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FRUTAS: CONSUMIR ANTES, DURANTE OU APÓS AS REFEIÇÕES?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016 0 comentários
Diversas informações deixam o leitor confuso quando o assunto é “frutas”.

Algumas linhas de alimentação preconizam que elas sejam consumidas isoladamente. Outras sugerem que sejam utilizadas sempre com as refeições principais, mas para uns antes e para outros depois.
Vamos conversar sobre esse tema.

O funcionamento do estômago
O estômago tem a capacidade de acomodar cerca de 1500 mL numa única refeição.

Quando o alimento ingerido chega ao estômago, diversos estímulos são desencadeados para que ele possa misturar esse alimento, digerir os nutrientes e encaminhar o seu conteúdo para frente (para o intestino).

No momento que ingerimos o alimento ocorre o processo de acomodação e relaxamento na sua região mais alta (próxima do esôfago) para receber o que foi ingerido. Nesse processo há diversos mecanismos relacionados ao sistema nervoso central. Quando estamos descontraídos, essa acomodação é mais eficiente e os estímulos para produção das enzimas digestivas (do estômago e dos demais órgãos relacionados à digestão) se torna mais pronunciado. Por isso, faça as suas refeições em local calmo e com a mente tranqüila.

A parte mais baixa do estômago (próxima do intestino) "tritura" o alimento. Os seus movimentos começam cerca de 5 a 10 minutos após a ingestão da refeição e persiste enquanto há alimentos nele. Essa parte do estômago procura reduzir o tamanho dos alimentos para menos de 2 milímetros, pois só assim eles são “autorizados” a passar para o intestino.

Portanto, alimentos mal mastigados exigem mais atividade do estômago e demoram mais para serem liberados para o intestino e digeridos. Portanto, mastigue!!

O esvaziamento do estômago
De forma geral, após uma refeição, o alimento permanece 1 a 5 horas no estômago.

Para que o alimento saia do estômago existem algumas regras:
Quando a refeição ingerida é líquida: o esvaziamento ocorre a partir do momento que chega ao estômago.
Quando a refeição é quase líquida (contém alguns pedaços): o início do esvaziamento se dá após cerca de 5 minutos.
Quando a refeição é sólida: o esvaziamento começa após 20 minutos.
Os alimentos que contêm as seguintes característicasretardam o esvaziamento : ácidos, alta osmolaridade (muito doce ou salgado), ricos em calorias, elevado teor de fibras, elevado teor de gordura. Alimentos mal mastigados também demoram mais para sair do estômago.
Calorias - regra geral: o estômago libera para o intestino cerca de 200 calorias por hora

Isso tudo quer dizer que o tempo e a velocidade de esvaziamento do estômago é dependente de diversos fatores. A ingestão de um líquido ácido e que tenha maior osmolaridade (suco de limão com açúcar, por exemplo), tem um tempo de permanência maior no estômago, sendo diferente da ingestão de um copo de água (que também é líquida).

Combinações
O que conversamos anteriormente nos dá a base mínima necessária para conversarmos sobre as frutas com as refeições, ou longe delas.

De forma geral, um benefício muito importante para a saúde é a união, na mesma refeição, de alimentos ricos em ferro com vitamina C, pois isso favorece a absorção de ferro. A combinação clássica são as frutas com os demais alimentos, especialmente os feijões, cereais integrais e verduras. Afastar as frutas das refeições principais envolve alguns cuidados.

1- Consumindo as frutas sozinhas
A escolha por não misturar frutas com os demais alimentos (arroz, feijão...) é regra para algumas linhas “alternativas” de alimentação objetivando “facilitar” a digestão, pois quando em contato com os demais grupos alimentares a fermentação e a má digestão seria quase que inevitável, segundo eles.

Não temos estudos científicos que suportem essa observação e nem essas explicações (algumas delas pseudo-científicas). No entanto, é fato que muitas pessoas realmente se sentem melhores quando não fazem essa mistura.

Portanto, apesar de não haver respaldo científico para apoiar e incentivar essa separação, a sensação da pessoa que faz a combinação da refeição dessa forma pode justificar as suas escolhas e hábitos.

O maior cuidado nesse caso seria o de escolher sempre alimentos ricos em vitamina C (verduras e legumes) para compor as refeições principais, pois isso é importante para otimizar a absorção do ferro.

2- Consumindo as frutas com as refeições principais
Utilizar as frutas junto com as refeições significa consumi-las antes, durante ou depois, com arroz, feijão, salada...

Essa prática traz o benefício da união do ferro com a vitamina C (mais abundante nas frutas).

Antes, durante ou depois? Depende do objetivo!
a) Frutas antes – há pessoas que recomendam o seu uso antes da refeição com o objetivo de preparar o estômago para a digestão e para reduzir a vontade de comer doces após a refeição.

Essa “preparação do estômago” não é suportado por estudos científicos, pois nada muda com relação à chegada da fruta no estômago um pouco antes dos demais alimentos. Tudo será misturado por horas.

A redução da vontade de comer doces após a refeição é uma sensação individual e você pode fazer a experiência.

No estômago, o suco da fruta permanece menos tempo do que a fruta que foi comida (mastigada). As ácidas permanecem mais tempo do que as demais. Assim, se o objetivo de utilizá-la antes é de não misturar com a refeição ingerida na seqüência, isso só será possível se o tempo esperado após a ingestão do suco for de pelo menos 30 min, pois é esse o tempo necessário para que um copo de líquido (consumido isoladamente) seja esvaziado pelo estômago.

Se o líquido é ácido (laranja, limão, tangerina, tamarindo...) esse tempo pode ser maior. Frutas mastigadas permanecem mais tempo ainda.

b) Frutas durante ou depois – o uso de frutas (inteiras ou como suco) logo após a refeição traz o mesmo efeito que utilizá-las durante. Como o esvaziamento do estômago pode demorar 5 horas após uma refeição “caprichada”, consumir a fruta logo depois do almoço, inevitavelmente vai fazer com que ela encontre com os demais alimentos ingeridos. Para a absorção do ferro isso é excelente.

Para os que querem optar por separar as frutas das refeições, pelo menos 3 horas seria um tempo razoável para evitar que ela encontre os demais alimentos ingeridos anteriormente, mas lembre-se de ingerir verduras cruas em abundância na refeição para otimizar a ingestão de vitamina C.

Resumidamente
Por mais que existam explicações que justifiquem as vantagens fisiológicas de não misturar frutas com os outros alimentos, essas explicações, apesar de às vezes utilizarem termos científicos, não são científicas.

O que pode justificar retirá-las das refeições principais, ou da mesma alimentação que contenha outros grupos alimentares, é a sua sensação corporal e digestiva com essa combinação.

O ponto de maior atenção é: as frutas são excelentes fontes de vitamina C, que é o nutriente mais potente para favorecer a absorção do ferro contido nos alimentos. Não adianta comer alimentos ricos em ferro numa refeição e ricos em vitamina C em outra. O ferro e a vitamina C devem se encontrar no estômago na mesma refeição. Assim, se você não utiliza frutas nas refeições principais, utilize verduras e legumes (de preferência crus) em abundância nessas refeições.

Cerca de 1/3 da população mundial sofre de carência de ferro e essa porcentagem é a mesma para onívoros e vegetarianos. Não descuide!

OBESIDADE E DIABETES NA GESTAÇÃO AUMENTAM O RISCO DE AUTISMO EM BEBÊ.

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Filhos de mães obesas e diabéticas têm uma probabilidade quatro vezes maior de serem diagnosticados com transtorno do espectro autista, em comparação com aqueles cujas mães não têm nenhuma das condições. É o que diz um estudo publicado recentemente na revista científica Pediatrics.

Embora a obesidade e o diabetes já sejam condições que, separadamente, aumentam o risco de desenvolvimento da síndrome, o novo estudo mostrou que, quando combinadas, essa probabilidade dobra.

Os pesquisadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos, analisaram os registros de 2.734 crianças nascidas no Centro Médico de Boston. Nos prontuários havia informações sobre a saúde das mães antes e durante a gestação. Os autores também acompanharam as crianças até o início da infância, quando o autismo geralmente é diagnosticado.

Os resultados mostraram que as crianças cujas mães eram obesas antes da gravidez corriam o dobro de risco de serem diagnosticadas com autismo, quando comparadas com aquelas de mães com peso considerado normal. Mulheres com diabetes antes da gestação ou que desenvolveram diabetes gestacional também tinham risco duas vezes maior de ter um filho com autismo, em comparação com aquelas sem a condição.

No entanto, esse risco foi ainda maior quando as duas condições estavam juntas.

A probabilidade de ter um filho com autismo nesses casos era quatro vezes maior. Os pesquisadores também descobriram que diabetes e obesidade aumentam o risco de deficiência intelectual na criança.

— Nossa pesquisa mostra que o risco de autismo começa no útero. Agora, é importante tentar entender o que há na combinação de diabetes e obesidade que está potencialmente contribuindo para uma saúde fetal aquém do ideal — explicou Daniele Fallin, coautora do estudo.

De acordo com os pesquisadores, obesidade e diabetes são condições que, em geral, já estressam o corpo humano. Pesquisas anteriores sugerem que a obesidade em gestantes pode estar associada a uma inflamação no desenvolvimento cerebral do feto. Outros estudos indicam que mulheres obesas têm menos ácido fólico, um tipo de vitamina B vital para a saúde e desenvolvimento humano.

— Talvez nós precisemos considerar não somente a saúde na gravidez, mas também na pré-gravidez para prevenir o autismo — argumentou Daniele.

Diante desses resultados, os autores sugerem que mulheres que estão pensando em engravidar lembrem que diabetes e obesidade são condições que podem afetar também a saúde do bebê. Uma melhor administração destas condições pode ter um impacto benéfico e duradouro na vida de ambos.

Fonte: Zero Hora.

ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA DURANTE A GESTAÇÃO.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016 0 comentários
Alimentar-se bem durante a gravidez é essencial para a saúde da mãe e do bebê. Mas esqueça do mito “alimente-se por dois”, afinal, estar bem alimentada não significa comer em excesso.

Beatriz Botéquio, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & bolos Industrializados (ABIMAPI), explica que a gestação também não é época de fazer dietas restritivas para perda de peso, pois é preciso mais energia para a futura mamãe e seu neném.

As proteínas, carboidratos integrais, vitaminas e minerais são essenciais para a formação de uma criança sadia. Se existe excesso ou falta desses nutrientes, o desenvolvimento das células não é perfeito, e o bebê pode nascer com baixo peso.

•Um cardápio balanceado com cerca de 300 calorias extras ao dia, já é necessário para gerar uma criança saudável?. E esse acréscimo representa menos do que você imagina: um lanche de pão integral com queijo branco pode suprir o complemento calórico. O grande objetivo é manter um ganho de peso constante, sem grandes oscilações, que gira em torno de 1,5 a 2,0 Kg no primeiro trimestre, e 1,5 a2,0 Kg por mês no restante da gravidez, para chegar a um total ideal de 11,5 ano máximo 14 Kg, completa a nutricionista.

O primeiro passo é incluir, no carrinho do supermercado, alimentos nutritivos como: frutas, verduras, cereais integrais, pães e massas integrais, frutas oleaginosas - como a castanha-do-pará e amêndoas, por exemplo ?, carnes magras e laticínios desnatados. Depois disso, o segundo passo, é evitar doces e outros alimentos e bebidas que são ricos em açúcar e gordura trans, e pobres em nutrientes.

O que não pode faltar no prato da gestante

•Carboidrato
Principal fornecedor de energia para mãe e para o bebê. São essenciais para manter disposição e bem estar na gestante.
Sugestões: cereais matinais, pães, massas, arroz e batatas.

• Proteína
Indispensável para o desenvolvimento das células do bebê e para a placenta.
Sugestões: carnes em geral, ovos, leite e leguminosas como feijão, soja, grão de bico,lentilha e ervilha.

• Cálcio
Essencial para formação óssea do feto, e para a contração muscular.
Sugestões: leite, iogurtes, queijos, gergelim, e alguns vegetais como brócolis. O iogurte, especificamente, favorece o crescimento da flora bacteriana intestinal, que aumenta as defesas do organismo e ainda diminui a formação de gases e auxilia o funcionamento do intestino.

• Vitamina A
Ajuda na formação das células e no desenvolvimento de ossos e dentes da criança.Fontes: gema de ovo, fígado, leite, manteiga, margarina, vegetais verde escuros e laranjas (rúcula, cenoura) e frutas de cor alaranjada como mamão e manga.

• Vitamina C
De grande importância para o desenvolvimento, construção e reparação dos tecidos,na cicatrização, e no crescimento e desenvolvimento ósseo do bebê. Auxilia na absorção de ferro, quando consumida na mesma refeição de alimentos ricos neste mineral.
Sugestões: frutas cítricas, como laranja, mexerica, limão, acerola, kiwi, cereja, caju,morango, e também batata, repolho e tomate. Para melhor aproveitar este nutriente, consuma sucos feitos na hora!

• Vitamina D
Ajuda na formação das células e no desenvolvimento de ossos e dentes da criança.Sugestões: gema de ovo, fígado, leite, manteiga, margarina, vegetais verde escuros e amarelos.

•Ferro
Importante na formação das células do sangue. Fontes: carnes vermelhas e vísceras como bife de fígado, leguminosas (feijão, lentilha, etc.), legumes e verduras verdes escuras e ovos. A ingestão de sucos ou alimentos ricos em vitamina C, como por exemplo, kiwi e suco de laranja, junto com as refeições melhora a absorção de ferro no organismo.

• Ácido fólico
Contribui na formação das células brancas e vermelhas do sangue. É essencial durante a gestação para ajudar na produção aumentada de sangue, necessária para o feto e a placenta. Também auxilia na formação do material genético de cada célula. Para reter este nutriente, prefira frutas e hortaliças cruas.
Sugestões:vegetais verde-escuros, fígado, gema de ovo, abacate, abóbora, melão, cereais integrais e gérmen de trigo.

• Ômega 3
Essencial para o desenvolvimento e para a formação do cérebro do bebê.
Sugestões: óleos vegetais, semente de linhaça e peixes de água fria como sardinha, arenque e salmão.

CONSUMO DE BATATAS E DIABETES GESTACIONAL.

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Uma pesquisa publicada recentemente no periódico científico BMJ revelou que o alto consumo de batata (incluindo os salgadinhos do tipo batata chips) antes da gravidez pode aumentar o risco de desenvolver diabetes durante a gestação. O estudo foi conduzido por pesquisadores americanos da Universidade Harvard e pelo Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver.

Para realizar o experimento, 15 632 mulheres foram acompanhadas ao longo de uma década - elas faziam parte do Nurses Health Study II, um prestigioso estudo da Universidade Harvard que existe desde 1976 e avalia a saúde de milhares de mulheres. Ao longo dos dez anos de estudo, ocorreram 21 693 gestações entre as voluntárias. A cada quatro anos elas respondiam questionários sobre seus hábitos alimentares -- incluindo o consumo de batatas.

De todas as mulheres que ficaram grávidas durante o estudo, 854 delas tiveram diabetes gestacional - uma condição que ocorre durante a gravidez pelo aumento dos níveis de glicose no sangue e que pode ser curada após o parto. Contudo, as mulheres que sofrem com esse problema podem ter mais riscos de desenvolver diabetes tipo 2 posteriormente.

Após considerar fatores como idade, histórico familiar de diabetes, prática de atividades físicas, hábitos alimentares e índice de massa corpórea, os pesquisadores observaram que o alto consumo de batata antes da gravidez foi fortemente associado com uma elevação do risco de desenvolver diabetes gestacional. As razões pelas quais essa ligação acontece, contudo, ainda são desconhecidas pelos cientistas.

O estudo também revelou que quando se consomem duas porções a menos de batata por semana, substituindo-as por outros vegetais, legumes ou alimentos integrais, pode haver uma redução de até 12% do risco de desenvolver diabetes durante a gestação.

Fonte: Veja.

UMA DIETA RICA EM FIBRAS PODE AJUDAR A MELHORAR A QUALIDADE DO SONO.

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Uma dieta rica em fibras pode ajudar a melhorar a qualidade do sono. É o que diz um estudo publicado na edição de janeiro da revista científica Journal of Clinical Sleep Medicine. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, também descobriu que refeições com mais proteína e pouca gordura saturada também contribuem para cair no sono mais rapidamente. "Nossa principal descoberta é que a qualidade da dieta afeta a qualidade do sono", disse Marie-Pierre St-Onge, responsável pelo estudo.

Para o levantamento, os pesquisadores acompanharam 26 adultos com idade média de 35 anos e peso normal. Durante cinco noites, eles dormiram em um laboratório especializado em monitorar o sono. Todos ficaram nove horas na cama (das 22h às 7h) e dormiram, em média, 7h35 por noite. Dados do sono dos participantes foram coletados na terceira noite, depois de três dias de alimentação controlada, e na quinta, após um dia de alimentação livre.

Segundo os resultados, quando consumiram os alimentos recomendados pela nutricionista que eram ricos em proteínas e com baixo teor de gorduras saturadas, os participantes demoraram aproximadamente 17 minutos para dormir. No dia em que os voluntários fizeram refeições por conta própria, eles levaram quase o dobro de tempo para pegar no sono.

"É surpreendente ver que como um único dia com grande ingestão de gordura e pouca fibra pode influenciar negativamente o sono", disse Marie-Pierre. Sabe-se que a má qualidade do sono já foi relacionada a problemas crônicos de saúde como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

O Ministério da Saúde recomenda a ingestão de 25 gramas de fibras por dia. O feijão preto, por exemplo, tem 15 gramas em cada xícara do nutriente.

Fonte: Veja.

VITAMINA D3 INFLUI NO CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL.

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A suplementação com vitamina D3 na dieta reduz a pressão arterial sistólica de ratos hipertensos e atua na expressão de genes relacionados com o controle da pressão arterial, sem induzir danos ao DNA ou estimular a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) prejudiciais ao organismo. O resultado é demonstrado em pesquisa realizada com animais na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP pela bióloga Carla da Silva Machado, pós-graduanda em Genética pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Novos testes serão necessários para comprovar a eficiência da suplementação em seres humanos.

A pesquisa avaliou o efeito das dietas suplementada e deficiente em vitamina D3 sob a regulação da expressão de genes relacionados com a hipertensão arterial. “Também foram verificados outros parâmetros, como a presença de danos ao DNA (material genético), marcadores bioquímicos de estresse oxidativo, envolvidos com a indução de danos às células, fibrose renal e alterações na pressão arterial sistólica”, afirma a pesquisadora.

O estudo utilizou dois modelos de ratos, os SHR, ratos espontaneamente hipertensos, e os WKY, controles normotensos, com pressão arterial normal. “A dieta foi administrada por via oral. Um grupo de animais recebeu alimentação em que foi retirada a vitamina D3 da dieta e outro grupo foi suplementado com concentração de vitamina D3 dez vezes maior que o grupo controle”, conta Carla. “A dieta suplementada reduziu de forma significativa a pressão arterial sistólica nos animais hipertensos SHR. A suplementação também não induziu danos ao material genético das células, tanto nos animais hipertensos quanto nos normotensos.”

Vitamina D3
A deficiência em vitamina D3 causou danos ao DNA, induziu a formação de EROs e alterou a expressão de genes relacionados com o sistema renina-angiotensina-aldosterona. “No organismo, esse sistema está relacionado com o controle da pressão arterial, ou seja, com seu aumento ou diminuição”, explica a pesquisadora. “Normalmente, as pessoas hipertensas já possuem um aumento na produção de EROs, que estão relacionadas a indução de danos ao DNA e à membrana das células, além de outras complicações ao organismo. Na pesquisa, a deficiência em vitamina D3 agravou esse quadro.”

Segundo Carla, será importante a realização de testes clínicos para comprovar se os efeitos da suplementação e deficiência em vitamina D3 também se aplicam na população humana. “Nos experimentos com animais, a suplementação não apresentou efeitos nocivos aos órgãos avaliados, demonstrando seu potencial para utilização em seres humanos”, diz. “No entanto, estudos populacionais são necessários para confirmar se essa relação também existe em humanos.”

A pesquisadora aponta que a principal fonte de vitamina D3 é a exposição à radiação UVB do sol, sendo sintetizada na epiderme (camada superficial da pele). “Em menor proporção, a vitamina D3 pode ser obtida na dieta, por meio de consumo de peixes como atum, cavalinha e salmão. Em casos de baixa exposição ao sol, há necessidade de suplementação com vitamina D3 ou aumento do consumo de alimentos que contém naturalmente ou são fortificados com a vitamina D3, como os derivadotes lácteos”, conta. “A função mais conhecida da vitamina D3 é a regulação do metabolismo de cálcio e fósforo no organismo, porém atualmente há novas abordagens de estudos que investigam sua influência na regulação da expressão de genes, e sua atuação no sistema imune.”

A pesquisa foi realizada no Laboratório de Nutrigenômica da FCFRP. Carla é aluna de pós-graduação em Genética, pela FMRP, sob orientação da professora Lusânia Maria Greggi Antunes. O estudo recebeu o prêmio de melhor pôster apresentado no 9º Congresso de Toxicologia em Países em Desenvolvimento e 19º Congresso Brasileiro de Toxicologia, realizados em Natal (Rio Grande do Norte), entre 7 e 10 de novembro do ano passado. A pesquisa gerou o artigo científico Vitamin D3 Deficiency Increases DNA Damage and the Oxidative Burst Of Neutrophils in a Hypertensive Rat Model, aceito recentemente (janeiro de 2016) pela revista Mutation Research – Genetic Toxicology and Environmental Mutagenesis.

Fonte: USP.

GRANDE ESTUDO SOBRE DOENÇAS CRÔNICAS TRAZ UM RETRATO PREOCUPANTE SOBRE A SAÚDE DOS BRASILEIROS.

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Projeto Elsa-Brasil. Foto: Cecília Bastos.
A saúde da população brasileira adulta não vai bem. As pessoas estão mais obesas, um terço tem hipertensão, muitas delas desenvolveram diabetes e quase metade tem colesterol alto. A avaliação é do médico Paulo Lotufo, e tem um fundamento bem sólido: dados levantados no Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), que ele coordena na USP desde 2008.

O projeto Elsa testou e validou algumas medidas e escores de pesquisas já realizadas em populações no exterior com doenças cardiovasculares, para saber em que medida os critérios desses estudos poderiam ser aplicados à população brasileira. De forma geral, houve similaridade, inclusive com relação aos fatores de risco: obesidade, hipertensão arterial, colesterol elevado e diabetes. Em uma próxima etapa, serão considerados outros elementos como diversidade racial e hábitos de vida dos brasileiros.

A primeira divulgação dos resultados do Elsa-Brasil a um público mais amplo foi feita no dia 1º de fevereiro no Hospital Universitário (HU) da USP, uma das bases operacionais do projeto. A apresentação trouxe um retrato das principais doenças crônicas no País – arterosclerose, enxaqueca, hipertensão, diabetes e dislipidemia (presença de gordura no sangue). Estas patologias crônicas são as responsáveis pelos maiores índices de mortalidade e morbidade no Brasil e seu aumento, principalmente a partir dos anos 1960, têm gerado altos gastos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

USP em alerta
O público pesquisado na USP é composto por professores e funcionários. Para esse grupo, o cardiologista Márcio Sommer Bittencourt, pesquisador do Elsa e um dos palestrantes do evento, não têm boas notícias. Segundo ele, apesar destes servidores terem mais acesso aos serviços de saúde do que a população em geral, andam com hábitos de vida não muito saudáveis. Mesmo sendo um pequeno subgrupo analisado, pouco mais de 5 mil, os participantes “uspianos”, quando comparados à maioria da população brasileira, estão mais obesos ou com sobrepeso, fazem menos atividade física fora do ambiente de trabalho e têm maior propensão ao diabetes.

Em relação ao acompanhamento da própria saúde, porém, o grupo da USP está em melhor situação. Dados da pesquisa sobre hipertensão arterial mostram que dos 35% dos participantes da USP que tiveram diagnóstico de hipertensão, 80% já tinham conhecimento dessa informação, enquanto que na população brasileira esta média cai para 50%.

Bittencourt espera que os exames realizados pelos servidores, cujos resultados foram entregues individualmente para cada participante, sirvam de estímulo para que cuidem melhor de si mesmos. Isso com o objetivo não apenas de melhorar sua expectativa de vida em anos, mas de ter uma “perspectiva de saúde mais prolongada”.

Elenir Aguilhera de Barros, de 72 anos, professora aposentada do Departamento de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, esteve o tempo todo sentada na primeira fila do evento a fim de acompanhar a apresentação dos trabalhos – e garante se sentir muito bem assistida pelo Elsa. Não só fez vários exames para investigar alguns problemas de saúde, conta ela, como também teve acesso ao acompanhamento psicológico para aposentados.

Além de doenças cardiovasculares, os resultados apresentados trouxeram dados sobre enxaqueca e doenças da tireoide. A pesquisadora Alessandra Goulart anuncia que o brasileiro está mais “enxaquecoso”, ou seja, ele tem mais episódios de dores de cabeça durante sua vida – cujos sintomas são dores pulsantes, náuseas, perda parcial da visão e sensibilidade à luz e ao som.

Apesar de não haver ainda nenhum estudo comprovando o crescimento do problema, há uma prevalência da enxaqueca aumentada em toda a América Latina. A novidade do estudo nessa área foram as evidências encontradas de que há correlação entre as pessoas que sofrem de enxaqueca e de transtornos de ansiedade e depressão.

Sobre doenças tiroidianas, há indícios de que a levotiroxina (medicamento utilizado no tratamento do hipotireoidismo) esteja sendo receitada de forma inadequada aos pacientes. Segundo a pesquisadora Isabela Benseñor, o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico (forma mais branda da doença, geralmente sem sintomas, mas detectável em exames) é feito pelo Elsa a partir da dosagem dos hormônios e de informações do paciente se ele faz uso ou não da levotiroxina. A partir desse procedimento, foi possível observar que há mais pessoas com hipotireoidismo clínico do que com hipotireoidismo subclínico, o que sugere que “tem mais gente do que deveria usando a levotixoxina”, adverte Isabela.

A investigação multicêntrica do projeto Elsa-Brasil vem sendo desenvolvida desde 2008 com cerca de 15 mil pessoas entre 35 e 74 anos de várias instituições públicas de ensino superior e pesquisa das regiões nordeste, sul e sudeste do Brasil. Na USP, são 5.061 voluntários que participam do trabalho. O objetivo é investigar, a longo prazo, a incidência e os fatores de risco para doenças crônicas. A importância das pesquisas do Elsa se confirma na área de saúde pública brasileira. Os resultados vão servir de subsídio para direcionamento e adequações de políticas públicas. As ações do SUS, dos programas de atenção primária e do sistemas privados terão impactos direto dos resultados dessas pesquisas, conclui Lotufo.

Fonte: USP.

ÓLEO DE COCO É ALIADO PARA A PERDA DE PESO E NO COMBATE AO COLESTEROL RUIM.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016 0 comentários
Mudança na extração possibilita retirar os
melhores benefícios do óleo de coco (Foto: Getty Images)
O óleo de coco ganhou popularidade em todo o mundo supostamente devido aos seus efeitos benéficos para a saúde, outros, no entanto, questionam a sua eficácia e afirmam, ainda, que ele possa fazer mal a saúde supostamente devido a presença da gordura saturada na sua composição. Mas, afinal, o que mostram os estudos científicos?

O óleo de coco é extraído a partir da moagem e prensa do coco in natura (Cocos Nucifera). O óleo extraído não possui aditivos e deve possuir uma acidez menor do que 0,5%. Primeiro é fundamental entender que o óleo de coco é composto por 64% de ácidos graxos ou triglicerídeos de cadeia média como: ácido láurico (47%), ácido caprílico (9%) e o ácido cáprico (7%).

Os triglicerídeos de cadeia média são digeridos e utilizados de forma diferente dos triglicerídeos de cadeia longa (ácido mirístico, ácido palmítico e ácido esteárico). Eles parecem não se acoplar a lipoproteínas e não circular na corrente sanguínea como outras gorduras, assim são metabolizados diretamente no fígado e convertidos em energia. Essa propriedade parece, de fato, favorecer a diminuição da insulina, colesterol ruim (LDL) e da glicemia.

No início, o óleo de coco foi classificado como um “ruim” por causa das altas quantidades de gordura saturada (86%). Isso fez com que produtores buscassem uma nova forma de extrai-lo. Em vez de se obter o óleo de coco a partir do refino artificial da polpa foi criado um novo processo natural de extração (prensa a frio) possibilitando uma nova era. Esse processo fez com que os valores nutricionais do coco (vitaminas, minerais e antioxidantes) fossem preservados com substâncias biologicamente ativas que normalmente eram perdidas no processo de refino do coco.

Existe uma vasta literatura sobre os benefícios do óleo de coco. Os triglicerídeos de cadeia média presentes na sua composição são rapidamente absorvido pelo intestino, usados como rápida fonte de energia e não participando do transporte do colesterol. O oposto parece acontecer com os óleos ricos em triglicerídeos de cadeia longa que são transportados pelo sistema linfático ou estocados como gordura.

O triglicerídeos de cadeia media são usados como fonte de energia e são excelentes na recuperação de pacientes com doenças crônicas e em crianças. De fato, os benefícios do óleo de coco são conhecidos há mais de duas décadas, seu alto poder oxidante se deve graças a alta concentração de fenóis. Essa alta concentração de fenóis torna o óleo de coco um dos mais potentes antioxidantes conhecidos capaz de reduzir a peroxidação lipídica, ou seja, pode prevenir a progressão da aterosclerose e a ocorrência de doença cardiovascular.

Além desses benefícios, o óleo de coco mostrou possuir efeito anti-inflamatório e antitrombótico inibindo a agregação plaquetária e a formação de trombos. Outros efeitos observados com a ingesta do óleo de coco é a redução do peso corporal, a diminuição da resistência insulínica em pacientes diabéticos, diminuição de colesterol LDL e diminuição de marcadores inflamatórios como a PCR-T.

Mas o óleo de coco é melhor do que outros óleos “saudáveis” como o Azeite de Oliva?
Não existem estudos na literatura que mostrem benefícios em relação a outros óleos “saudáveis”, como o azeite de oliva, que possui isoladamente efeito cardioprotetor e na diminuição do risco cardiovascular. Portanto, o uso combinado do óleo de coco e do azeite de oliva parece potencializar o efeito cardioprotetor, mas maiores estudos são necessários para comprovar essa suposição.

Lembre-se que uma alimentação balanceada é o segredo para uma vida longeva e saudável. Procure um nutricionista e use o óleo de coco com moderação. A dose diária recomendada é de duas colheres de sopa. Parece que ele pode sim trazer benefícios para a sua saúde devido ao seu efeito antioxidante, anti-inflamatório e antitrombótico como demonstrado acima. No entanto, maiores estudos randomizados são necessários para comprovar esses benefícios.

Bibliografia:
1 – Otto MC, Mozaffarian D, et al. Dietary intake of saturated fat by food source and incident cardiovascular disease: the multi-ethnic study of atherosclerosis. Am J Clin Nutr. 2012;96:397-404
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4 – Otto MC, Wu JH, Baylin A, et al. Circulating and dietary omega-3 and omega-6 polyunsaturated fatty acids and incidence of CVD in the multi-ethnic study of atherosclerose. J Am Heart Assoc. 2013;2(6)
5 – Asprup A, Dyerberg J, Elwood P, et al. The role of reducing intakes of saturated fat in the prevention of cardiovascular disease. Am J Clin Nutr. 2011;93:684-688
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Fonte: Eu Atleta.