sabem a causa exata da melhora no desempenho do cérebro. E Elias vai mais longe.

"Não é possível falar sobre causalidade, porque isso é quase impossível de se provar com nosso projeto. Mas podemos falar sobre direção. Nosso estudo definitivamente indica que a direção não é que a habilidade cognitiva afeta o consumo de chocolate, mas que o consumo de chocolate afeta a habilidade cognitiva", afirmou o pesquisador americano.

Fonte: BBC.

METAIS PESADOS EM CHOCOLATES.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014 0 comentários
Metais pesados
Cientistas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) constaram que chocolates vendidos no Brasil contêm diferentes níveis de chumbo e cádmio, metais que, quando em níveis muito elevados, podem causar problemas de saúde.

Segundo eles, os níveis desses metais pesados estão associados ao teor de cacau que cada chocolate contém.

Solange Cadore e seus colegas relataram suas descobertas na revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry.

Segundo o artigo, a presença desses metais no chocolate pode ter implicações para a saúde, especialmente para as crianças, embora eles não tenham encontrado teores acima dos permitidos pela legislação brasileira.

Benefícios e riscos
Os pesquisadores destacam que o chocolate tem muitos benefícios potenciais à saúde, devido aos altos níveis de flavonoides e antioxidantes do cacau.

Mas eles também explicam que outras pesquisas sugerem que componentes indesejáveis podem entrar na composição do alimento.

Estudos anteriores mostraram que as plantas podem absorver chumbo e cádmio, dois metais que ocorrem naturalmente no solo.

O chumbo em altas concentrações pode causar dor abdominal, dores de cabeça e anemia em adultos. Em crianças, o metal pesado pode causar alterações comportamentais e atraso de linguagem, entre outros problemas.

O cádmio em altas concentrações pode causar danos a vários órgãos. Ele também tem efeitos similares ao estrogênio e quebra alguns hormônios.

Preocupações para os fabricantes
Os pesquisadores testaram 30 amostras comerciais de chocolate ao leite, chocolate amargo e chocolate branco comprados no comércio.

Eles constataram que os chocolates amargos - ou chocolates escuros, com teor mais elevado de cacau - apresentam as maiores quantidades de chumbo e cádmio.

Todos os níveis mensurados de chumbo e cádmio ficaram abaixo dos limites máximos estabelecidos pelas autoridades de saúde do Brasil, da União Europeia e da Organização Mundial de Saúde.

O mesmo não ocorre, porém, em relação às regras estabelecidas pela FDA norte-americana (Food and Drug Administration), que recomenda que o nível de chumbo em doces não deve ser superior a 100 nanogramas por grama (ng/g) de doce - duas amostras analisadas pelos pesquisadores superaram esse limite, chegando a 130 a 140 ng/g.

Talvez por isso a pesquisa tenha sido divulgada pela Sociedade Americana de Química, alertando aos norte-americanos que chocolates importados do Brasil são vendidos naquele país.

CHOCOLATE: ANTIOXIDANTE E PROTETOR DO CORAÇÃO.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 0 comentários
O chocolate pode proporcionar uma série de benefícios para o organismo. Porém, para que isso aconteça o alimento precisa contar com pelos menos 70% de pó de cacau em sua composição, ou seja, ser um chocolate amargo. Entre os pontos positivos do chocolate amargo destacam-se a diminuição de riscos de doenças cardiovasculares e de câncer. Além disso, o alimento protege o cérebro e pode contribuir para a diminuição do colesterol ruim e da pressão arterial. Todos esses benefícios ocorrem porque o chocolate amargo possui boas quantidades de pó de amêndoa de cacau que é rico em flavonoides.
 
Esta substância é um poderoso antioxidante e proporciona todos esses pontos positivos para a saúde. 
 
O cacau, fruto do qual é feito o chocolate, é originário das regiões tropicais da América do Sul e Central. O fruto era muito prestigiado entre os povos Maias e Astecas e foi levado para a Europa pelos espanhóis. Esses povos pré-colombianos utilizavam o cacau para produzir uma bebida que era grande fonte de energia. 
 
Para elaborar o chocolate é retirada a amêndoa que fica dentro do cacau. Ela é rica em flavonoides, ferro, zinco, entre outras substâncias nutritivas. Após alguns procedimentos, é extraída uma gordura dessa amêndoa, a manteiga de cacau, e o restante dela é moído. Antigamente, bastava pegar esse pó e misturá-lo a aromatizantes para fazer uma bebida, porém o resultado era muito amargo.
 
Então, o açúcar foi adicionado na receita, na época este adoçante ainda não era refinado e a manteiga de cacau, que é rica em gorduras poli-insaturadas, passou a ser retirada e depois recolada na preparação. Assim, o primeiro chocolate era composto basicamente por pó da amêndoa do cacau, manteiga de cacau e açúcar. 
Esta primeira combinação, apesar do açúcar, contém muitos pontos positivos. Isto porque o pó do cacau é rico em epicatequina, um tipo de flavonoide com forte ação antioxidante, e também contam com cromo, ferro, magnésio, fósforo, potássio e cafeína. Além disso, a manteiga de cacau conta com gorduras boas, as poli-insaturadas, que possuem um efeito protetor no organismo. 
Infelizmente, com o passar do tempo, muitos fabricantes de chocolate começaram a substituir a manteiga de cacau, que tem um preço elevado, por gorduras hidrogenadas, adicionaram mais açúcar, incluíram o leite e diminuíram o pó do cacau da receita. Assim, o alimento foi perdendo seus aspectos saudáveis.   
 
Atualmente há diversos tipos de chocolate, alguns que ainda mantém as características da produção original e outros que tiveram a receita modificada e por isso já não proporcionam benefícios. Conheça cada tipo de chocolate: 
Chocolate ao leite: Conta com pelo menos 25% de pó de cacau em sua composição, também possui leite, o que faz com que o alimento tenha colesterol e gordura saturada. Além disso, o doce possui muito açúcar e pode ter gorduras hidrogenadas. 
Chocolate meio amargo: Conta com pelo menos 40% de pó de cacau em sua composição. Possui menos leite e açúcar. As quantidade de pó de cacau ainda não são suficientes para proporcionar benefícios consideráveis à saúde. 
Chocolate amargo: Conta com pelo menos 70% de pó de cacau em sua composição. Este alimento não possui leite, e tem menos açúcar e gorduras. Quando consumido em quantidades moderadas, até 30 gramas por dia, pode proporcionar diversos benefícios para a saúde.  
Chocolate branco: Não possui pó de cacau em sua composição. É feito com a manteiga do cacau e o açúcar e, infelizmente, em muitos casos também leva boas quantidades de gorduras hidrogenadas. Trata-se da pior opção para a saúde. 

Nutrientes do chocolate amargo

Os flavonoides, especialmente a epicatequina, são as substâncias mais importantes do chocolate amargo. Elas estão presentes no pó da amêndoa do cacau e são um poderoso antioxidante, ou seja, agem combatendo os radicais livres presentes no organismo. 
 
Estes flavonoides irão diminuir os riscos de doenças cardiovasculares e de câncer, e podem baixar o colesterol ruim, LDL, e a pressão arterial. Eles também contribuem para diminuir as chances de derrames, melhoram a pele e protegem o cérebro. 
Este chocolate conta com cafeína que é um estimulante do sistema nervoso central, melhorando a concentração e energia. Ela também tem um efeito termogênico, contribuindo para a perda de peso. 
 
O alimento também possui boas quantidades de magnésio, importante para o bom funcionamento dos nervos e músculos e que ajuda a evitar a formação de pedra nos rins e vesícula. O ferro está presente no chocolate amargo e é importante para evitar a anemia. O alimento também conta com fibras, substância que contribui para melhorar o transito intestinal. 
 

NutrientesChocolate amargo - 30 gChocolate meio amargo - 30 gChocolate ao leite - 30 gChocolate branco - 30 g
Calorias179 calorias164 calorias160 calorias162 calorias
Proteínas2.34 g1.4 g2.3 g1.76 g
Gorduras totais 12.79 g 9.4 g8.9 g9.6 g
Carboidratos 13.77 g18.3517.8 g17.7 g
Açúcar total 7.2 g14.3 g 15.4 g17.7 g
Fibras 3.3 g2.1 g1 g 0.1 g
Cálcio 22 mg17 mg57 mg60 mg
Ferro 3.57 mg2.4 mg0.7 mg0.07 mg
Magnésio 68 mg44 mg19 mg4 mg
Fósforo 92 mg62 mg62 mg53 mg
Potássio 214 mg168 mg112 mg86 mg
Sódio 6 mg7 mg24 mg27 mg
Zinco 0.99 mg 0.6 mg0.69 mg0.22 mg
Vitamina K 2.2 mcg2.4 mcg1.7 mcg2.7 mcg
Cafeína 24 mg13 mg6 mg0
Gordura saturada 7.3 g5 g5.5 g5.8 g
Gorduras monoinsaturadas 3.8 g2.8 g2.1 g2.7 g
Gorduras poli-insaturadas 0.37 g0.3 g0.4 g 0.3 g
Gorduras trans 0.009 g0.034 g00
Colesterol 1 mg2 mg7 mg6 mg
Fonte: Tabela do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. 
 
Confira qual a porcentagem do Valor Diário* de alguns nutrientes que a porção recomendada de chocolate amargo, 30 gramas, carrega: 
  • 33% de gorduras saturadas
  • 26% de magnésio
  • 25,5% de ferro
  • 23,3% de gorduras totais
  • 13,2% de fibras
  • 13,2% fósforo
  • 4,7% de proteínas.
*Valores Diários de referência para adultos com base em uma dieta de 2.000 kcal ou 8.400 kj. Seu valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. 
 
Observe que apesar de possuir mais calorias, o chocolate amargo tem menos açúcar do que os demais. Quando comparados com o chocolate amargo, a versão meio amarga conta com o dobro de açúcar, 7 gramas a mais, o ao leite possui 8 gramas de açúcar a mais e o branco tem 10 gramas a mais. 
 
Benefícios comprovados do chocolate amargo
Protege o sistema cardiovascular: O flavonoide epicatequina do chocolate amargo, que também é encontrado no chá verde, estimula o aumento do bom colesterol, HDL, e a diminuição do ruim, LDL. O colesterol ruim pode oxidar, entupir o vaso sanguíneo e levar a problemas no coração. Além disso, os flavonoides ajudam a dilatar as artérias, permitindo melhor circulação do sangue.  
 
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália, com duas mil pessoas, observou que o consumo de chocolate amargo com pelo menos 70% de cacau ajuda a prevenir infarto e a reduzir riscos de pacientes com problemas cardiovasculares. É importante ressaltar que este benefício só ocorre quando o chocolate é inserido em uma dieta balanceada. 

Controla o colesterol: O flavonoide epicatequina do chocolate amargo ajuda a aumentar o bom colesterol, HDL, e a diminuir o colesterol ruim, LDL.
Reduz a pressão arterial: Os flavonoides presentes no chocolate ajudam a promover a dilatação das artéria, diminuindo a resistência arterial, o que contribui para a melhora da pressão arterial. Uma análise de 20 estudos, pesquisas que reuniram no total mais de 850 participantes, feita pelo Cochrane (grupo internacional avaliador de pesquisas) observou que comer chocolate amargo ajuda a diminuir a pressão arterial.
 
Diminui o risco de câncer: O chocolate amargo possui boas quantidade de flavonoides que são poderosos antioxidantes. O câncer tem relação com a oxidação do DNA, a oxidação excessiva aumenta o risco da doença. Como os flavonoides agem impedindo uma parte dessa oxidação, eles acabam evitando o risco de câncer.
O chocolate amargo protege o coração.
 
Protege a pele: A radiação ultravioleta aumenta as oxidações das células da pele. Como os flavonoides do chocolate amargo possuem forte ação antioxidante, eles irão proteger um pouco a pele contra essa radiação.

Um estudo realizado pela Universidade de Laval em Quebec, no Canadá, feito com 60 mulheres, observou que o consumo de chocolate amargo ajuda a suportar altas doces de radiação solar na pele.  
Proporciona sensação de bem estar: O chocolate é fonte de triptofano, este aminoácido é precursor da serotonina, hormônio responsável pelo prazer. Além disso, o alimento possui neurotransmissores que estão relacionados com o relaxamento e redução da ansiedade. 
 
Protege o cérebro: Por conter os flavonoides que possuem ação antioxidante, o chocolate amargo diminui o excesso de oxidação no cérebro e pode prevenir doenças degenerativas como o Alzheimer.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Toronto no Canadá, mostrou que consumir chocolate amargo ajuda a diminuir os riscos de ter um acidente vascular cerebral (AVC). A pesquisa envolveu diversos estudos em conjunto e um deles foi feito com 45 mil voluntários.  
 
Ação antioxidante: A forte ação antioxidante dos flavonoides presentes no chocolate amargo agem combatendo os radicais livres e assim proporcionam benefícios para todo o organismo. Além de diminuir o risco de câncer e problemas cardiovasculares, eles também evitam o envelhecimento celular. 


Benefício polêmico do chocolate amargo
Ajuda a emagrecer: Uma pesquisa realizada pela Universidade de Chung Hsing em Taiwan observou que os ácidos fenólicos presentes no cacau podem aumentar a produção do hormônio leptina que aumenta a sensação de saciedade.

Além disso, o chocolate conta com a cafeína que tem uma ação termogênica, ou seja, acelera o metabolismo e assim ajuda a queimar calorias. Um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, constatou que pessoas saudáveis que praticavam exercícios físicos e comiam chocolate cerca de duas vezes por semana tendiam a ter o índice de massa corpórea menor do que aqueles que se exercitavam e comiam chocolate com menos frequência.

É importante ressaltar que este benefício só pode ocorrer quando o alimento é inserido em uma dieta balanceada. Mesmo assim, alguns especialistas da saúde acreditam que o chocolate amargo não contribui com a
perda de peso porque apesar de conter essas substâncias benéficas, ele também possui altas quantidade de açúcar.
Quantidade recomendada de chocolate amargo

A quantidade recomendada de chocolate amargo é 30 gramas por dia, mais do que isso pode ser problemático já que o alimento é muito calórico.
Como consumir o chocolate amargo

O chocolate amargo pode ser consumido puro, mas também é interessante prepará-lo com frutas, especialmente as vermelhas e roxas. Isto porque elas possuem forte ação antioxidante e em conjunto com o chocolate, podem ajudar a potencializar os benefícios do doce.

Evite consumir o chocolate amargo com o leite ou outras fontes de cálcio, pois o oxalato presente no cacau inibe a absorção do cálcio.
Compare o chocolate com outros alimentos

Quando comparamos o principal elemento que compõe o chocolate amargo, o cacau, com outras frutas que também são utilizadas para elaborar doces saudáveis, o cacau leva algumas vantagens.

Com relação ao coco cru, o cacau possui 420 vezes menos gorduras do que o coco. Além disso, ele conta com os flavonoides que são poderosos antioxidantes e o coco não possui essa substância. Já o cupuaçu conta com uma proteína de maior valor biológico do que a do cacau. Porém, assim como o coco, ele não possui os flavonoides do cacau
 

Nutrientes Cacau cru - 100 gramas Coco cru - 100 gramas Cupuaçu cru - 100 gramas
Calorias 74 calorias 406 calorias 49 calorias
Proteínas 1 g3,7 g1,2 g
Lipídeos 0,1 g42 g 1 g
Carboidratos 19,4 g 10,4 g10,4 g
Fibra alimentar 2,2 g5,4 g3,1 g
Cálcio 12 mg6 mg13 mg
Magnésio 25 mg 51 mg18 mg
Manganês 0,04 mg1 mg0,07 mg
Fósforo 9 mg118 mg21 mg
Ferro 0,3 mg 1,8 mg 0,5 mg
Sódio 1 mg15 mg3 mg
Potássio 72 mg354 mg331 mg
Cobre 0,15 mg 0,45 mg 0,07 mg
Zinco 0,6 mg 0,9 mg 0,3 mg
Vitamina C 13,6 mg 2,5 mg24,5 mg
Fonte: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos - TACO, 2011. 

Combinando o chocolate amargo
Chocolate + outros antioxidantes: Incluir na sua dieta outros alimentos antioxidantes além do chocolate amargo é bom para a saúde. Isto porque o doce é muito calórico e por isso não pode ser a única fonte de antioxidantes, já que não pode ser consumido em grandes quantidades. Inclua frutas, especialmente as vermelhas e roxas, na dieta e chás também são boas opções, o chá verde possui o mesmo flavonoide que o cacau. Dessa forma é possível obter boas quantidades de antioxidantes e menos calorias.

Chocolate + banana: Ambos os alimentos são fontes de triptofano que é precursor da serotonina, hormônio responsável pelo prazer. Assim, essa combinação é certeira para proporcionar a sensação de bem-estar.
Contraindicações

O chocolate amargo não é recomendado para pessoas portadoras de diabetes. Apesar de ele conter flavonoides que devido à ação antioxidante melhoram a sensibilidade à insulina, o alimento também conta com boas quantidades de açúcar. Isto pode elevar os níveis de glicose e desencadear uma crise.

Pessoas com obesidade e alergia ao cacau também devem evitar o chocolate amargo. Quem tem alergia ou intolerância à lactose precisa checar se o alimento realmente não possui esta substância.

Não há uma relação comprovada entre o consumo de chocolate e a acne. Isto irá depender de cada pessoa, alguns indivíduos podem desenvolver acne após o consumo de um alimento mais oleoso, como o chocolate.
Riscos do consumo excessivo

O principal problema do consumo excessivo de chocolate amargo é o ganho de peso. Além disso, as grandes quantidade de açúcar podem também aumentar os níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue e aumentar o risco de diabetes.

O excesso do chocolate ainda pode causar dor de cabeça, pois possui aminas vasoativas que podem provocar a dilatação das veias cerebrais. O excesso de chocolate também pode aumentar a propensão a cálculos renais porque o alimento é rico em oxalato.


Fonte: Minha Vida, acesso em 24/02/2014.

MITOS E VERDADES SOBRE ALIMENTAÇÃO.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013 0 comentários
Desde os primórdios da humanidade, atribui-se aos alimentos um complexo sistema de simbologias  sociais, sexuais, políticas, éticas, religiosas, e de outras origens. Desta relação simbólica, nasceram diversos mitos e crenças relacionados à alimentação. Outros mitos originaram-se dentro da comunidade científica, e foram difundidos através da mídia para grande parte da população. São teorias já refutadas pela ciência, como a de que alimentos ricos em colesterol aumentam os níveis circulantes desta substância, ou de que a alta ingestão de laticínios ajuda a prevenir doenças ósseas. Muitas vezes, estes mitos são sustentados na sociedade, por beneficiarem determinados setores da indústria alimentícia. Ao longo do texto, serão abordadas as bases científicas de algumas informações constantemente circuladas pela mídia brasileira.
 
Os ovos foram por muito tempo considerados alimentos maléficos, capazes de aumentar o risco para doenças cardiovasculares, por seu alto teor de colesterol. Diversas pesquisas foram realizadas, inclusive em populações hipercolesterolêmicas, nas quais ovos foram consumidos diariamente, sem que houvesse aumento dos níveis séricos de colesterol. Alguns estudos observaram até melhora do perfil lipídico, com ligeiro aumento do HDL (lipoproteína responsável pelo transporte reverso do colesterol, dos vasos sanguíneos, para o fígado). Os níveis de colesterol não aumentam com a ingestão de ovos, uma vez que corpo regula a produção endógena desta substância. Quando ela é ingerida em maior quantidade, menos colesterol é produzido pelo fígado. Ovos podem ser altamente benéficos para a saúde, pois possuem grande quantidade de vitaminas do complexo B, colina, carotenoides e outros importantes nutrientes. Uma curiosidade é que a gema, sempre relacionada com malefícios à saúde, concentra a maior parte destas substâncias. Mesmo não havendo relação entre ovo e aumento de colesterol, não se pode incentivar seu consumo ilimitado ou exagerado desconsiderando as particularidades bioquímicas de cada indivíduo. Ovos possuem proteínas alergênicas (principalmente presentes na clara), que podem causar malefícios a algumas pessoas. Este alimento também é fonte de gorduras saturadas, que se ingeridas em excesso, podem aumentar algumas substâncias pró-inflamatórias e assim gerar um quadro de inflamação, aumentando o risco para diversas doenças da modernidade.
 
Chocolates são quase sempre associados ao ganho excessivo de peso e piora de quadros de acne. Estas relações possuem embasamento científico, quando considerados os chocolates brancos e ao leite, que possuem grande concentração de leite e açúcar. Uma versão altamente benéfica – mas menos consumida – é o chocolate amargo, com concentração igual ou superior a 75% de cacau. O cacau possui flavonoides antioxidantes e podem prevenir o envelhecimento precoce e o aparecimento de diversas doenças. Vale ressaltar que o cacau orgânico possui mais flavonoides e menos contaminantes que o “convencional”. Como qualquer alimento, chocolate amargo não deve ser consumido em excesso, pois possui elevada densidade energética, e seu consumo exagerado pode estimular o ganho ponderal.
 
Quanto ao tipo ideal de óleo ou gordura a ser utilizado em frituras, inicialmente é importante lembrar que este tipo de preparação invariavelmente gera malefícios à saúde. Óleos refinados, como de soja, milho, algodão, girassol e canola, recebem um processamento onde são formados diversos compostos tóxicos, e por isso, em si, já são ruins. Além disso, são ricos em ácidos graxos poli-insaturados do tipo ômega 6, que se consumidos em excesso, possuem efeito inflamatório. Por conterem diversas insaturações em suas moléculas, são altamente modificados em altas temperaturas, como nas frituras, gerando mais compostos tóxicos, a exemplo da acroleína. Banha de porco, óleo de palma (largamente utilizado pela indústria) e óleo de coco são predominantemente saturados. Estes são menos modificados durante a fritura, mas apresentam outros inconvenientes. Banha de porco e óleo de palma contém altas concentrações dos ácidos graxos mirístico e palmístico, que por si, são inflamatórios e maléficos para a saúde. Já o óleo de coco, que possui como principal ácido graxo o ácido láurico, além de ter custo elevado, possui potencial aterogênico e perde substâncias benéficas durante a fritura. Gordura vegetal hidrogenada, utilizada em frituras industriais, contém ácidos graxos trans, que possuem características semelhantes às dos lipídeos saturados, porém, são mais inflamatórias e aterogênicas. O azeite de oliva extravirgem aparece como uma alternativa interessante, porém não isenta de malefícios, para frituras rápidas e superficiais. Tem lipídeos predominantemente monoinsaturados, que se modificam pouco em altas temperaturas, e não possuem os efeitos negativos dos saturados e trans. Também não é refinado, tendo assim, menor carga tóxica. O azeite, porém, perde seus fitoquímicos durante a fritura.
 
A manteiga é produzida a partir da gordura do leite de vaca, que possui ácidos graxos, em sua maioria, saturados. Estes têm efeitos prejudicais como estímulo à inflamação e aumento do colesterol LDL. Contém também pequenas quantidades de ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que auxiliam na manutenção da saúde intestinal. Tal fato reforça a ideia de que alimentos não devem ser classificados em “bons” ou “maus”, mas cada situação deve ser analisada individualmente, pois seres humanos não são todos iguais. A margarina foi criada sob a premissa de ser mais saudável, já que é produzida a partir de óleos vegetais. Porém, para ter consistência sólida, óleos devem ser hidrogenados, e este processo induz a formação de ácidos graxos trans, que são ainda mais maléficos que os saturados. Hoje, existem margarinas livres de gorduras trans, mas todas contêm aditivos químicos prejudiciais e substâncias tóxicas derivadas do processamento. Uma ideia de substituição saudável para esses dois alimentos é acondicionar azeite de oliva extravirgem, temperado com ervas ou não, em baixas temperaturas, nas quais este adquire consistência sólida.
 
Alimentos à base de soja têm sido divulgados na mídia como “substitutos saudáveis aos de origem animal”, mas segundo dados científicos, estes podem ter efeitos bons ou maus, a depender da forma em que sejam ingeridos e do indivíduo que os consome. A soja contém uma proteína altamente alergênica, grandes concentrações de fitatos (substâncias que inibem a absorção de nutrientes) e fitoestoestrógenos, que são compostos capazes de se ligarem aos receptores dos hormônios femininos, mas com ação mais fraca. Existem situações onde a ação de fitoestoestrógenos é benéfica, como em menopausa e osteoporose, e outras, em que esta traz efeitos indesejáveis, como puberdade precoce em meninas e ginecomastia em meninos.  Alimentos à base de soja floculados, como o tofu, ou fermentados, como o missô, são mais interessantes, pois possuem menor teor de fatores antinutricionais, e no caso dos fermentados, menor potencial alergênico da proteína.
 
Existem mitos que permeiam a ciência da nutrição, e muitos destes acarretam prejuízos à população, e devem ser desconstruídos. Qualquer ideia exagerada que seja difundida pelos meios de comunicação também é prejudicial, afinal, a chave para uma boa nutrição é respeitar equilíbrio entre os nutrientes e compostos bioativos e a individualidade de cada ser.
 
Referências bibliográficas:
 
ANDERSEN, C.J.; BLESSO, C.N.; LEE, J. et al. Egg Consumption Modulates HDL Lipid Composition and Increases the Cholesterol-Accepting Capacity of Serum in Metabolic Syndrome. Lipids; 48(6): 557-67, 2013.
RONG, Y.; CHEN, L.; ZHU, T. et al. Egg consumption and risk of coronary heart disease and stroke: dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. BMJ; 346: e8539, 2013.
KIM, H.O.; CHO, S.I.; KIM, J.H. et al. Food hypersensitivity in patients with childhood atopic dermatitis in Korea.  Ann Dermatol; 25(2): 196-202, 2013.
KLANGJAREONCHAI, T.; PUTADECHAKUM, S.; SRITARA, P. et al. The Effect of Egg Consumption in Hyperlipidemic Subjects during Treatment with Lipid-Lowering Drugs. J Lipids; 2012.
POLEDNE, R.  A new atherogenic effect of saturated fatty acids. Physiol Res; 62(2): 139-43, 2013.
GU, Y.; LAMBERT, J.D. Modulation of metabolic syndrome-related inflammation by cocoa. Mol Nutr Food Res; 2013.
ARRANZ, S.; VALDERAS-MARTINEZ, P.; CHIVA-BLANCH, G. et al. Cardioprotective effects of cocoa: Clinical evidence from randomized clinical intervention trials in humans. Mol Nutr Food Res; 2013.
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CELAKOVSKÁ, J.;  KAREL, E.; JAROSLAVA, V. et al. Allergy to soy in an adolescent suffering from atopic dermatitis. Indian J Dermatol; 58(3): 247, 2013.
SHEDD-WISE, K.M.;  ALEKEL, D.L.; HOFMANN, H. et al. The soy isoflavones for reducing bone loss study: 3-yr effects on pQCT bone mineral density and strength measures in postmenopausal women. J Clin Densitom; 14(1): 47-57, 2011.
LI, Y.; LIU, K; LEI, W. et al. Effect of soy isoflavones on peri-menopausal symptom and estrogen. Wei Sheng Yan Jiu; 39(1): 56-9, 2010.
 
Fonte: VP Online, Mitos e verdades da nutrição. Acesso em 03/10/2013.

CHOCOLATE AMARGO PODE REDUZIR LEVEMENTE A PRESSÃO SANGUÍNEA.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012 0 comentários
Pressão negativa
O consumo diário de chocolate escuro, ou amargo, pode ajudar a reduzir levemente a pressão sanguínea, segundo indica uma análise de 20 estudos

Os ganhos variaram entre 1,6% e 2,5% da pressão considerada normal.

A pesquisa foi feita pelo grupo Cochrane, uma colaboração internacional de milhares de especialistas que revisam estudos já realizados por outros cientistas.
Não foram avaliados "efeitos colaterais" do consumo da guloseima, que possui elevado teor de gordura, podendo incrementar o ganho de peso e colaborar com outras condições indesejáveis.
É por isto que cientistas vêm tentando, com algum sucesso, diminuir o índice de gordura do chocolate.
Estudos anteriores, mesmo os combinados pela análise Cochrane, haviam apresentando resultados variados.

Flavonoides
A conclusão consolidada dos estudos credita os efeitos benéficos do chocolate amargo ao cacau, principal ingrediente do chocolate, que relaxa os vasos sanguíneos.

A teoria é que o cacau contém flavonoides, que fazem o corpo humano produzir a substância química chamada óxido nítrico, que "relaxa" os vasos, facilitando a passagem do sangue e, por consequência, diminuindo a pressão sanguínea.

Efeitos colaterais do chocolate
Entretanto, especialistas dizem que há maneiras mais saudáveis de se diminuir a pressão do sangue já que o chocolate possui muita gordura e açúcar.
Há inclusive um alerta na publicação médica Lancet de que o chocolate escuro pode conter menos flavonoide do que se imagina já que a substância pode ser removida por ser amarga.

"É difícil saber ao certo a quantidade de flavonoide do cacau que seria necessária para que seja observado um efeito benéfico e qual a melhor forma de obtê-la", diz Victoria Taylor da Fundação Britânica do Coração (British Heart Foundation).
"As 100g de chocolate que precisariam ser consumidas diariamente, segundo alguns estudos, também viriam com 500 calorias. Isto é um quarto da recomendação diária para mulheres."
"Feijões, maçãs e outras frutas também contêm flavonoide e, mesmo vindo em menor quantidades do que no cacau, estas opções tem menos efeitos indesejáveis do que os encontrados no chocolate", disse ela.

Pressão alta
A quantidade diária de cacau consumida por cada participante variou de 3g a 105g, mas todos apresentaram uma leve redução na pressão.
Uma pressão sistólica de 120 mmHg (milímetros de mercúrio) é considerada normal. O cacau reduziu-a entre 2 a 3 mmHg.

Mas os estudos duraram apenas duas semanas, portanto os efeitos no longo prazo são desconhecidos.
Pressão alta é um problema comum, sendo relacionada com 54% dos ataques cardíacos em todo o mundo e 47% das doenças coronárias.

Fonte: Diário da Saúde, Chocolate amargo pode reduzir pressão sanguínea em 2%. Acesso em 16/08/2012.