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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 0 comentários

MICROBIOTA INTESTINAL E INFLAMAÇÃO CRÔNICA.

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Flora intestinal
Pesquisadores da Unicamp estão apontando para as bactérias presentes no intestino humano como uma nova linha de investigação sobre obesidade e diabetes.
Em 2006, um estudo publicado na revista Nature mostrou que obesos e magros tinham um tipo diferente de flora intestinal.
Há três anos, o grupo brasileiro começou a investigar o mecanismo pelo qual uma mudança na flora intestinal poderia ter influência na obesidade e na resistência à insulina.

Receptores tipo Toll
Dois dos candidatos para mediar os efeitos da flora intestinal no metabolismo são os receptores TLR2 e TLR4, proteínas codificadas por um gene da família chamada de tipo Toll (receptores similares ao Toll), um trabalho premiado com o prêmio Nobel de Medicina deste ano.

O TLR2, uma proteína receptora presente na membrana de determinadas células, desempenha um papel no sistema imunológico.
Ele reconhece antígenos e transmite "sinais" para as células do sistema imunológico.

O TLR4 também é um receptor do sistema imunológico. Ele detecta principalmente lipopolissacarídeos (LPS), componentes presentes na parede celular das bactérias gram-negativas existentes no intestino.

"O animal obeso tem o receptor TLR4 ativado. A primeira coisa que encontramos nesse animal foi um LPS elevado. O LPS elevado aumenta absorção de energia que se acumula em forma de gordura. Fomos então procurar de onde vinha esse LPS elevado e os candidatos diretos foram as bactérias do trato gastrointestinal", explica o orientador das pesquisas, Dr. Mario José Abdalla Saad.

Inflamação crônica
Os vários estudos que levaram a esta conclusão, todos publicados em revistas internacionais, tornaram cada vez mais evidente que a resistência à insulina, induzida pela obesidade, está associada com uma inflamação crônica do tecido adiposo, músculos esqueléticos e órgãos internos como o fígado.

Os estudos mais recentes do grupo mostram que uma mutação no receptor TLR4 tem um papel central na ligação entre a resistência à insulina, inflamação e obesidade.

As concentrações de LPS aumentam significativamente após a ingestão de refeições de alto teor de gordura e carboidratos. A ingestão de gordura leva ao aumento da permeabilidade intestinal, porque o LPS é solúvel em gordura.
Segundo o pesquisador Alexandre Gabarra Oliveira, enquanto o índice de LPS circulante no obeso equivale a 0,5 EU/ml, no magro, esse valor é de 0,05 EU/ml.

Bactérias no intestino
Existem aproximadamente 100 trilhões de bactérias no intestino, representando de 400 a 1.000 espécies.

O conjunto de bactérias que habitam o trato gastrointestinal é chamado de microbiota.

Essas bactérias possuem a capacidade de extrair mais ou menos energia dos alimentos. Elas possuem enzimas capazes de digerir carboidratos complexos - polissacarídeos - transformando-os em carboidratos mais simples que são absorvidos e utilizados ou armazenados pelo organismo.
A partir da hipótese que a flora intestinal do obeso e do magro é diferente, tanto em humanos como em roedores, o biomédico Bruno de Melo Carvalho buscou uma forma para modular a flora intestinal e comprovar a relação desta com a resistência à insulina e com a obesidade. A estratégia foi usar antibióticos.

O grupo de animais sem os antibióticos adquiriu todos os componentes de resistência à insulina induzidos por obesidade - inflamação, intolerância à glicose e perda de sensibilidade à insulina.

"O animal tratado com antibiótico teve todos os componentes fisiológicos melhorados em relação ao animal que apenas recebeu dieta rica em gordura. Tanto no fígado, músculo e tecido adiposo, a ativação de todas as proteínas das vias de sinalização da insulina foi melhorada em relação aos animais que não foram tratados", disse Bruno.
Com o tratamento com antibióticos, o pesquisador conseguiu reduzir o número de bactérias no intestino e essa queda proporcionou uma redução dos níveis de LPS circulante, o que resultou na ativação menor do TLR4 e redução na inflamação desse animal, ocasionando melhora na sensibilidade à insulina.

Microbiota
A pesquisa da bióloga Andrea Mora Caricilli foi a peça que faltava para entender a relação entre a flora intestinal e a obesidade.
Ela utilizou um grupo de camundongos modificados geneticamente para a não expressão do receptor TLR2, chamados nocaute.

Estudos publicados anteriormente por outros pesquisadores apontam que a ausência do TLR2 leva a um aumento da sensibilidade à insulina.

Entretanto, ao contrário do que mostram esses estudos, não foi isto que ela encontrou.

"Percebemos que o camundongo nocaute tinha um aumento da concentração de lipopolissacarídeo em comparação aos animais controle. Esse aumento nos levou a investigar qual era a composição da flora intestinal. Observamos que a flora intestinal desses animais tinha uma maior proporção de Firmicutes, como se observa nos obesos", explicou Andrea.

De acordo com a pesquisa, as mudanças na microbiota intestinal foram acompanhadas por um aumento na absorção de LPS, inflamação subclínica, resistência à insulina, intolerância à glicose e, mais tarde, obesidade.

Para comprovar essa teoria, Andrea tratou os camundongos nocaute para o TLR2 com antibióticos de largo espectro, o que dizimou a microbiota intestinal e resgatou o fenótipo metabólico do animal, assemelhando-se ao que se observa nos camundongos controle.

Em seguida, transplantou a microbiota dos camundongos nocaute para o TLR2 para camundongos controles com uma microbiota bastante simplifica e passou a alimentá-los com ração padrão. Os animais começaram a desenvolver obesidade e resistência à insulina.

Conclusões
"Toda regulação do sistema imunológico na flora intestinal, o crescimento e predominância de um tipo de bactéria dependem do alimento que você consome e do ambiente em que você está inserido.

"Dependendo da flora intestinal estabelecida no seu organismo, haverá uma menor ou maior absorção de gordura e uma maior ou menor propensão ao desenvolvimento da inflamação subclínica e da resistência à insulina. Ainda não está esclarecido como ocorre a seleção bacteriana no intestino", concluiu a pesquisadora.

"A obesidade tem um componente genético e ambiental, mas a flora intestinal é mais importante do que pensávamos.

"Se eu pegar uma flora intestinal de um animal obeso e transplantar para um animal magro, esse animal é capaz de desenvolver obesidade. Uma dieta calórica com alto teor de gordura e pouca fibra modula as bactérias da flora intestinal e facilita a instalação da obesidade," concluiu Saad.

Fonte: Diário da Saúde, 23/12/2011. Bactérias no intestino estão ligadas à obesidade e diabetes. Com informações do Jornal da Unicamp.

DESTINO.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 0 comentários

CEIA SAUDÁVEL.

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Festa de final de ano poderia ser sinônimo de culpa. Culpa porque bebeu demais e a alegria induzida pelo álcool fez você exagerar na festa da empresa. Culpa porque comeu demais e vai ter trabalho redobrado para perder os quilinhos extras no verão. Culpa porque alguém passou mal quando comeu a “iguaria culinária” que você tentou fazer. Culpa porque não bebeu e não comeu quanto gostaria e não foi tão feliz quanto os que se permitiram abusar. Mas é possível equilibrar culpas e diversão e manter a saúde nas festas de fim de ano. Conheça as dicas de especialistas para participar das confraternizações de maneira saudável.

Comer bem – e sem estragar o regime
Não é fácil começar uma dieta neste período do ano. Mas é possível aproveitar o cardápio das festas sem ter que correr muito atrás do prejuízo depois. Os aperitivos costumam ser tão calóricos quanto os pratos principais. É comum se perder na quantidade de salames, azeitonas, amendoins e batatinhas ao conversar com os amigos e familiares. “Dê preferência às frutas para fugir dos aperitivos calóricos”, afirma Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade.

As especialidades de final de ano como chocotones e rabanadas são altamente calóricas. “É aconselhável que a pessoa se alimente antes das festas. Uma refeição moderada impede abusos”, afirma Coutinho. “O consumo excessivo de carne de porco, a ausência de fibras, o abuso de doces e a ingestão exagerada de álcool são os principais vilões da saúde nas festas de final de ano” afirma Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração.

Dicas
- Evite maionese e pratos com molhos. Ou, pelo menos, não exagere.
- Escolha apenas um tipo de carboidrato no prato. Normalmente são diferentes tipos de arroz e farofas de acompanhamento.
- Procure preencher o prato com um tipo de carne branca. Divida o prato: metade com saladas e o restante com acompanhamentos saudáveis. Escolha apenas um tipo de sobremesa e opte por frutas que auxiliam na digestão, como o abacaxi.
- Lembre-se de que os chocotones são mais calóricos do que os panetones tradicionais com frutas cristalizadas.

Dá para beber sem estragar a diversão
O consumo de álcool é o principal responsável por acidentes no trânsito. No Brasil, 47% das mortes no trânsito estão ligadas à bebida. Por isso, além dos problemas de saúde, beber com moderação, respeitando os seus limites, pode significar poupar vidas. Não vá de carro para as festas. Se for necessário, peça um táxi.

As bebidas alcoólicas também afetam a balança. Elas são altamente calóricas. “O vinho é a bebida que menos contribui para ganho de peso”, afirma Coutinho.

Para evitar intoxicação alimentar
Os alimentos podem estar contaminados por bactérias e não apresentar cheiro, gosto ou aparência de estragado. Para prevenir contaminação e uma possível intoxicação alimentar, mantenha-os refrigerados o maior tempo possível. “O ideal é deixá-los dentro da geladeira”, afirma Maria Bernadete de Paula Eduardo, responsável Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentos da Secretaria do Estado de São Paulo.

Se você for preparar a ceia de natal, ou quiser fazer algum prato para outras festas, fique atento às seguintes orientações:
- Lave as mãos antes de cozinhar
- Conheça a origem dos alimentos que você pretende preparar em casa ou fora
- Tente preparar a quantidade exata de alimentos que sua família e amigos vão consumir
- Lave frutas e verduras com água corrente antes do consumo. Caso seu prato seja servido com vegetais crus, deixe-os de molho por 15 minutos em produto indicado para desinfecção, como hipoclorito de sódio
- Uma cozinha limpa terá menos chance de contaminação
- Conserve os alimentos em local apropriado
- Evite misturar alimentos de origens diferentes, como carnes e verduras, no mesmo compartimento da geladeira ou em cima da pia
- Não use a mesma faca na preparação de diferentes alimentos
- Cozinhe, asse ou frite muito bem os alimentos a serem consumidos. Sempre aqueça as sobras antes de ingeri-las.
- Verifique se o produto comprado no supermercado está limpo e confira a data de validade. Certifique-se de que o lacre não está rompido e de que não há furos na embalagem. Veja se o alimento possui certificação, como o do SIF (Serviço de Inspeção Federal) no caso das carnes
- A demora para servir a ceia pode deixar molhos e maioneses expostos ao calor e isso facilitará a contaminação. Mantenha-os refrigerados
- Em restaurantes, observe com atenção a higiene do local. Comidas em buffet, se não estiverem quentes ou refrigeradas adequadamente, oferecem mais riscos de contaminação


Fonte: ÉPOCA, Aproveite as festas de final de ano com saúde. Acesso em 21/12/2011.

DIETA DO MEDITERRÂNEO E LONGEVIDADE.

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Pessoas que seguem a dieta do Mediterrâneo aumentam sua longevidade - sua chance de esticar o tempo de vida cresce até 20%. É o que aponta um estudo conduzido pela Academia Sahlgrenska, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

A dieta do Mediterrâneo é uma alimentação baseada em peixes, vegetais, castanhas e frutas. Há ainda um baixo consumo de produtos animais, como carnes vermelhas e brancas, além de laticínios. Estudos conduzidos desde a década de 1950 já vinham demonstrando que essa dieta leva a uma melhor saúde.

No estudo atual, os pesquisadores de Sahlgrenska estudaram os efeitos da dieta em pessoas idosas na Suécia. Eles usaram um levantamento chamado H70 para poder comparar idosos acima dos 70 que faziam e que não faziam a dieta do Mediterrâneo. Os resultados da pesquisa apontam que aquelas pessoas que seguem a dieta têm 20% a mais de chances de viverem mais anos.

Evidências científicas - Os resultados têm apoio em outros três ainda não publicados: um realizado em pessoas da Dinamarca, o segundo no norte da Suécia e o terceiro em crianças. “A conclusão que podemos tirar desses estudos é que não existe dúvida de que a dieta do Mediterrâneo está relacionada a uma saúde melhor, não apenas para os idosos, mas também para os jovens”, diz Gianluca Tognon, cientista da Academia.

Fonte: VEJA, Dieta do Mediterrâneo leva a uma vida mais longa. Idoso que segue a dieta tem 20% mais chances de viver por mais tempo. Acesso em 21/12/2011.

PAPEL DOS GENES, DISTINTO DE PESSOA PARA PESSOA.

sábado, 17 de dezembro de 2011 0 comentários
Papel dos genes
Por mais que as manchetes estejam repletas de "gene disso" e "gene daquilo", o fato é que o papel dos genes é muito menos determinístico do que se faz crer.
Na verdade, a vasta maioria das desordens genéticas - seja esquizofrenia ou câncer de mama, por exemplo - têm efeitos diferentes em cada pessoa.
Mais do que isso, um indivíduo portador de uma determinada mutação genética pode desenvolver a doença, enquanto outra com a mesma mutação não a desenvolve.

E isso vale até mesmo quando são comparados dois gêmeos idênticos, que têm genomas idênticos.
Há poucos dias, por exemplo, cientistas anunciaram que as células herdam informações que não estão no DNA.

Mais complicado do que parecia
Mas, então, isso significa que as informações genéticas não têm valor?
Também não é assim, embora agora já seja claro que apenas o mapeamento do genoma não ajuda muito a prevenir doenças ou preservar a saúde de uma pessoa.
A rigor, os cientistas descobriram que as coisas são um pouco mais complicadas do que eles haviam pensado a princípio.

O genoma não é tudo
Os cientistas concluíram que, mesmo que cheguemos a entender completamente todos os genes que influenciam o surgimento de uma determinada doença, poderemos nunca ser capazes de prever o que vai acontecer com cada pessoa olhando apenas seu genoma.

Mais importante do que isso será descobrir o que faz com que cada gene seja expresso ou não em cada indivíduo.
Sem isso, as promessas de uma medicina personalizada ou preditiva são infundadas, porque o genoma sozinho não é capaz de dizer o que vai ou não acontecer ao longo da vida de uma pessoa em termos de suas chances de desenvolver ou não qualquer doença que seja.

Genética e ambiente
Há décadas os cientistas vêm estudando o papel que a variabilidade genética (mutações) e o ambiente (hábitos alimentares, estilo de vida etc.) têm no desenvolvimento das doenças.

"Contudo, diferenças ambientais e genéticas não são o suficiente," afirma o Dr. Alejandro Burga, um dos autores de um estudo patrocinado pelo Conselho Europeu de Pesquisas.

Os estudos mais recentes demonstraram que a expressão genética - a extensão na qual um gene está "ligado" ou "desligado" - varia enormemente entre indivíduos, mesmo na ausência de variações genéticas ou ambientais.

"Duas células não são completamente idênticas e, algumas vezes, essas diferenças têm sua origem em processos aleatórios. Os resultados do nosso estudo mostram que esse tipo de variação pode ajudar a prever a chance de desenvolvimento de um fenótipo anormal - uma doença," diz o pesquisador.

A pesquisa foi publicada na revista Nature.

Fonte: Diário da Saúde, 17/12/2011. O mesmo gene que mata uma pessoa pode não afetar outra.