Google Analytics Alternative

TAMANHO DAS PORÇÕES NO CONTROLE DO PESO.

terça-feira, 23 de outubro de 2012
Em uma análise curiosa, pesquisadores compararam o tamanho de porções em pinturas que representam “A Última Ceia” entre os anos 1000 e 2000. Neste período, foi possível observar um aumento de 69% no prato principal, de 23% nos pães e de 66% no tamanho dos utensílios (pratos)8. Sabe-se que a arte imita a vida, e isso retrata uma questão relevante de nosso tempo: porções de alimentos cada vez maiores, que estão relacionadas à atual epidemia de obesidade4.
 
Pesquisas realizadas com humanos em condições controladas, assim como em situações livres, mostram que a oferta de porções maiores de alimentos aumenta a quantidade de energia consumida 4,7. Para o tratamento efetivo da obesidade, portanto, trabalhos buscam verificar se a redução do tamanho de porções de alimentos estaria relacionada à perda de peso. Ao mesmo tempo, guias alimentares, como o MyPlate, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), já adotaram o ícone de prato como tentativa de auxiliar as pessoas a escolherem porções menores, adequadas do ponto de vista nutricional1. No Brasil, existe o programa “Meu Prato Saudável”, que reforça a importância da variedade e das proporções de alimentos com ilustrações de pratos que representam nossa cultura alimentar5.
 
Mas qual o impacto de intervenções com foco na redução do tamanho de porções sobre o controle do peso corporal? Em estudo recente, Kesman et al. (2011)3 randomizaram 65 pacientes ambulatoriais obesos (IMC ≥ 30 e < 40 kg/m2) com idade entre 31 e 75 anos, para grupos intervenção ou tratamento usual. Os dois grupos apresentavam características semelhantes no início do estudo. A intervenção durou seis meses e consistiu em aconselhamento nutricional individualizado, com revisão quanto às escolhas alimentares, controle de porções, consistência e horário das refeições e opções apropriadas de lanches.
 
Os pacientes também receberam instruções para utilizar utensílios (prato e copo) calibrados para o controle de porções. O prato era de vidro, com divisão em três seções, uma representando metade, destinada a hortaliças, e as outras duas um quarto do prato, para fontes de proteína (carnes magras, peixe, frango) e carboidratos (arroz, feijão, batata, macarrão). O copo era graduado indicando um terço, metade e uma xícara de chá3.
 
Os autores verificaram que os pacientes do grupo que controlou as porções apresentaram perda de peso significativamente maior (-2,4% do peso corporal inicial) do que os do grupo controle (-0,5%) após três meses de estudo. A percepção dos pacientes foi de que a estratégia os auxiliou no controle alimentar, tanto que 42% desejaram continuar utilizando o prato como guia mesmo após o término do estudo3. Os achados corroboram aqueles obtidos por Pedersen et al. (2007)6 com metodologia semelhante, que avaliaram 130 pacientes obesos com diabetes tipo 2 e observaram perda de peso significativamente maior no grupo intervenção (-1,8%) comparado ao grupo controle (-0,1%).
 
Estes resultados confirmam que ferramentas que promovem controle do tamanho de porções podem auxiliar na perda de peso. Além disso, mostram, por exemplo, que os restaurantes poderiam contribuir para melhores escolhas dos clientes, oferecendo desconto para porções menores, ao invés de colocar preços promocionais em porções gigantes como ocorre atualmente. Em paralelo, deve-se orientar o consumo de alimentos de menor densidade energética, pois grandes quantidades de hortaliças podem auxiliar na promoção de saciedade e controle da fome, permitindo a redução da ingestão energética e o controle adequado do peso corporal em longo prazo2. É importante que as pessoas compreendam que é possível comer de tudo um pouco, evitando a monotonia alimentar. Estas particularidades reforçam a importância da orientação nutricional individualizada, educação contínua e acompanhamento frequente dos pacientes obesos.
 
Referências:
1) Cunningham E. What impact does plate size have on portion control? J Am Diet Assoc 2011; 111(9): 1438.
2) Ello-Martin JA, Ledikwe JH, Rolls BJ. The influence of food portion size and energy density on energy intake: implications for weight management. Am J Clin Nutr 2005; 82(1 Suppl): 236S-241S.
3) Kesman RL, Ebbert JO, Harris KI, et al. Portion control for the treatment of obesity in the primary care setting. BMC Res Notes 2011; 4(1): 346.
4) Ledikwe JH, Ello-Martin JA, Rolls BJ. Portion sizes and the obesity epidemic. J Nutr 2005; 135(4): 905-909.
5) Meu Prato Saudável. Disponível em: <http://www.meupratosaudavel.com.br>. Acesso 13 setembro 2012.
6) Pedersen SD, Kang J, Kline GA. Portion control plate for weight loss in obese patients with type 2 diabetes mellitus: a controlled clinical trial. Arch Intern Med 2007; 167(12): 1277-1283.
7) Rolls BJ, Roe LS, Meengs JS, Wall DE. Increasing the portion size of a sandwich increases energy intake. J Am Diet Assoc 2004; 104(3): 367-372.
8) Wansink B, Wansink CS. The largest Last Supper: depictions of food portions and plate size increased over the millennium. Int J Obes (Lond) 2010; 34(5): 943-944.
 
Fonte: Unilever Health Institute, Tamanho de porções e controle do peso. Qual o impacto de intervenções com foco na redução do tamanho de porções? Acesso em 23/10/2012.

0 comentários:

Postar um comentário