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SELÊNIO PODE REDUZIR O RISCO DE DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS.

terça-feira, 17 de novembro de 2015 0 comentários
A nutricionista Bárbara Rita Cardoso, que avaliou o impacto do consumo de castanha-do-Brasil em pacientes com declínio cognitivo leve, venceu o prêmio Jovem Cientista deste ano, na categoria Mestre e Doutor. O trabalho premiado é fruto de sua tese de doutorado (Efeitos do consumo de castanha-do-brasil sobre o estresse oxidativo em pacientes idosos com comprometimento cognitivo leve e a relação com variações em genes de selenoproteínas) e foi defendida recentemente na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, sob a orientação da professora Silvia Maria Franciscato Cozzolino, pesquisadora do Centro de Pesquisas em Alimentos (FoRC).

Bárbara conta que vem estudando as relações entre doenças cognitivas e níveis de selênio no organismo desde o mestrado. “Percebi, no meu trabalho de mestrado, que pacientes com Alzheimer tinham deficiência nos níveis de selênio. Então surgiu a ideia do doutorado: fazer algum tipo de intervenção com castanha-do-Brasil na dieta de pessoas com risco aumentado de desenvolver demência”, explica Bárbara.

A castanha-do-Brasil foi escolhida porque é a fonte natural mais rica em selênio que existe. “Temos trabalhado com a castanha-do-Brasil há mais de 15 anos, procurando avaliar seu impacto no organismo diante da ocorrência de diferentes doenças, como diabetes, doenças cardiovasculares, insuficiência renal crônica... E agora estamos testando seu efeito junto a pacientes com doenças neurodegenerativas”, relata Silvia Cozzolino, coordenadora do Laboratório de Nutrição e Minerais da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. 

Ela esclarece que o selênio é um antioxidante que atua em conjunto com a vitamina E no combate aos radicais livres. “Tem de haver equilíbrio, no organismo, entre a formação de radicais livres e os antioxidantes capazes de combatê-los”, resume a professora. 

Para viabilizar a intervenção com castanha, Bárbara selecionou os 31 pacientes que participariam de uma pesquisa entre os usuários do Ambulatório de Memória do Idoso, do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP), e dividiu-os aleatoriamente em dois grupos: um que recebeu castanha e outro que não recebeu. “No início do estudo, 99% dos participantes tinham deficiência de selênio”, lembra ela.
A intervenção durou seis meses, e cada integrante do grupo escolhido para ingerir a noz recebia uma por dia. “Fizemos uma coleta de sangue e uma avaliação cognitiva no início do processo, e após seu término. 

A primeira constatação foi que, no grupo que recebeu a castanha, a deficiência de selênio desapareceu. Além disso, a enzima glutationa peroxidase, que combate os radicais livres e é totalmente dependente dos níveis de selênio, também teve sua atividade aumentada”, diz Bárbara. 

Outro resultado promissor foi que o grupo que recebeu a noz teve desempenho melhor em dois dos cinco testes cognitivos aplicados após a ingestão da dieta suplementada com castanha. “Eles melhoraram significativamente nos testes de fluência verbal, em que eram chamados a se lembrar de nomes de animais, e de praxia construtiva, em que deviam copiar desenhos previamente apresentados pelo neuropsicólogo responsável pela aplicação das avaliações”, conta Bárbara.

Segundo Sílvia, os trabalhos envolvendo a castanha vêm possibilitando descobertas valiosas. “O mais importante é que o selênio tem propriedades que podem reduzir o risco de aparecimento de algumas doenças.” 
Bárbara está atualmente na Austrália, onde participa de um estudo sobre Alzheimer, envolvendo mais de mil pessoas. “Minha colaboração é tentar identificar marcadores relacionados ao selênio que podem indicar o desenvolvimento futuro do mal de Alzheimer”, relata.

Fonte: USP.

13 MOTIVOS PARA CONSUMIR CASTANHAS.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015 0 comentários
Um estudo publicado na revista científica Nutrients, com 14.386 adultos, revelou que pessoas que consumiam castanhasdiariamente possuíam um melhor aporte nutricional do que aquelas que não incluíam o alimento no cardápio. Entre os tipos de castanhas que existem na praça, merece destaque a castanha-do-pará. Também conhecida como castanha-do-brasil, essa delícia é fonte de vitaminas do complexo B e E, além de minerais como zinco, selênio, magnésio, cálcio e potássio. Graças seus nutrientes, a castanha é capaz de colaborar com o funcionamento de diversas atividades do corpo ede prevenir doenças.

Conheça, a seguir, seus principais benefícios!
1 . Previne tumores
O processo natural de respiração produz os radicais livres, moléculas instáveis que se ligam a estruturas como DNA, membrana lipídica das células e enzimas. Com isso, modifica sua configuração e dá origem as mutações. “A partir daí, a célula pode começar a se replicar de maneira inadequada e acelerada. Esse é o princípio no desenvolvimento de câncer”, explica Natália Colombo, nutricionista (SP). O alimento auxilia na prevenção de tumores graças à atuação do selênio no funcionamento da enzima glutationa peroxidase, que é capaz de neutralizar os radicais livres. Já a vitamina E nela contida também possui ação antioxidante.

2 . Fortalece a imunidade
A castanha-do-pará é fonte de zinco, mineral essencial para a manutenção do sistema imune, especialmente para o funcionamento das células T. Esses glóbulos brancos responsáveis por defender o corpo de ameaças. “Além disso, na deficiência de selênio é observada maior produção de substâncias pró-inflamatórias por nosso corpo. Assim o sistema imunológico fica sobrecarregado e mais fraco”, explica Natália Colombo.

3 . Diminui a fome
A castanha é uma boa pedida de lanche da manhã ou da tarde por aumentar a saciedade, evitando que você assalte a geladeira antes das refeições principais. Isso porque ela oferece gorduras poli-insaturadas, que possuem digestão e absorção mais lentas.

4. Melhora a função cognitiva
Uma pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Universidade de São Paulo (USP), revelou que o consumo diário da castanha-do-pará atua positivamente sobre as funções cognitivas de idosos com comprometimento cognitivo leve (CCL). O problema predispõe ao aparecimento de Alzheimer e prejudica a atenção, a percepção, a memória, o raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem. Para comprovar isso, 20 idosos com diagnóstico de CCL foram separados em dois grupos, sendo que apenas um deles recebeu a instrução de consumir uma castanha-do-pará por dia.

Desses participantes, 95% apresentavam deficiência de selênio. “Todos passaram por uma bateria de testes cognitivos antes e depois da intervenção com a castanha. O grupo que recebeu a castanha teve melhora na praxia construtiva e na fluência verbal”, descreve Bárbara Cardoso, nutricionista responsável pelo estudo. Os resultados da pesquisa sugerem a influência do selênio na saúde neurológica. “Ele combate os radicais livres, que têm participação na fisiopatologia da doença de Alzheimer”, reforça a autora.

5. Garante juventude
Os radicais livres são conhecidos por acelerar o processo de envelhecimento. Assim, graças à atividade antioxidante do selênio e da vitamina E, o aparecimento das rugas também é prevenido.

6 . Colabora com a tireoide
A castanha-do-pará possui selênio e zinco, que impactam positivamente a saúde da tireoide. Essa glândula em formato de borboleta está localizada na região do pescoço e é responsável por produzir os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). No corpo, ela regula funções de órgãos como cérebro, coração, fígado e rins. “A conversão periférica de T4 em T3 é regulada pelas enzimas iodotironina deiodinases tipo I, as quais são dependentes de selênio. Já a do tipo II é dependente de zinco no processo de transformação do T4 em T3”, esclarece Natália Colombo.

7 . Traz energia no dia a dia
As estrelas aqui são as vitaminas do complexo B, que ajudam a converter os alimentos consumidos em combustível para as atividades do corpo e ainda espantam a fadiga por tabela.

8. Afasta a depressão!
A castanha conta com o triptofano, aminoácido precursor da serotonina, responsável pela sensação de bem-estar. “Seus níveis dependem da quantidade de triptofano”, explica Vanessa Suzuki, docente do curso de Nutrição da Universidade Anhembi Morumbi (SP). A vitamina B6 e o magnésio, também presentes na castanha, também ajudam nesse processo.

9. Blinda o coração
Segundo uma pesquisa realizada em Harvard, trocar 5% das calorias do cardápio extraídas de gorduras saturadas (carne vermelha) por gorduras poli-insaturadas (presentes na castanha) diminui em 9% o risco de doenças coronárias.O estudo mostrou que o novo hábito reduziu o colesterol total e o LDL, também conhecido por colesterol ruim.

10. Eleva a absorção de nutrientes
Vitaminas A (cenoura, manga), D (peixes) e K (verduras) são chamadas de lipossolúveis por dependerem de gordura para serem transportadas e absorvidas. A castanha colabora com esse processo, fornecendo boa cota de gorduras insaturadas (gorduras boas). “Aproximadamente 100 g dela possuem 63,5 g de lipídeos, prevalecendo os que apresentam benefícios cardiovasculares”, explica a nutricionista Vanessa.

11. Fortalece os ossos
É verdade que a castanha possui uma quantidade modesta dessa dupla de minerais, mas sua presença pode dar uma força para os ossos. O magnésio participa da fixação do cálcio nos ossos, prevenindo a osteoporose.

12. Previne o diabetes
Artigo publicado em 2004 na revista Diabetes Care sugeriu uma redução no risco de desenvolvimento de diabetes do tipo 2 em pessoas que consumiam boas doses de magnésio. A hipótese é que ele atue no metabolismo da glicose e influencie na secreção da insulina também.

13. Evita espasmo muscular
A castanha-do-pará é uma boa pedida para atletas e pessoas que praticam atividades físicas. O motivo? O magnésio contribui para o relaxamento muscular e previne espasmos e tensões que podem levar a quadro de dores.

OLEAGINOSAS E FRUTAS SECAS.

quinta-feira, 27 de março de 2014 0 comentários
As frutas secas e oleaginosas, muito apreciadas por pessoas de diferentes faixas etárias, são comumente ingeridas sozinhas ou como parte de diversos tipos de preparações muito consumidas nas festas de final de ano.
 
As frutas oleaginosas, como nozes, amêndoas, castanhas, avelãs, entre outras, são bastante conhecidas pelo seu alto teor calórico, porém podem trazer também diversos benefícios para a saúde, não devendo ser excluídas das dietas do dia a dia, pois fornecem gorduras mono e polinsaturadas, que são fundamentais para o bom funcionamento do organismo.
 
Nozes e Macadâmia
As nozes e as sementes são as fontes mais ricas em vitamina E, necessária para a formação de glóbulos vermelhos e de tecido muscular. É também um antioxidante importante, que pode proteger contra as doenças do coração. A maioria das nozes são grandes fontes de potássio, sendo ricas também em vitaminas do complexo B. Embora a maioria das nozes e sementes serem ricas em gordura, muitas fornecem uma boa quantidade de proteína, especialmente quando combinadas com leguminosas. Destaca-se como a mais calórica das oleaginosas, a macadâmia, pois possui mais de 1.000 calorias por xícara, porém possui também uma quantidade significativa de fibras, e vitamina B1.
 
Castanha do Pará
Destaca-se por ser bastante calórica, ficando atrás apenas da macadâmia, seu diferencial, no entanto, é possuir gorduras do tipo ômega-3, cujo consumo contínuo pode prevenir patologias. Além disso, é uma grande fonte de selênio, um antioxidante essencial para o funcionamento do cérebro.
 
Avelãs e amêndoas
Ambas contém cerca do mesmo valor calórico, sendo que ambas possuem uma quantidade significativa de nutrientes diferentes. Meia xícara de amêndoas por exemplo, fornece mais que o dobro das necessidades diárias de vitamina E, um importantíssimo antioxidante para o nosso corpo, sendo também ricas em potássio. As avelãs por sua vez são ricas em cálcio, vitamina E (antioxidante).
Alimento Calorias GordurasTotaisPrincipais vitaminasFibras
Macadâmia70273,7gB15,31g
Nozes651 64gA , C 2,1g
Amêndoas58952,2gácido fólico, niacina9,5g
Castanha do Pará65666,20gE, ácido fólico5,93g
Castanha de Cajú57446,4gácido fólico, E3,02g
 
Frutas Secas
As frutas secas, ao contrário das frutas frescas, representam uma fonte mais concentrada de calorias (devido a sua concentração ainda maior do açúcar da fruta, frutose), fibras e alguns nutrientes, além de serem leves e não perecíveis. Elas contém cerca de 3 a 25% de carboidratos, fração esta, composta basicamente de açúcares simples, pectina, amido e celulose (fibra).
Os figos e as ameixas contém laxativos naturais, além de grandes quantidades de fibras. Apesar de serem tradicionalmente usadas contra prisão de ventre, o consumo excessivo das ameixas, pode provocar diarréia.
 
As frutas secas são obtidas pela perda parcial da água da fruta madura, inteira ou em pedaços, podendo sua secagem ser mecânica ou pelo sol. Durante o processo de secagem das frutas, parte da vitamina C e do betacaroteno podem ser perdidos, principalmente se as frutas forem secas ao sol.
Devido a seu teor calórico ser maior que o das frutas frescas, devemos tomar cuidado com o excesso no consumo destas frutas, procurando consumir uma quantidade não muito exagerada.

Fruta Fresca (100g)
Calorias
Fibras
Fruta Seca (100g)
Caloria
Fibras
Ameixa vermelha
55kcal
1,95g
Ameixa seca
239kcal
9,25g
Abacaxi
49kcal
1,20g
Abacaxi desidratado
150kcal
3,34g
Damasco
48kcal
1,41g
Damasco seco
238kcal
7,8g
Figo
74kcal
3,30g
Figo seco
255kcal
9,30g
Mamão Papaya
39kcal
1,80g
Mamão Papaya desidratado
180kcal
5g


Fonte:
RG Nutri, acesso em 27/03/2014.

UMA CASTANHA POR DIA.

terça-feira, 12 de novembro de 2013 0 comentários
Cresce o número de estu­dos relaciona­dos­ à castanha-do-brasil – até pouco tempo chamada de castanha-do-pará, por ter a maior produção naquele Estado­ do Norte do País – e esse aumento é justifi­ca­do pela quantidade de benefícios que o alimento traz para a saúde. Por conter grande concentração de selênio, a castanha tem propriedades antioxidantes e o consumo diário de uma única noz contribui para o bom funcionamento da tireoide e para o processo de desintoxicação do organismo. Além disso, com alto teor de lipídeos, o óleo extraído da castanha, quando adicionado ao creme­ dental, ajuda na prevenção da placa bacteriana.
 
O selênio, mineral descoberto em 1817, já foi considerado cancerígeno e altamente tóxico. Entretanto, hoje sabe-­se que é essencial para a saúde em quantidades mínimas, pois contribui para diversas funções do organismo, além de combater o envelhecimento celular por acionar as enzimas que combatem os radicais livres. “A principal função é ser antioxidante, mas o selênio também participa da conversão de T4 em T3 (hormônio mais ativo da glândula da tireoide envolvido no crescimento e desenvolvimento humano), pro­teção contra a ação nociva dos metais pesados e xenobióticos, e redução do risco de doenças crônicas”, enumera a nutricionista Silvia Cozzolino, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP).
 
Em pesquisa de doutorado realizada na FCF-USP, a nutricionista Bárbara Rita Cardoso, doutoranda em Ciência dos Alimentos, constatou que pacientes com Doença de Alzheimer tinham grande deficiência de selênio se comparados com idosos saudáveis. No momento, a pesquisadora avalia a atividade da enzima glutationa peroxidase (antioxidante dependente de selênio) em idosos com declínio cognitivo leve, que têm maior risco de desenvolver a doença. Esta fase começou em 2011 e, atualmente, 30 idosos participam do estudo, distribuídos em dois grupos, sendo que apenas um come diariamente uma castanha-­do-brasil. “Até o momento, o grupo que não recebe a suplementação não teve alteração no estado nutricional relativo ao selênio, nem na atividade da enzima. Mas os estudos epidemiológicos sugerem que quem tem uma quantidade melhor de selênio na alimentação tem risco menor de desenvolver Alzheimer”, explica a doutoranda. O estudo será finalizado no fim deste ano e a expectativa é que o consumo diário da castanha melhore o estresse oxidativo, que está relacionado ao surgimento da doença. 
 
Obesos

Uma vez que indivíduos obesos são predispostos a apresentar de­fi­ciência de selênio e perfil lipídico alterado, a nutri­cionista e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Cristiane Cominetti, realizou pesquisa, em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-­FMUSP), para verificar se o consumo de uma castanha-do-brasil por dia seria suficiente para promover benefícios no status de selênio, na atividade enzimática antioxidante, no perfil lipídico e no risco cardiovascular de mulheres em idade reprodutiva com obesidade grave que aguardavam a cirurgia bariátrica. As voluntárias consumiram uma castanha por dia por dois meses.
 
Os principais resultados foram relacionados a um aumento significativo nas concentrações sanguíneas de selênio e na atividade da enzima antioxidante glutationa peroxidase. Além disso, houve melhora no perfil lipídico sérico, com aumento significativo nas con­centrações de HDL-c. “Esta redução foi suficiente para melhorar o perfil de risco cardiovascular das pacientes, avaliado pelas razões colesterol total/HDL-c e LDL-c/HDL-c”, complementa.
 
Apesar de todos os benefícios, é importante estar atento à quantidade de castanha ingerida, pois apenas uma unidade é suficiente devido à alta concentra­ção de selênio, cuja recomenda­ção é de 55µg por dia. Uma noz, que tem de 3 a 5 gramas, pode chegar a ter 30µg até 115µg do mineral. “O excesso pode ge­rar intoxicação e sintomas como distúrbios gastrointestinais graves, odor de alho exalado pelas vias respiratórias, bem como danos no cabelo e nas unhas”, alerta a professora Silvia Cozzolino.
 


 
Óleo da castanha reduz placa bacteriana
 
Estudo realizado na Pontifícia Universitária Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) demonstrou que a adição de óleo de castanha- do-brasil no creme dental promove redução do biofilme dentário (BD), chamado de placa bacteriana. A pesquisa foi baseada na efetividade dos óleos essenciais no controle do BD e no levantamento bibliográfico que mostram a eficiência em alguns problemas odontológicos. A opção de utilizar um óleo com alta concentração em lípides foi pelo fato de que alimentos gordurosos e oleosos­ interferem favoravelmente na inibição da formação do biofilme dentário, podendo formar uma barreira protetora sobre o esmalte. Os pesquisadores optaram pelo óleo de castanha-do-brasil (Brazil Nut Oil) porque, além de possuir elevado valor calórico e nutrientes essenciais para o organismo nos processos fisiológicos e bioquímicos do tecido epitelial, é de fácil extração e aquisição.
 
A dentista e autora da pesquisa, Cintia Buldrini Filogônio, explica que os óleos essenciais têm certa atividade na inibição do BD e, consequentemente, na prevenção e controle de cáries dentárias, pois são compostos fenólicos que agem especificamente sobre as bactérias, não havendo o desequilíbrio da microbiota ou proliferação de microrganismos oportunistas. “Portanto, agem rompendo a parede celular bacteriana, inibindo os sistemas enzimáticos e diminuindo os lipo­po­lissacarídeos e o conteúdo proteico do biofilme bacteriano. Com isso, reduzem os sinais clínicos de inflamação na gengiva, afetando a formação do BD e diminuindo a síntese de prostaglandinas e a quimiotaxia para os neutrófilos”, complementa.
 
O estudo duplo-cego teve participação de 30 estudantes voluntários do segundo período da Faculdade de Odontologia da PUC-Minas, distribuídos em três grupos. O primeiro recebeu creme dental original disponível no mercado; o segundo e o terceiro receberam tubos contendo o mesmo dentifrício, mas, com 10% em volume de óleo mineral ou de óleo vegetal de castanha-do-brasil. Os resultados demonstraram que a adição dos óleos mineral e vegetal contribuiu para a significante redução do Índice de Higiene Oral Simplificado (IHO-S), o que po­de justificar sua inclusão como adjuvante no controle químico do biofilme dentário. “O óleo de castanha-do-brasil demonstrou ser eficaz na redução da formação do biofilme dentário e, associado aos procedimentos mecânicos de higiene oral, poderia ser utilizado para prevenir cáries e doenças periodontais”, afirma a pesquisadora. No entanto, esta hipótese ainda deverá ser testada cientificamente e mais estudos são necessários para novas comprovações. 
 
Fonte: Yakult - Super Saudável, acesso em 12/11/2013.